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Bairros mais caros do Rio lideram casos, mas especialistas temem ‘explosão’ de Covid-19 nas favelas

Bairros com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e com os mais caros metros quadrados do Rio acumulam mais da metade dos registros de coronavírus. Mas é a chegada do vírus nas favelas que mais preocupa autoridades e especialistas.

Infectologistas afirmam que a doença desembarcou na capital com pessoas que estavam fora do país, especialmente Europa e China, mas já são transmitidas para pessoas com menor poder aquisitivo.

“Os primeiros casos no Rio ocorreram de pessoas que estavam circulando no exterior, que são, normalmente, as pessoas com mais poder aquisitivo. Agora, há pessoas que trabalham nessas casas na Zona Sul e na Barra. Babás, empregadas, diaristas, motoristas que vem de regiões mais pobres e que vão levar o vírus para suas casas”, diz o infectologista Edimilson Migowski.

A chegada do vírus às favelas tende a fazer com que os casos de doença se multipliquem, afirmam os especialistas. O motivo são as condições de moradia e a falta de saneamento básico oferecido pelo poder público.

Até a noite de terça-feira (24), havia 278 casos de coronavírus confirmados na capital, sendo apenas um comunidade: na Cidade de Deus. Em outras favelas, há pelo menos 63 casos pendentes de confirmação. Os bairros com mais registros são:

  • Barra da Tijuca – 42
  • Leblon – 30
  • Ipanema – 30
  • Copacabana – 17
  • Botafogo – 16
  • Lagoa – 15

IDH x coronavírus
O infectologista Edimilson Migowski explica que, assim como outras doenças transmitidas por via respiratória, o coronavírus pode ter um efeito catastrófico onde as pessoas vivem aglomeradas.

Ele exemplifica o caso da tuberculose: no Rio, são cerca de 50 casos por 100 mil habitantes, enquanto na Rocinha o número chega a 300 por 100 mil habitantes.

Na população carcerária, onde a aglomeração é ainda maior, chega a 3 mil por 100 mil habitantes.

Barra, Leblon, Ipanema, Botafogo e Lagoa estão entre as áreas com maior IDH do estado do RJ, segundo dados da ONU e do Ipea, e somam 47% dos casos de coronavírus.

Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Tânia Vergara, o problema se grava quando o coronavírus começar a se espalhar em regiões mais carentes – inclusive por terem menos acesso à saúde de qualidade.

Ela exemplifica casos em que vários familiares dormem num mesmo cômodo e sugere minimizar o problema, por exemplo, dormindo com as janelas abertas. Uma pesquisa mostra que há 300 mil domicílios nessa situação na Região Metropolitana do RJ.

Quando não for possível manter o distanciamento seguro de um metro meio, ela diz, que seja de ao menos um metro.

Nesta terça, após encontro com líderes comunitários, o governo acenou com a possibilidade de usar navios da Marinha para abrigar os grupos de risco, especialmente idosos que vivem em comunidades e áreas carentes.

Comunidades se unem contra o vírus
Os moradores das comunidades têm se organizado para reivindicar atenção das autoridades e para disseminar a informação para os vizinhos.

Uma das iniciativas chamou a atenção nesta terça. Foi o apelo da menina Sofia, de 4 anos, que mora na Vila Kennedy, na Zona Oeste da cidade. No vídeo, divulgado nas redes sociais, ela faz um apelo.

“Estou chegando aqui para dar um recado importante. para de sair para a rua. É para ficar dentro de casa, entendeu? Sabe aquele quartinho que você tá doido para dar uma geral? Arruma o quartinho. Sabe aquele guarda-roupa, arruma o seu guarda-roupa. Faz uma pipoquinha, vê um filme, mas dentro de casa. Para de sair para a rua”, pediu Sofia.

Fonte: G1


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