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Bispo de Limeira renuncia em meio a investigação sobre extorsão

O Vaticano anunciou nesta sexta-feira (17) que o bispo da Diocese de Limeira (SP), dom Vilson Dias de Oliveira, renunciou ao cargo. O pedido foi aceito pelo Papa Francisco, que já nomeou dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida (SP), para a função interinamente.

Oliveira é investigado por extorsão e enriquecimento ilícito, além de encobertar supostos casos de abuso sexual cometidos por um padre em Americana (SP), que está suspenso das funções de reitor e pároco da Basílica Santo Antônio de Pádua.

A renúncia foi divulgada no site do Vaticano no início desta manhã, que publicou ainda, na íntegra, a carta de dom Vilson. No texto, ele agradece o acolhimento que teve em Limeira e das cidades vizinhas, além de falar sobre os 12 anos que passou como bispo na diocese.

Oliveira diz ainda que a igreja na cidade, ele e outros presbíteros sofreram ataques durante o período e reconhece as “limitações” que tem, mas não cita nada sobre as acusações apuradas pela Polícia Civil e pelo Vaticano.

Arcebispo assume bispado

O arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, assumiu interinamente a Diocese de Limeira na manhã desta sexta-feira (17). O anúncio do substituto também foi divulgado no site do Vaticano e o arcebispo já está na cidade, onde participou de uma coletiva durante a manhã.

Ele afirmou que, inicialmente, assume as funções administrativas da diocese, e não pastorais. Posteriormente, o Vaticano irá definir quem vai assumir de forma permanente a diocese.

Sobre Oliveira, dom Orlando Brandes afirmou que ele não tem mais responsabilidade na diocese e já saiu da cidade. Agora ele segue para casa da mãe dele, e posteriormente, a Igreja Católica vai se manifestar sobre a nomeação de Oliveira em outra diocese ou em outra função dentro da Igreja.

Vaticano também investiga denúncias

Além da Polícia Civil, o Vaticano também apura as denúncias contra dom Vilson. Em fevereiro, o então bispo de Lorena (SP) e agora nomeado arcebispo de Campinas (SP), dom João Inácio Muller, foi encarregado da apuração. Ele ficou em Limeira durante uma semana, onde ouviu cerca de 20 depoimentos de padres em paróquias da região.

Em seguida, dom João Inácio encaminhou um relatório ao núncio apostólico em Brasília (DF), o arcebispo dom Giovanni d’Aniello, representante do Papa no Brasil.

Denúncias de desvios, extorsão e acobertamento

Dois inquéritos policiais investigam dom Vilson, um na Delegacia Seccional de Piracicaba (SP) e outro na seccional de Limeira.

O resultado parcial da investigação da Seccional de Limeira foi documento de mais de 300 páginas que cita denúncias de extorsão para enriquecimento ilícito.Em um dos casos, de 2012, um então integrante do conselho consultivo de uma igreja em Americana afirma em depoimento que um pároco, na época, disse aos conselheiros que o bispo dom Vilson pediu a doação de R$ 50 mil. Ele deu a entender que aquela quantia era para uso particular, insinuando que seria para compra de um imóvel.

O conselho não autorizou a doação, já que era para uso particular. O padre confirmou em depoimento à polícia que, por causa da negativa da igreja, o bispo pediu a contribuição dos R$ 150 mil para obras na Diocese de Limeira – ameaça que ele tinha feito caso não conseguisse a doação.

Em outra denúncia de extorsão, em 2015, o bispo dom Vilson teria pedido R$ 4 mil a um padre de uma paróquia em Artur Nogueira (SP). O padre disse, em depoimento, que o dinheiro era para construir um poço artesiano na casa de praia de dom Vilson, em Itanhaém (SP), na baixada santista.

Dom Vilson entregou documentos para o inquérito da polícia que confirmam que ele comprou dois imóveis no litoral sul de São Paulo nos últimos quatro anos no valor de mais de R$ 1 milhão.

Em depoimento, ele alegou que tudo foi comprado com dinheiro que vem do patrimônio da família dele e com recursos que ele recebeu das atividades religiosas, e também do salário que recebe da Diocese, R$ 12 mil por mês.

A Polícia Civil de Limeira encaminhou o inquérito para o Ministério Público Estadual (MP-SP), que devolveu à corporação em 24 de abril para que fossem feitas novas diligências.

Já o inquérito da Seccional de Piracicaba também segue em andamento e teve o prazo prorrogado por mais 30 dias. Nesta apuração, dom Vilson também é investigado por acobertar os supostos abusos do padre Pedro Leandro Ricardo, de Americana.

Fonte: G1


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