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‘Ele disse que queria dar um susto nela’, diz delegada sobre acusado de jogar líquido corrosivo em ex-companheira

Depois de se entregar à Polícia Civil na segunda-feira (9), o homem acusado de jogar uma substância corrosiva em Mayara Estefanny Araújo, de 19 anos, afirmou, em depoimento, que está arrependido do crime.

Segundo a delegada Bruna Falcão, William César dos Santos Júnior, de 30 anos, disse que queria dar um susto na ex-companheira, que está internada em estado grave no Hospital da Restauração (HR), sedada e respirando com a ajuda de aparelhos.

O crime aconteceu na noite de quinta-feira (4), em Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife. Na sexta (5), a polícia deteve dois suspeitos. Um deles, Paulo Henrique Vieira dos Santos, de 23 anos, apontado como participante da ação, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Ele está no Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife. O outro homem detido foi liberado por não ter relação com o caso.

No depoimento da segunda (8), que durou cerca de duas horas, William contou à polícia que planejou o crime depois de ter se queimado ao manusear a substância em sua casa.

O homem, que também está no Cotel, negou ter jogado a substância corrosiva na ex-mulher e apontou Paulo Henrique como executor do crime.

“Ele disse que planejou a ação porque tem um filho com Mayara e não tinha acesso à criança, mas essa versão foi desmentida pela própria mãe dele, que nos disse que ele tinha total acesso ao filho. Não foi simplesmente um susto, porque ele é agente de saúde e tinha conhecimento do líquido que estava manuseando. Ele fez com a intenção de deformá-la”, conta a delegada.

Inicialmente, o HR informou que o líquido corrosivo era soda cáustica após exames iniciais. A Polícia Civil alega que William confessou ter usado ácido sulfúrico para ferir a ex-companheira. O material segue, nesta terça (9), para perícia.

Além de William, Paulo Henrique, preso sob suspeita de ter participado do crime, também foi interrogado. De acordo com a polícia, as versões dos dois divergem e cada um tenta minimizar a sua participação no crime.

“William nega ter jogado a substância em Mayara e disse que foi Paulo. Já Paulo diz que aceitou ter participado porque queria dar um susto em Mayara e segurou a vítima enquanto William jogava o líquido. Estamos investigando e entendendo os fatos levando em conta essas versões e o que foi visto por testemunhas”, afirma.

Segundo a Polícia Civil, William já tinha sido condenado por estelionato em 2016, mas não foi preso, e Paulo tem passagens pelo sistema prisional por tráfico de drogas. Mesmo com a lesão contra Mayara, a polícia ainda não definiu qual tipo de crime foi cometido contra a vítima.

“Ainda não fechamos a tipificação do crime porque vai depender do estado da vítima, mas está claro que a intenção dele [de William] era deformar Mayara. Até o fim do inquérito, ele pode responder por tentativa de feminicídio, mas precisamos continuar as investigações antes de cravar essa versão”, afirma.

Denúncias
A relação do casal era conturbada, segundo a delegada. Desde o dia 13 de maio, Mayara procurou a Polícia Civil três vezes. “Ela narrou que ele ameaçou matá-la num primeiro momento e, num segundo episódio, a ameaça foi velada, enviada através de um vídeo. Na terceira vez, ele disse à mãe de Mayara que ela iria pagar por uma briga com a atual companheira dele”, conta.

Mesmo com três denúncias em menos de dois meses, a Polícia Civil explica que os boletins de ocorrência feitos por Mayara não foram referentes ao descumprimento de medida protetiva, e sim pelas atitudes do ex-companheiro.

O boletim de ocorrência foi registrado no dia 13 de maio. O segundo, em 23 do mesmo mês e o terceiro, no dia 1º de junho. Desde o primeiro registro, a Polícia Civil conseguiu na Justiça a concessão de medidas protetivas contra William. Elas só passaram a vigorar no dia 5 de junho porque o agressor não era encontrado para intimação.

Fonte: Divulgação


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