- Cidade

Moradores de Maraã, no AM, reclamam de lixeira a céu aberto

Dona Raimunda tenta por três vezes gravar a entrevista, mas é sempre interrompida por uma insistente visitante. “Essas moscas não param. É o dia todo assim”, reclama a dona de casa. Raimunda mora num conjunto habitacional entregue pela prefeitura de Maraã, município do interior do Amazonas, a cerca de 630 quilômetros da capital. Ela mora no local há um ano e desde que chegou as moscas são um problema. “A gente quase não consegue comer. Precisei colocar telas em todas as janelas pra tentar evitar que elas entrem”.

A invasão das moscas é, na verdade, uma consequência do verdadeiro problema. É que ao longo de dois anos, bem ao lado das casas foi se formando um lixão. É esse lixão que atrai as moscas. Todo o lixo da sede do município de Maraã é jogado ali. E não é uma lixeira pública construída para esse fim ou coisa parecida. É uma Avenida da cidade, a Avenida Perimetral, transformada em depósito de sujeira. “Esse lixão só faz trazer doença pra gente”, diz Maria Lima, outra vizinha da lixeira.

Um olhar pelo entorno do lixão revela mais do que sujeira. Perto dos entulhos está um caminhão abandonado. O irônico, para não dizer trágico, é que esse caminhão recolhia o lixo da cidade. Os moradores contaram que um dia os responsáveis pelo caminhão perderam a chave do veículo e ele ficou por lá. O tempo foi passando e, aos poucos, o caminhão foi depredado. Virou lixo.

Perto da lixeira também está a primeira fábrica do bacalhau da Amazônia. A ideia era produzir a iguaria partir do pirarucu, o gigante amazônico de água-doce, e revender o produto para outros estados e até outros países. Inaugurada em 2011 no município de Maraã a Fábrica trazia a promessa de gerar emprego, aumentar a renda dos produtores e fortalecer a economia da região. Não passou da promessa. O prédio está abandonado. Virou estacionamento e uma espécie de depósito da prefeitura. É mais um elemento no cenário do lixão.

Durante visita da equipe da Rede Amazônica ao município nem o prefeito, Luiz Magno Moraes (MDB), nem o vice-prefeito, Edir Castelo Branco (MDB) foram encontrados na cidade. A informação é de que eles estavam em Manaus. O prefeito em exercício, pelo que determina a lei na ordem de sucessão, era o Presidente da Câmara Municipal.

O Vereador Raimundo dos Santos (MDB), como Prefeito em Exercício, disse que eles não tem onde jogar o lixo. “Ou jogamos aqui ou jogamos no rio”. Ele disse ainda que existe um projeto para a construção de um aterro sanitário, mas para levar essa ideia adiante precisa da ajuda do Governo do Estado para abrir uma estrada vicinal e dessa maneira jogar o lixo mais longe, fora da área urbana da cidade. “Se o Governo do Estado nos ajudar com isso. A gente acaba com esse lixão aqui”, concluiu o vereador Raimundo.

Sem solução o lixão permanece. Dona Raimunda continua a fazer o que pode. Todos os dias reforça as janelas com as telas para evitar uma invasão das moscas. E são tantas moscas que do lado de fora as paredes brancas da casa vão ganhando um tom mais escuro. “É muito difícil isso aqui. E só fica pior. Enquanto tiver esse lixão as moscas vão continuar aqui”, para Dona Raimunda sobra lamentar.

Fonte: G1


There is no ads to display, Please add some

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *