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Capitão da seleção de handebol, Petrus lamenta estrutura do país e ainda crê em vaga para Tóquio

A ferida ainda não cicatrizou. Dez dias após a derrota para o Chile nas semifinais do handebol nos Jogos Pan-Americanos, o capitão da seleção brasileira Thiagus Petrus ainda sangra. Além da perda do ouro para o qual era mais que favorito, o Brasil viu escapar a chance de garantir um lugar na Olimpíada de Tóquio. A vaga agora não depende apenas deles e qualquer chance de jogar o pré-olímpico passará por uma combinação de resultados no Europeu e no Africano, em janeiro do ano que vem. De cabeça fria, Thiagus ainda acredita na classificação olímpica, mas garantiu que não houve salto alto contra o Chile, mas não deixou de fazer suas críticas.

“É terrível não depender só de você. Ainda dói bastante, mas em momento algum houve salto alto”
O jogador do Barcelona, um dos líderes do grupo, conversou com o GloboEsporte.com. E não poupou o momento do handebol brasileiro. Reclamou da situação da Liga Nacional, da dificuldade financeira e política que a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) passa e comentou também sobre o pivô Rogério, que nas redes sociais anunciou o seu afastamento por tempo indeterminado da seleção brasileira. Confira abaixo.

Faltou algo na preparação? Estrutura, hotel? Local de treino?
Não faltou nada. Dentro de todas as possibilidades, foi a melhor estrutura possível. Tudo com o apoio do Comitê Olímpico do Brasil.

O que deu errado? Foi salto alto? Uma fatalidade?
Eu ainda não sei. A preparação foi boa, tivemos um tempo para descansar antes de começar o torneio. Tentamos muitas coisas, no começo dos jogos talvez tenha faltado um pouco de concentração, mas depois já estávamos totalmente no jogo. Cometemos muitos erros e não aproveitamos os momentos bons nossos. E o Chile jogou muito bem também, além do goleiro deles ter feito uma partida excepcional. De qualquer forma, nada justifica. Se a gente jogasse bem, por melhor que eles estivessem, ganharíamos.

E para quem fala que foi salto alto, pelo Mundial que fizeram, por termos jogadores brilhando na Europa… Aquele papo de “ganhamos quando quisermos”?
Não foi salto alto em momento nenhum. Nós temos a consciência tranquila quanto a isso. Trabalhamos bastante e nunca pensamos nisso. Além disso, já temos prova suficiente de que quando jogamos contra as seleções teoricamente melhores que a nossa, eles não conseguem ganhar fácil assim.

O Rogério, pivô bicampeão da Champions, postou nas redes sociais que não joga mais na seleção por tempo indeterminado. Você, como capitão, como vê uma situação como essa?
Vi o post dele, mas não conversei com ele ainda. Estou tentando me desconectar um pouco essa semana. Eu acho que ele deve ter os motivos dele e com certeza eu estaria de acordo com vários motivos. Mas é uma decisão muito pessoal, não dá para saber o que passa na cabeça de cada um. Talvez possa ter sido de cabeça quente também e logo pode voltar. Depois dessa derrota, que foi bastante difícil, todos estamos repensando muitas coisas, porque ainda dói bastante. Talvez ele precise ficar um tempo longe, tenha perdido o tesão de jogar com a seleção. Ele pode ficar um tempo fora e sentir falta e voltar.

Depois do Mundial que a seleção fez, com um histórico nono lugar, em janeiro de 2019, fica difícil falar mal do trabalho do Washington, ou após o Pan de Lima fica claro que ainda precisamos de técnico estrangeiro por aqui?
No Brasil temos dois técnicos que poderiam ser da seleção, que é o Washington e o Hortelã, do Pinheiros. Acredito que com todas as dificuldades, tivemos três anos muito bons com o Washington, que infelizmente todo mundo só vai lembrar da derrota na semifinal do Pan. Nossas chances de ir ainda para a Olimpíada passam pela campanha que tivemos no Mundial e não por termos sido terceiro em Lima. Trazer um técnico de fora só se vier para ajudar. Trazer alguém por trazer, simplesmente por ser estrangeiro, é melhor ficar com o que temos aqui. Não compensa.

Apesar de vocês jogarem na Europa, terem os salários em dia, o momento da CBHb, quebrada financeiramente e politicamente, atrapalha em quadra?
Para a gente da seleção adulta atrapalha um pouco, mas contamos com o apoio do COB. O que nos preocupa são as categorias de base e a má qualidade das competições no Brasil, além da falta de clubes. E isso atrapalha o futuro da modalidade. Um fato positivo é a saída do Manoel da presidência. Ainda assim, o Ricardinho, que entrou, tem muitos problemas para resolver. Parece estar fazendo o melhor dele. O Zeba, ex-jogador da seleção, começou na CBHb e espero que seja ouvido e ter influência na gestão, pois sabe de todos os problemas que enfrentamos. Estamos nos organizando e oferecemos ajuda à CBHb que não sabemos até que ponto nos escutam. Queremos ajudar para termos maior influência.

Em entrevista recente, você usou o termo deplorável para a estrutura do handebol brasileiro.
Deplorável é você não conseguir vender a Liga Nacional, ter um pouco ou quase nenhum apoio da iniciativa privada na maior competição de handebol do país. Saber sempre os dois times que vão fazer a final do masculino.

Você ainda acredita na vaga olímpica? Ou ao menos na chance de jogar um Pré-olímpico?
Eu acredito, sem dúvida. É terrível quando você não depende mais do seu próprio trabalho, entretanto o Egito pode ser campeão africano, esse é o resultado mais difícil de acontecer. E logo no Europeu o normal é que uma das seleções que ficaram na nossa frente no Mundial ganhe (Suécia, Noruega, França, Espanha, Alemanha ou Croácia). Daí teríamos a chance no Pré-Olímpico e jogaríamos todas as nossas fichas.

Fonte: Globo esporte


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