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Marreta prevê voltar a camp em março de 2020, mas revela não conseguir assistir lutas do UFC

Ficar longe do que ama fazer tem sido duro para Thiago Marreta. Logo após a derrota para Jon Jones em julho, em Las Vegas, o lutador brasileiro operou os dois joelhos e iniciou um longo caminho de recuperação física. Apesar de tudo andar mais rápido que o previsto, Marreta não esconde que estar próximo a outros lutadores, treinos, e até assistir eventos do UFC, tem sido difícil. Tanto que pouco tem visto o que acontece dentro do octógono.

– Não tenho acompanhado lutas, para ser sincero. É uma coisa que gosto de fazer, mas também não tenho ido para a academia assistir os treinos das pessoas, é muito difícil ficar parado, ficar assistindo, então só foco na minha recuperação e faço outras coisas para me distrair. Não tenho acompanhado o UFC, tenho me distanciado um pouco. Não tenho me preocupado com o que vai acontecer na categoria, se Jon Jones vai ser campeão ou com quem ele vai lutar, não me interessa. Quero ficar bom o mais rápido possível, falar com o UFC que estou bom, e quem o UFC me der vou estar faminto para lutar – disse o lutador nesta última terça-feira, durante o lançamento da série “Nascidos para o Combate”, em que é um dos protagonistas.

Logo na semana seguinte à luta no UFC 239, Marreta operou os joelhos para corrigir lesões, algumas surgidas na própria luta pelo cinturão meio-pesado, que acabou com vitória de Jon Jones por decisão dividida. O lutador de 35 anos prevê voltar a começar o camp da próxima luta em março de 2020.

– (A recuperação) tem sido um pouco mais rápida do que esperavam (os médicos). Temos um pouco mais de dois meses da cirurgia e já estou fazendo bastante coisa, coisas que eles não esperavam que eu fizesse, então está bastante adiantado. O foco agora é só nisso mesmo, na minha recuperação, nem penso em luta agora, nem tem como pensar nisso. É focar na recuperação e, quando estiver 100%, aí sim comunicar ao UFC que vou voltar (…). Acho que em março (de 2020) já devo poder estar treinando de tudo, iniciando um camp.

Depois da operação, Thiago Marreta permaneceu em Las Vegas para começar a recuperação no Instituto de Performance do UFC. Ele voltou ao Brasil há três semanas, mas no mês que vem retorna aos Estados Unidos para uma nova fase do tratamento.

– A gente está agora na fase de recuperar a musculatura da perna, ganho de arco já ganhamos, já estou conseguindo dobrar a perna, e já estou fazendo quase tudo de parte física, inclusive boxe já posso fazer. Só chute não estou podendo dar, mas em umas três semanas já começo a dar os primeiros chutes e já volto a treinar muay thai. A parte de jiu-jítsu será a última coisa que vamos voltar a treinar porque força demais a articulação. Comecei no boxe, já estou indo para o muay thai, depois wrestling e, por último, treinar jiu-jítsu.

Ao falar da fisioterapia, Marreta admitiu que em muitos momentos é preciso procurar um equilíbrio com o lado mental. Quando não consegue executar algum exercício por conta de dores, o lutador carioca por vezes se chateia e força no momento em que precisa parar.

– Hoje mesmo estava treinando e, conforme vai evoluindo, meu treinador coloca movimentos novos. Antes só podia fazer movimentos para trás e para frente, agora a gente já está fazendo laterais, e daqui a duas semanas vai começar a fazer giratório, girando o joelho, que é quando começo a chutar. Então, a cada movimento novo, às vezes é normal o joelho dar uma inchada, você sentir um incômodo, uma dorzinha, aí às vezes tenho que esperar mais um pouco. Está sentindo? Então para e vamos fazer na semana que vem. Tem todo esse controle e cuidado para não piorar a lesão.

– Só que sou um cara que fico muito chateado quando não consigo fazer determinadas coisas, e aí vem a parte mental. Às vezes meu preparador diz para eu parar porque fico chateado, mas aí que faço mesmo. Hoje a gente estava fazendo movimento de salto e estava começando a sentir um pouquinho. Ele falou: “Está sentindo?”. Disse: “Um pouquinho”. “Então vamos parar”, ele respondeu. Mas aí comecei a saltar mais alto ainda. Então, tenho meio que essas loucuras: “Não, não posso deixar de fazer”. É complicado, tenho que achar o meio termo.

Marreta, dono de um cartel com 21 vitórias e sete derrotas, admite que pensou em parar de lutar para sempre logo no início da recuperação. As limitações para se locomover o deixaram inseguro, mas ele garante que essa fase já passou.

– (Pensei em parar) pois nunca tive uma lesão tão grave. Sou um cara bem ativo, luto direto, sem ter muito intervalo, e do nada você não conseguir fazer coisas básicas… Sou ser humano, não sou super-homem, então tenho meus momentos de fraqueza, e passou pela minha cabeça sim (parar de lutar). Sou um cara de 35 anos, já não sou mais nenhum garoto, então, me vendo naquela situação sem poder fazer coisas básicas, veio na minha cabeça: “Como vou poder voltar a lutar como luto?”. Não sou um 93(kg) que luta plantado, sou um cara que me movimento, faço chutes diferentes, então veio isso na minha cabeça. Mas logo passou, conforme fui vendo a evolução, conversando com os médicos e fisioterapeutas, eles me passaram confiança de que volto a lutar 100%.

Quem virou inspiração neste momento foi Ronaldo Fenômeno. Após uma lesão no joelho direito em 2000, numa partida da Inter de Milão, o atacante deu a volta por cima e foi campeão do mundo com a Seleção dois anos depois.

– Acompanhei o que aconteceu com Ronaldo Fenômeno na época, e ele é o maior exemplo de recuperação de uma lesão super grave por ter dado a volta por cima. Lembro claramente da cena dele caindo no campo e a patela girando vindo parar do lado do joelho. Eu era bem novo, mas lembro disso. E depois, vê-lo ganhar uma Copa, é uma inspiração para mim.

Pitacos do Marreta
Apesar de não acompanhar os últimos UFC’s, Marreta não foge dos palpites ou esconde suas opiniões a respeito dos duelos que movimentam o maior evento de MMA do mundo. Ele disse não ter visto a luta entre Robert Whittaker e Israel Adesanya, que terminou com nocaute do nigeriano no segundo round. O brasileiro acreditava numa vitória do neozelandês.

– Não vi, só fiquei sabendo do resultado. Achava que o Whittaker ganharia, mas vi alguns momentos no Instagram… Acho que o Whittaker é um lutador muito duro, mas não sei se o tempo parado o atrapalhou. Ele é novo ainda, mas com a experiência você tem que achar um meio termo. Tem lutador que usa muito a técnica e põe a bíblia debaixo do braço, e é ruim. Tem lutador que tem muito coração e se expõe, que foi o caso do Whittaker, e é ruim. Lutador tem que achar o meio termo, tem que montar uma estratégia e na hora que tem que mostrar, mostrar coração. O Whittaker não lutou bem.

O próximo da fila na disputa pelo título dos médios (até 84kg) deve ser o brasileiro Paulo Borrachinha. Porém, para Marreta, o nigeriano campeão é o favorito para este confronto.

– Condições sempre tem (de Borrachinha vencer), mas se tivesse que apontar um favorito, apontaria o Adesanya. Mas posso errar, como errei apontando o Whittaker favorito.

Mas esta é a divisão antiga de Thiago Marreta. Em agosto de 2018, ele venceu Kevin Holland nos médios, mas na sequência subiu ao meio-pesado (até 93kg) e enfileirou Eryk Anders, Jimi Manuwa e Jan Blachowicz, pegando Jon Jones na sequência. Ele desceria de novo?

– Sim, há essa possibilidade, desde que seja uma luta que faça sentido. Não volto mais para começar a fazer outra caminhada. Me sinto bem nos 93kg, me sinto saudável, e desceria para lutar de 84kg se fosse uma super luta.

Na atual divisão do brasileiro, um confronto importante acontece no dia 16 de novembro, na luta principal do UFC São Paulo. O polonês Jan Blachowicz, que já foi nocauteado por Marreta, enfrenta Ronaldo Jacaré. E o favoritismo e a torcida de Marreta é pelo ex-adversário.

– Se eu tivesse que apostar num favorito, apostaria no Blachowicz, mas falando de aposta, não de torcida, apesar de eu gostar muito do Blachowicz. Fizemos uma amizade, e se tivesse que apontar um favorito seria o Blachowicz (…). Complicado (dizer para quem vai torcer)… sou mais amigo do Blachowicz que do Jacaré, tive poucos contatos com Jacaré. Com Blachowicz a gente chegou a treinar juntos, criou uma amizade, então acho que 60 a 40 (a torcida a favor do) Blachowicz – concluiu.

Fonte: Globo esporte


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