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Polêmica da reclassificação “tira” recorde mundial de Daniel Dias no Mundial de Londres. Entenda

Os 31s83 no cronômetro poderiam ser um novo recorde mundial. Mas a marca que deu o ouro a Daniel Dias nos 50m livre na classe S5 agora é “apenas” o melhor tempo da carreira do brasileiro e novo recorde das Américas. O brasileiro não se queixa, mas o episódio é mais um capítulo de uma polêmica mudança na classificação funcional feita pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC).

A classificação funcional é uma particularidade do esporte paralímpico e é responsável por determinar quem compete em qual classe, mensurando e avaliando diferentes tipos e graus de deficiência. Recentemente, o IPC alterou os critérios de avaliação, gerando mudanças que impactaram diretamente dois dos maiores atletas do paradesporto brasileiro.

Andre Brasil, antes da classe S10, com menor nível de deficiência motora, tornou-se inelegível. E Daniel Dias, apesar de permanecer na classe S5, viu adversários de classes mais altas (com menos deficiência) descerem. Assim, perdeu cinco recordes mundiais que detinha.

A divisão das classes na natação paralímpica
Quanto maior o número, menor o grau de deficiência
S1 a S10 – deficiência motora
S11 a S13 – deficiência visual
S14 – deficiência intelectual

– A gente sabia que esse Mundial ia estar difícil. Para mim é realmente conseguir vir aqui, fazer o melhor tempo da minha vida. Se for pensar era para ser o recorde mundial. Mas não procuro pensar nisso. Procuro viver a cada prova, curtir o momento. Estou na minha melhor fase, na minha melhor forma física. A gente fica triste de estar acontecendo isso com a classificação. Os órgãos responsáveis tenham ciência disso, sejam mais justos, para que a gente possa chegar a Tóquio, que é o grande sonho – disse Daniel.

Com a mudança promovida pelo IPC, o recorde mundial dos 50m livre S5 passou a ser de Antonio Fantin: 30s16. Mas, antes do início do Mundial, o italiano foi mais uma vez reclassificado e voltou para a classe S6 nesta prova. O recorde, no entanto, permanece como sendo dele.

Nesta segunda-feira, Fantin competiu nos 400m livre S6-5 (prova que reúne atletas de duas classes para garantir um mínimo de competidores). Ganhou com 5m00s67, quase oito segundos a menos que o segundo colocado. Todos os finalistas eram da classe S6.

– Há alguns dias eu estava na S5, e agora voltei à S6. É verdade que foram dias difíceis para mim. Penso que nós atletas devemos apenas pensar em treinar, não deveríamos pensar nisso. Tentar se afastar um pouco dessas situações que fazem parte do mundo paralímpico. (…) Todas as classes são competitivas. O importante mesmo é vencer e treinar. Eu só penso nisso, e no futuro vamos ver o que vai acontecer – disse Fantin.

Presidente do IPC, o brasileiro Andrew Parsons ponderou que a reclassificação é inerente ao paradesporto e que o IPC trabalha para aperfeiçoar cada vez mais os métodos científicos que compõem a avaliação, mas que eventualmente alguém reclamará.

– A gente entende o impacto que tem uma mudança de classe na carreira de um atleta. Acontece com atletas de todo mundo em todas as modalidades, não é uma exclusividade da natação e muito menos do Brasil. Mais de 1000 atletas foram reclassificados. Claro que você vai ter um número de atletas que vai ficar insatisfeito. (…)

– Pode ter falhas no processo A, no processo B, mas é uma característica. Nunca vai deixar de ter atletas mudando de classe no esporte paralímpico. É ruim quando eles competem por muitos anos numa classe e aí muda.(…) É um processo. Isso obviamente tem que ser melhorado.

Fonte: Globo esporte


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