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Separados por uma final: D’Ale e Lucho revivem duas décadas de amizade em decisão

Talento pare reger o meio-campo, temperamento forte e liderança para construir uma carreira repleta de títulos. Braços cobertos por tatuagens, gosto pelo rock and roll e o sotaque de quem nasceu e foi criado em Buenos Aires. Aos 38 anos, D’Alessandro e Lucho González são unidos por trajetórias que se confundem. Até parece coincidência. Mas não é.

Em lados opostos e com origens quase idênticas, os dois argentinos revivem uma amizade de duas décadas no duelo entre Inter e Athletico pela final da Copa do Brasil. O jogo de ida ocorre nesta quarta-feira, às 21h30, na Arena da Baixada.

À beira do gramado, a dupla trocará um abraço com o peso de um cartel de 46 taças conquistadas em suas respectivas carreiras. Lucho é o segundo argentino com mais títulos no futebol, são 27, atrás apenas de Messi. D’Ale soma 19 conquistas.

Os argentinos são separados por uma final e por apenas três meses de diferença – Lucho é de janeiro e D’Ale, de abril de 1981. Ambos também compartilham idolatrias distintas para colorados e athleticanos.

D’Alessandro vive o Inter há 11 anos – com um hiato de uma temporada no River Plate – com um total de 12 títulos. A Sul-Americana de 2008 e a Libertadores de 2010 são carros-chefe. O argentino se isolará como terceiro jogador com mais jogos pelo clube nesta quarta-feira, com 461 partidas.

Lucho chegou ao Athletico apenas em 2016. Mas para fazer história: é o capitão que ergueu a taça da Copa Sul-Americana do ano passado. O argentino ultrapassa os 100 jogos pelo Furacão. Neste ano, também conquistou a Copa Suruga.

Nesta quarta-feira, os amigos terão pesos diferentes na decisão. D’Alessandro será titular com a camisa 10 e a faixa de capitão no braço. Mesmo referência no Athletico, Lucho fica no banco. Nada que atrapalhe o brilho e protagonismo da dupla.

Origens em Buenos Aires e início no River
D’Alessandro nasceu e foi criado no bairro de La Paternal. Lucho, de origem mais humilde, é de Lugano. Mas ambos percorreram a capital Buenos Aires desde cedo para jogar “baby fútbol”, modalidade praticada pelas crianças antes de chegar às categorias de base dos clubes profissionais.

Aí, as origens se dividem. O volante athleticano é cria das “canteras” do Huracán e chegou ao River Plate já profissional, em 2002. Lá ele encontrou um D’Ale formado no clube e titular da equipe de Ramon Díaz. Juntos, foram campeões do Clausura argentino em 2003.

Mas a amizade deles vem de antes dos Millonarios. Os dois meio-campistas colecionam convocações pelas seleções de base com José Pekerman e forjaram uma relação de proximidade com as cores da Argentina.

– A sua relação começa aí e fica mais forte quando Lucho chega ao River. Era uma relação muito boa porque são garotos com gostos parecidos. Duas crianças de bairro. Uma relação com muitas coincidências, de gostar da mesma banda de rock, que jogam futebol desde cedo. Isso os uniu – conta o jornalista Martín Blotto, do Diário Olé.

Ouro e decepção pela seleção argentina
D’Alessandro deixou o River em 2004 para defender o Wolfsburg, mas a amizade com Lucho ganhou novos capítulos pela seleção argentina. Com lembranças especiais e com sabores bem contrastantes.

Naquele mesmo ano, os dois amigos amargaram a maior decepção com a seleção com o vice para o Brasil na Copa América. A Argentina vencia por 2 a 1 até os minutos finais do segundo tempo, quando Adriano marcou para a Seleção e empatou. Nos pênaltis, os brasileiros venceram por 4 a 2 – D’Alessandro desperdiçou uma cobrança, assim como Heinze.

Meses mais, os dois amigos foram campeões olímpicos pela Argentina, nos Jogos de Atenas, na Grécia. A equipe comandada por Marcelo Bielsa tinha nomes como Carlos Tévez, Mascherano e Javier Saviola e venceu o Paraguai na decisão.

E Lucho quase veio parar… No Inter
Rival nesta quarta-feira, Lucho já foi sonho antigo do Inter. O Colorado tentou contratá-lo duas vezes – sem sucesso. Em 2012, o então executivo Fernandão chegou a viajar à França tentar sua liberação do Olympique de Marselha. No ano seguinte, foi longe nas tratativas e se aproximou de um acerto com o atleta, que esbarrou na negativa do Porto.

Os amigos voltaram a dividir o vestiário millonario brevemente em 2016, quando D’Ale foi emprestado ao River Plate por uma temporada. No retorno ao clube, ambos foram campeões.

Lucho conquistou a Libertadores em 2015. D’Ale foi campeão da Recopa e da Copa da Argentina no ano seguinte. Mas a parceria durou pouco. Lucho deixou o clube na metade do ano rumo ao Athletico.

– Eles eram jogadores importantes, titulares (com Ramón Diaz). Logo ficaram amigos, por terem dividido desde pequeno as seleções de base da Argentina. Depois, quando voltaram, foram campeões pelo River, mas já não conseguiram brilhar como em suas melhores épocas – conta Ariel Cristófalo, também jornalista do Olé.

Gosto por tatuagens e rock and roll
Os amigos de longa data também compartilham o gosto pelas tatuagens. Basta olhar para os braços de Lucho e D’Ale, todos cobertos com tinta. Os dois, aliás, fazem questão de eternizar suas conquistas na pele.

D’Alessandro tem as duas coxas preenchidas com taças erguidas por Inter e River Plate. O volante athleticano, por sua vez, tatuou o antigo escudo do clube e o troféu da Sul-Americana após a conquista em 2018.

Os adolescentes que dividiram as categorias de base da seleção argentina viraram jovens companheiros de River Plate e depois veteranos no elenco do time argentino em 2016. Mas desde cedo também aprenderam a ouvir rock and roll juntos.

D’Ale e Lucho são fãs de bandas como Los Piojos, Los Redondos e Rolling Stones. A dupla costumava ouvir esses artistas nas viagens com o River Plate, como conta o jornalista Martín Blotto.

Com tanto em comum, D’Alessandro e Lucho González deixam a amizade de lado nas próximas duas semanas. Athletico e Inter fazem o duelo de ida da final da Copa do Brasil nesta quarta-feira, às 21h30. A volta está marcada para o dia 18, no Beira-Rio, também às 21h30.

Errata: A matéria informava que o Brasil perdia por 2 a 0 até os minutos finais, quando empatou com Luisão e Adriano. Na verdade, o Brasil empatara o jogo no primeiro tempo com Luisão. Aos 42 da etapa final, Delgado pôs os argentinos novamente na frente. Seis minutos depois, Adriano igualou novamente o marcador. A informação foi corrigida às 9h39.

Fonte: Globo esporte


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