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Starbucks vai fechar? De quanto é a dívida? Veja perguntas e respostas sobre a crise da marca no Brasil

A empresa SouthRock Capital — operadora das marcas Starbucks, Subway e Eataly no Brasil — entrou com pedido de recuperação judicial no último dia 31 de outubro, alegando uma série de problemas financeiros.

Um dia depois, a Justiça de São Paulo negou o pedido. O juiz Leonardo Fernandes dos Santos, da 1ª Vara de Falências de São Paulo, apontou falta de informações e pediu uma perícia sobre a documentação apresentada pela companhia.

Em sua última decisão, na terça-feira (7), o magistrado antecipou parcialmente os efeitos da recuperação judicial — o que, na prática, protege temporariamente parte do patrimônio da empresa.

O pedido de recuperação, no entanto, ainda não foi aceito, e o processo segue em análise.

Enquanto isso, há registros de fechamento de mais de 40 lojas da Starbucks no país. Ao todo, a rede tinha 187 unidades em operação no Brasil. Agora, são 144 em atividade.

Procurada pelo g1, a empresa não se manifestou sobre os estabelecimentos fechados.

Entenda, a seguir, em nove perguntas e respostas, o caso da operadora da Starbucks no Brasil:

Por que a SouthRock Capital pediu recuperação judicial?
Qual é a dívida da empresa?
Quais os efeitos de um processo de recuperação judicial?
Quantas lojas fecharam?
O que diz a companhia sobre o fechamento das unidades?
A empresa perdeu a licença da Starbucks?
Quanto a SouthRock fatura por mês com as lojas Starbucks?
A situação da licença foi determinante para o pedido de recuperação?
A Starbucks vai fechar no Brasil?

Americanas pede recuperação judicial; entenda como funciona
Americanas pede recuperação judicial; entenda como funciona

1. Por que a SouthRock Capital pediu recuperação judicial?

No documento apresentado à Justiça, a companhia afirmou estar enfrentando uma crise econômico-financeira e listou uma série de fatores para justificar a atual situação e o pedido de recuperação. Entre eles:

a economia brasileira;
a pandemia de Covid-19, à qual a empresa atribui a queda de 95% nas vendas em 2020;
as vendas ainda baixas em 2021 e 2022, que não permitiram a “plena recomposição de seu fluxo de caixa”;
e as dificuldades para obtenção de capital de giro (ou seja, recursos para suas despesas operacionais) junto às instituições financeiras.
Segundo a companhia, todo esse cenário gerou uma “crise sem precedentes” e, embora tenha tentado se “reerguer”, os resultados financeiros dos últimos anos foram de “elevados prejuízos”.

“Desse modo, é evidente que o excesso de endividamento, a baixa lucratividade decorrente do fechamento de seus restaurantes (…) e impossibilidade de obtenção de novas linhas de crédito comprometeram a capacidade de as requerentes [empresas do grupo SouthRock] honrarem seus compromissos financeiros conforme pactuados”, diz o documento.
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2 . Qual é a dívida da empresa?

O pedido de recuperação protocolado na Justiça aponta que a SouthRock tem um total de R$ 1,8 bilhão em dívidas. Não foi divulgada a lista de credores.

De acordo com o documento, 80% do endividamento tem origem em “operações que foram garantidas por cessões fiduciárias de recebíveis oriundos das receitas de seus restaurantes”.

Isso significa que a maior parte das dívidas da empresa está vinculada ao dinheiro (crédito) que ela tem a receber, mas que já está comprometido como garantia futura de pagamento para seus credores e fornecedores.

No pedido de recuperação judicial, os advogados da companhia também afirmaram que o grupo fez “vultuosos investimentos e tomou dívidas milionárias para possibilitar a exploração” da marca Starbucks no Brasil.

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3. Quais os efeitos de um processo de recuperação judicial?

A recuperação judicial serve para evitar que uma empresa em dificuldade financeira feche as portas.

É um processo pelo qual a companhia endividada consegue um prazo para continuar operando enquanto negocia com seus credores, sob mediação da Justiça. As dívidas ficam congeladas por 180 dias, e a operação é mantida.

Significa, portanto, que a companhia deixa de pagar valores devidos a credores e fornecedores por pelo menos seis meses.

Ao pedir mais elementos para avaliação, o juiz Leonardo Fernandes dos Santos, da 1ª Vara de Falências de São Paulo, mencionou os impactos do processo.

“O simples deferimento do processamento da recuperação judicial, por si só, gera como consequência automática a suspensão de todas as ações ou execuções contra o devedor pelo prazo de 180 dias, dentre outras consequências legais importantes”, disse, em decisão.

4. Quantas lojas fecharam?

Pelo menos 43 lojas da Starbucks fecharam no Brasil desde o pedido de recuperação judicial. É o que apontam dados que constam no site da marca e no processo de recuperação judicial.

No documento, enviado à Justiça em 31 de outubro, a SouthRock aponta 187 lojas próprias da Starbucks em funcionamento no país.

Entre as baixas, está a icônica loja da Alameda Santos, próxima à Avenida Paulista, em São Paulo. Há também registros de fechamento de lojas em capitais como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Fonte: G1


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