- Política

Messias diz que, com ‘humildade’, vai buscar ‘novamente’ diálogo com senadores

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou nesta terça-feira (31) que, com “humildade”, vai novamente buscar o diálogo com senadores para conseguir apoio à sua indicação para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Messias deu a declaração ao g1 depois de o Palácio do Planalto informar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai encaminhar nesta terça, ao Senado, a mensagem que comunica a escolha do AGU para o cargo no STF.

O envio da mensagem ao Senado, se confirmado, ocorrerá quatro meses após o presidente Lula anunciar a escolha de Messias para suceder o ministro aposentado Luís Roberto Barroso, que deixou a Corte em outubro do ano passado.

“Darei continuidade à minha jornada no Senado com humildade e fé. Buscarei novamente o diálogo com todos os senadores e senadoras, pois este é um momento que exige entendimento”, afirmou Messias.

“Continuarei meu empenho pela pacificação e estabilidade. Como profissional do direito, sempre valorizei o diálogo e a conciliação como as melhores maneiras de resolver conflitos. Reafirmarei meu compromisso com essas credenciais”, acrescentou o advogado-geral da União.

Uma indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF) é prerrogativa do presidente da República, mas, para que o escolhido possa tomar posse no cargo, o nome precisa ser aprovado pelo Senado após a realização de uma sabatina. A aprovação depende do apoio de, pelo menos, 41 senadores.

Messias ‘cansou de esperar’
O Palácio do Planalto segurou o envio da mensagem com a indicação de Messias diante do risco de o Senado rejeitar o nome do AGU em uma articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que queria emplacar o aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na vaga de Barroso.

Indicado em 20 de novembro de 2025, foi o próprio Messias, segundo fontes do Planalto, que “cansou de esperar” e pediu a Lula que enviasse a mensagem ao Senado.

Após conversar com lideranças do governo na Casa, o AGU avaliou que a situação entre os senadores melhorou e que tem votos para ser aprovado.

A aliados, Alcolumbre afirmou que esperava uma conversa particular e presencial com Lula antes do presidente enviar a mensagem.

Há mais de duas semanas, quando se falaram por telefone pela última vez, Alcolumbre ouviu Lula, reconheceu a prerrogativa do presidente, mas não firmou compromisso para trabalhar pela aprovação.

O avanço, segundo disse a aliados, é responsabilidade do líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), que está sem canal direto de diálogo com a presidência do Senado. Os dois se cumprimentam e conversam apenas em plenário.

Segundo pessoas próximas a Alcolumbre, não há nenhum acordo entre Planalto e Senado sobre um eventual calendário.

Messias pode bater marca de André Mendonça
Com a falta de acordo, a tendência hoje é que Jorge Messias espere mais tempo pela sua sabatina do que o ministro do STF, André Mendonça, que aguardou mais de 4 meses para ser votado no Senado.

No centro da demora estava justamente Davi Alcolumbre. O senador, então presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) — colegiado que faz a sabatina — demorou 141 dias, ou seja, 4 meses e 18 dias, para colocar o nome de Mendonça em votação.

Nesse tempo, Alcolumbre tentou convencer o então presidente Jair Bolsonaro a indicar Augusto Aras, procurador-geral da República à época.

Fonte: G1


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