A fala do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em defesa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve dois recados:o primeiro de que ele vai barrar qualquer tentativa de impeachment do vice-presidente do Supremo;
e o segundo é uma ameaça velada ao próprio senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).
Ou seja, caso a oposição insista em criar uma saia justa para ter dividendos eleitorais no caso de Daniel Vorcaro e Moraes, ele vai começar a falar da relação do ex-banqueiro com o presidenciável.
Esse movimento de Alcolumbre assustou a oposição. Aliados de Flávio sabem que Alcolumbre pode ressuscitar politicamente o caso do filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, às vésperas das eleições.O recado implícito de Alcolumbre é que muitos parlamentares eram próximos de Vorcaro, inclusive Flávio. E que, nas palavras de um interlocutor de Alcolumbre, “um sujo não pode falar do mal lavado”.
A percepção é que há uma bancada suprapartidária do Vorcaro no Congresso e que a pressão seria grande para evitar uma apuração mais aprofundada, pois isso fugiria ao controle. Foi exatamente esse movimento que barrou a CPI do Master no primeiro semestre.
Alcolumbre ainda convive com o fantasma da investigação do “Amapá Previdência”, o fundo dos servidores públicos do estado que investiu em títulos podres do Master.
O dirigente afastado que era responsável pelo fundo de previdência é afilhado político de Alcolumbre. Ou seja, o único caminho de investigação, por enquanto, terá que ser pelo próprio Supremo.A percepção de senadores, contudo, é de que essa blindagem de Alcolumbre ao ministro Alexandre de Moraes pode reforçar o discurso de candidatos da oposição ao Senado para uma campanha focada no argumento de que será preciso renovar a Casa para iniciar processos de impeachment contra ministros do Supremo.
Fonte: G1
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