O bronze brasileiro nas Olimpíadas de Tóquio é o auge de uma carreira repleta de medalhas para Alison dos Santos, de 21 anos, que não começou no atletismo.
Foi no tatame, lutando judô, que o paulista, também conhecido como Piu, levou para casa os primeiros prêmios de sua trajetória no esporte em São Joaquim da Barra (SP), antes de se encantar pela corrida com barreiras, lembra a mãe, a aposentada Sueli Alves Pereira, de 50 anos.
São tantas medalhas, em competições regionais, que a família perdeu as contas.
Alison levou a primeira medalha brasileira do atletismo nos Jogos do Japão ao ganhar o bronze na prova final dos 400 metros com barreira das Olimpíadas. Ele não só cravou o terceiro melhor tempo com a marca de 46s72 como também bateu um novo recorde sul-americano e quebrou um tabu de 33 anos em uma prova individual de pista do atletismo olímpico.
De acordo com a família, o atleta deve voltar ao Brasil em 5 de agosto, mas ainda não sabe quando vai para São Joaquim da Barra. Segundo a mãe, a recepção vai ser calorosa e, se possível, com direito a trio-elétrico.
Menino ‘sapeca’ e batalhador
Nascido em São Joaquim da Barra em uma família com mais três irmãs, Alison dos Santos aprendeu cedo a superar obstáculos. Aos 10 meses de vida, ele dava os primeiros passos quando teve parte da cabeça queimada e ficou três meses internado após um acidente doméstico com óleo de cozinha quente, que caiu de uma panela.
Fato que ele superou e não impediu o menino de viver uma infância ativa, alegre e repleta de brincadeiras.Aluno de escola pública, o jovem estudou até a 5ª Série na Escola Estadual Genoveva Pinheiro Vieira de Vitta. Na sequência, prestou prova e conseguiu uma vaga na Escola Técnica Estadual (ETEC) Pedro Badran, onde concluiu o ensino médio.
Sem descuidar dos estudos, o menino sempre teve uma forte ligação com o esporte, a começar pelo judô, que conheceu quando tinha 8 anos e praticou até os 13.
Segundo Sueli, ele só parou de praticar a arte marcial por conta de lesões que vinha sofrendo, entre elas uma no joelho durante uma competição, que não o afastou dos esportes, mas o fez repensar o que queria.
“Ele estava competindo e se machucou. Ele não pode continuar por essa razão. Aí ele voltou e falou assim: acho que não vai dar certo isso pra mim. Foi onde ele resolveu ir para o atletismo.”
O início no atletismo
Nesse período, Alison foi apresentado a outro projeto social da cidade, onde conheceu a corrida com barreiras. “Tinha uma técnica que estava procurando novos meninos pra fazer parte do projeto. É o Projeto do Edson, um projeto onde as crianças vão fazer atletismo. Tinha muitos amiguinhos dele que fizeram com ele”, lembra.
Logo, ele chamou atenção dos treinadores nessa modalidade. Técnica de Alison entre 2014 e 2018, Ana Fidélis conta que o jovem chegou tímido, mas aos poucos foi se soltando. “Quase não conversava, falava poucas palavras, mas com poucos meses o Alison já estava dançando”, brinca.
Ele também demonstrou que não só tinha gosto como também muita habilidade na corrida com barreiras.Lá, Alison permaneceu até os 17 anos antes de ir para o Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, e foi campeão em diversas competições regionais, estaduais e nacionais.
“Em 2017 ele foi campeão regional, campeão estadual, campeão brasileiro, campeão sul-americano, e campeão mundial. E tudo isso ajudou para que ele fosse treinar no Esporte Clube Pinheiros em 2018”, conta a ex-treinadora.A mãe se lembra de quando a coleção de medalhas começou a crescer. “Sempre que ele ia para uma competição, ele voltava com alguma medalha.”
Embora não imaginasse que o filho chegaria tão longe, Sueli conta que sempre apoiou Alison e via nele potencial e dedicação.
Fonte: G1
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