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Motoristas de ônibus e empresários ficam sem acordo sobre fim de greve e Justiça marca julgamento

Terminou sem acordo a audiência realizada, nesta quarta (23), pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) com o Sindicato dos Rodoviários e o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE).

Com isso, a greve dos motoristas de ônibus iniciada no Grande Recife, na terça (22), está mantida. A Justiça marcou o julgamento do dissídio coletivo para as 10h de segunda-feira (28).

Nesta quarta, no segundo dia de paralisação, passageiros sofreram para conseguir condução. Havia poucos ônibus nas ruas e nos principais terminais. O TRT determinou que 50% da frota entrasse em operação nos horários de pico, das 5h às 9h e das 16h às 20h.

Durante os horários de menor demanda, ficou determinado que 30% da frota entrasse em circulação. Caso a ordem seja descumprida, será aplicada uma multa diária de R$ 100 mil.

Segundo o TRT, permanece em vigor a proibição de ações como o bloqueio de garagens ou a invasão esses locais. Estão vetados o fechamento de vias públicas e a depredação de ônibus, além do cerceamento de profissionais ligados às empresas.

Na manhã desta quarta, no entanto, esse índice chegou até, no máximo, 47%, segundo o Grande Recife Consórcio, que gerencia o sistema.Na audiência, a vice-presidente do TRT, Dione Nunes Furtado da Silva, informou que o Sindicato dos Rodoviários tem até as 17h desta terça para apresentar a defesa. A Urbana-PE e o Ministério Público do Trabalho devem analisar os documentos até as 17 de quinta (24).

A audiência foi feita de forma virtual e começou por volta das 10h. A primeira a falar foi a advogada que representa o Sindicato dos Rodoviários, Thaiza Campos. Em seguida, foi a vez do advogado Fernando Montenegro, da Urbana-PE.

Campos reiterou as reivindicações dos motoristas. O principal item é a volta dos cobradores, com o fim do acúmulo de funções. A categoria também pede que uma folha suplementar faça o pagamento retroativo, com reajustes, ainda no mês de dezembro.

Além disso, a advogada pediu a suspensão de propostas de acordos individuais. Segundo ela, esse procedimento tem sido adotado pelas empresas junto aos funcionários.

“Nós apresentamos uma proposta de um tíquete de R$ 400, a ser pago dependendo dos dias trabalhados, inclusive para os trabalhadores que estejam em afastamento”, disse na audiência.

O Sindicato dos Rodoviários pede pelo fim da dupla função, já que os motoristas têm atuado como motoristas e cobradores. Eles também exigem o pagamento de reajuste retroativo e garantia de emprego por seis meses.Nota
Por meio de nota, a Urbana-PE informou que “as empresas reforçam que têm cumprido todas as cláusulas referentes ao dissídio coletivo da categoria acordadas em mediação promovida pelo Tribunal Regional do Trabalho, no mês de novembro”.

Disse, ainda, que, “na ocasião, ficou determinado que os pagamentos dos valores retroativos referentes ao dissídio coletivo serão realizados na folha de pagamento de dezembro, com vencimento em janeiro de 2021. Reforçamos também que não houve rescisões imotivadas desde que foi celebrado o acordo”.

A entidade informou que foi suspensa a portaria 167/2020 do Grande Recife Consórcio de Transporte, que vedava o acúmulo de funções de motorista e cobrador nos ônibus.

“A medida deixa ainda mais evidente que a greve é injustificada, uma vez que a principal exigência do Sindicato dos Rodoviários é a aplicação da referida portaria”, afirmou a nota.

“Esperamos que o Sindicato dos Rodoviários deixe de penalizar a população e a economia locais, especialmente neste contexto complexo em que nos encontramos, em plena crise sanitária e às vésperas das festividades de final de ano”, acrescentou a entidade.

Problemas
Nas primeiras horas da manhã desta quarta, o Terminal da Joana Bezerra, na área central do Recife, tinha mais movimento de coletivos, segundo os passageiros. Mesmo assim, pessoas aguardavam os ônibus e formavam filas.

No terminal Integrado Afogados, na Zona Sul do Recife, passageiros se aglomeraram para tentar pegar os coletivos que chegaram.

Uma passageira contou que não conseguiu ir ao trabalho na terça (23) e nesta quarta deve chegar atrasada. “Tinha que chegar às 7h30, mas já são 7h10 e já estou aqui”, afirmou.

Outros passageiros relataram situação parecida no Terminal Integrado Pelópidas Silveira, em Paulista. Por lá, cenas de aglomeração na hora de entrar nos ônibus foram registradas. Muitas mulheres também reclamaram que não conseguiram entrar nos coletivos por causa da aglomeração.

Uma passageira que se identificou como Regiane afirmou que diariamente precisa pegar três conduções para chegar ao trabalho.

“O problema não é porque eu pego três ônibus. É muita falta de respeito. Minha viagem até o trabalho dura mais de duas horas. A gente já chega estressado, sem paciência. Empurra-empurra é comum”, afirmou a vendedora.

Em Xambá, em Olinda, muitos passageiros esperavam os ônibus. Passam pelo local 15 linhas. Imagens do Bom dia Pernambuco mostraram filas nas paradas. Os passageiros reclamaram da demora dos coletivos.

Em Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes, também havia filas nos pontos dos terminal. As pessoas informaram que o movimento era menor do que na terça-feira, já que muita gente optou por conseguir carona ou usar transporte por aplicativo.

Metrô
Por causa do movimento, o Metrô do Recife ampliou em uma hora o horário de pico, pela manhã e no final do dia.

Com isso, o sistema de trens passa a oferecer mais viagens de trem até as 9h30. À noite, o aumento do número de viagens vai até as 21h.

Fonte: G1


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