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Por dez horas, risco de novo rompimento faz cidade viver pânico

Sirlei Gonçalves deixou a própria casa neste domingo, 27, por volta das 5h30 da manhã, só com duas bolsas. À espera de notícias sobre o marido, funcionário terceirizado da Vale que sumiu após o desastre na mina de Brumadinho, ela foi orientada a deixar o imóvel por causa do risco de rompimento de uma segunda barragem da mineradora.

Após tocar a sirene de alerta da Vale logo cedo, autoridades foram até a área residencial para levar os moradores às áreas mais altas, como a Igreja Matriz, o quartel da Polícia Militar e o Morro do Querosene. Segundo os bombeiros, um novo acidente poderia afetar até 24 mil moradores, além de comprometer o fornecimento de água e luz. O acesso ao centro e a ponte sobre o Rio Paraopeba foram fechados. Nas ruas, o clima era de pânico e parte das famílias se recusou a deixar as casas.

Em nota, a Vale disse ter acionado o alarme ao “detectar aumento dos níveis” da barragem, com capacidade de armazenar um milhão de m³ de água, ao lado do depósito de rejeitos que se rompeu. A empresa fez bombeamento dessa água para fora da barragem, mas o volume extraído não foi informado.

A ameaça de um novo desastre ainda interrompeu o resgate até as 15 horas, quando o risco foi afastado. “Com o passar do tempo as chances de encontrar (pessoas vivas) diminui”, disse o tenente-coronel Flávio Godinho, da Defesa Civil. Um ônibus foi achado com corpos, mas o número de passageiros no veículo não foi informado. As equipes localizaram outro coletivo, mas era necessário maquinário pesado para o resgate.

Houve protesto contra a Vale na praça do bairro Casa Branca, perto das barragens. Apesar da importância econômica da mineradora, segundo os manifestantes, é preciso interrompê-la. “A gente já vinha alertando. Ninguém quis nos escutar”, disse Larissa Guedes. Também houve um ato em frente ao posto do comando dos Bombeiros.

Animais
A tentativa de salvar uma vaca atolada desde sexta mobilizou dezenas de pessoas, mas não teve final feliz. Após policiais, bombeiros e funcionários da Vale tentarem instalar tapumes no local, um grupo de 20 pessoas se embrenhou na lama. Uma corda chegou a ser usada para içar a vaca. Mas uma hora depois, ela foi sacrificada com uma injeção. O Ministério Público de Minas cobrou neste domingo da Vale, de forma imediata, o resgate dos animais isolados.

Neste domingo, o Instituto Inhotim informou que vai ficar fechado até dia 31, em solidariedade às vítimas. O local não foi atingido pela lama.

Fonte: Msn


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