- Economia

EUA X China: consumidor brasileiro pode pagar a conta

Para o professor especialista em países asiáticos da FEA-USP Gilmar Masiero é um exagero falar em guerra comercial neste momento. “O que temos, ainda, são ameaças, mas creio que Trump não fará algo tão radical porque prejudicará as empresas americanas que estão na China e ele não tem tanta força contra os empresários”.Mesmo que no campo da ameaça, os investidores não gostaram nada e o reflexo veio na queda das bolsas de valores de todo o mundo.

“Até o jornal Finantial Times publicou um artigo sobre isso. Não é uma resposta simples, sem dúvida, mas é preciso observar que uma disputa entre essas as maiores economias mundiais com certeza afetará outros países em um efeito dominó negativo”, avalia Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Para Zanotto, a União Européia é o primeiro mercado a aumentar as taxas. “Com a redução de mercado nos Estados Unidos, o bloco precisa também fechar suas portas para que não aja uma inundação de produtos estrangeiros, o que prejudicaria sua economia”.

As sobretaxas no aço e no alumínio acertaram em cheio setores estratégicos da economia do Japão, Europa e dos países do Nafta — bloco formado por Canadá, México e Estados Unidos. A tensão aumentou após decisão dos Estados Unidos de suspender a isenção da UE e do Nafta à cobrança das tarifas desses produtos. Em resposta, a Europa impôs tarifas a artigos americanos e anunciou impostos de 25% a uma lista que foi submetida à OMC (Organização Mundial do Comércio).

“É claro que todos os blocos vão elevar as tarifas, os produtos ficarão mais caros para o consumidor”, explica o professor da Fundação Getúlio Vargas, Hsia Hua Sheng. “Com a pressão inflacionária, os governos tendem a elevar a taxa de juros, o que na prática aumenta, entre outros, o custo de empréstimos para a indústria e consumidor, por exemplo”.

Qual o impacto para o Brasil?

O Instituto Internacional de Finanças (IFF) alertou que essa tensão entre Estados Unidos e China pode afetar diretamente os países emergentes, como o Brasil. Segundo o IFF, os países terão maior dificuldade para exportar e também aponta uma possível desvalorização das moedas locais frente ao dólar.

“Os investidores tendem a tirar dinheiro aplicado dos países emergentes e investir nos Estados Unidos, onde a taxa é maior, o que eleva o preço do dólar no Brasil, pode aumentar a pressão inflacionária e o preço dos produtos importados”, explica o professor Sheng. “Essa briga prejudica e muito a economia brasileira”.

Com relação a venda de aço, o Brasil deve diminuir entre 7% e 10% o volume a ser exportado. “As restrições atingiram praticamente todos os países, não somente a China”, observa Zanotto. “Tivemos uma pequena melhora da economia brasileira e um pequeno aumento de aço no mercado interno principalmente para a indústria automobilística e para linha branca”.

Para Zanotto no curto prazo o Brasil tem se beneficiado com a venda de soja para a China. “Mas é um produto específico, a longo prazo o desemprego pode aumentar. Essa guerra comercial não interessa a ninguém, todos saem perdendo”.

Fonte: R7


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