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A bola sempre no camisa 10: é preciso falar sobre Alan Patrick na Seleção Brasileira

La pelota siempre al 10″, dizem os argentinos. “A bola sempre no camisa 10.” É uma daquelas máximas que propõem uma verdade indiscutível em um esporte tão pouco exato como o futebol. Mas, neste caso, é difícil encontrar motivos para discordar. Quando a situação em campo precisa de alguma cadência, para atrasar ou acelerar ou definir ou surpreender, é a figura cerebral do camisa 10 que geralmente tem capacidade de ditar o ritmo do time. E por isso, nos jogos do Inter, a bola está sempre em busca de Alan Patrick.

A bola busca Alan Patrick mesmo quando está parada, e assim prova o golaço de falta que começou a derrubar o muro preto e amarelo erguido pelo competente Criciúma no Beira-Rio. Depois de um primeiro tempo enroscado, o camisa 10 teve novamente uma atuação de luxo, conduzindo o Butiá Mecânico do Professor Roger Machado à nona vitória em uma sequência de 13 jogos de invencibilidade. Na temporada, Alan Patrick tem onze gols e sete assistências em 41 jogos. É o artilheiro da equipe.

Mesmo considerando elencos fartos e estrelados como Botafogo, Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG, poucos jogadores no país estão em nível superior ao de Alan Patrick. Com as suas características, certamente não há igual. E impressiona que suas atuações, exceto por alguma eventual lesão ou pela falência geral da equipe, se repetem em alto nível há bastante tempo e nas mais diversas circunstâncias. Se a Seleção for pensada para retratar o momento atual, Alan Patrick merece ser chamado por Dorival Jr.

No terreno do que poderia ter sido, não fossem os traumáticos últimos quinze minutos da semifinal da Libertadores contra o Fluminense, o meio-campo de 33 anos inclusive poderia ter acabado a temporada passada como Rei da América — é a ideia fixa que, um ano depois, ainda rumina algum velho colorado numa mesa do Mercado Público, tomando um café com leite enquanto imagina fumar o mesmo cachimbo que Wason Rentería.

Num cenário hipotético, ilusório e recreativo, não seria absurdo pensar em Alan Patrick vestindo a camisa da Seleção Brasileira, desfilando sua categoria numa Copa do Mundo marcada às pressas, para depois de amanhã. Mas este cenário lúdico não tem espaço no futebol atual. No aspecto físico, Alan Patrick tem suas limitações (até porque joga de smoking, complementa o velho do Mercado Público) e em 2026 ele terá 35 anos.

Não é uma reprovação às condições atléticas de Alan Patrick. Bem pelo contrário: o camisa 10 funciona em um tempo diferente, tem seu próprio calendário. E por isso hoje é encarado (e admirado) quase como uma espécie em extinção. Ele dita o ritmo do time e pratica um futebol à sua imagem e semelhança, onde cada lance é executado como se estivesse sendo transmitido numa tela de cinema. Precisa de uma semana não apenas para recuperar os músculos, mas para recapitular as coisas do campo e da vida.

Se a Copa do Mundo fosse amanhã, Alan Patrick deveria ser titular da Seleção. A Copa do Mundo não é amanhã, mas daqui a dois anos. O camisa 10 legítimo não funciona com este tipo de perspectiva. Em 2026, provavelmente o Brasil será escalado com extremos velozes que aprenderam no West Ham a correr toda a lateral do campo, enquanto Alan Patrick estará no Brasil, levando a bola grudada no pé, percebendo espaços mínimos que ninguém além dele consegue ver.La pelota siempre al 10.” E, depois de mais uma atuação deslumbrante, alguém mais entusiasmado novamente vai levantar a questão: “Não seria justamente este tipo de jogador que falta na Seleção Brasileira?”.

Fonte: Globo Esporte

 


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