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Daniel Alves dobrou poderoso Evaristo para estrear em 2001: “Chama aquele juvenil ousado”

Alex de Souza Santos anda de mesa em mesa. Bate papo, pega cerveja para o cliente, vai até a cozinha e pede capricho na moqueca. Talvez seu ex-colega de time, quando voltar ao Boteco do Mantena, até resolva adaptar o apelido “amigo de todos” – como chama a função do lateral – para a atividade do dono no estabelecimento ao lado do Parque Pituaçu.

O início da trajetória profissional de Daniel Alves passou por lesão muscular de Alex, o Mantena, apelido que ganhou por alegada semelhança física com personagem do desenho “He-Man”. Foi em 10 de novembro de 2001 que o técnico Evaristo foi também médico e vetou Mantena na noite de sábado, na véspera do jogo contra o Paraná, pelo Brasileiro. Daniel saiu da concentração em que morava direto para o Fazendão, dormitório dos profissionais.

Em campo, foi destaque e aplaudido pela torcida, na Fonte Nova, após 3 a 0 em cima do Paraná, pelo Campeonato Brasileiro. Foi a estreia de Daniel Alves, com 18 anos.

– Treinei na sexta e senti uma dor na coxa. No sábado à noite, Evaristo me chamou. Sem médico e sem nada. “Quem vai fazer o teste sou eu”, ele disse. Calcei o tênis, à noite no Fazendão, e dei dois piques. Falei que ia ser complicado jogar. Então, Evaristo disse: “É, vou ter de chamar aquele juvenil ousado”. Foi com essas palavras mesmo. “Chama o juvenil ousado”, que era o Daniel Alves. Depois que ele jogou, nunca mais saiu do time – recorda Mantena.

No restaurante, ele costuma receber amigos do futebol, como Junior Baiano, Oséas, Marcelo Ramos e outros – com quem ainda bate um baba, a pelada na gíria baiana, e faz a resenha nos poucos momentos em que relaxa no trabalho. Mantena parou antes de 30 anos, depois de duas cirurgias no joelho. Na terceira, resolveu parar.

Há oito anos, com economias dos tempos de jogador, comprou terreno e abriu o bar. Fez reforma e ampliou há cinco. Num dia de movimento grande recebeu visita que guarda na memória.

– Um dia uma senhora e um senhor sentaram, pediram moqueca e ela falou para mim: “Não está lembrado de mim, não?”. Falei “não”. Ela disse: “Sou a mãe do Daniel”. Aí batemos uma foto, eles mandaram para ele, que disse que ia vir aqui. E veio mesmo. Isso aqui virou carnaval. Veio ex-massagista do Bahia com o neto, todo mundo. Ele entrou na cozinha, ficou mais de uma hora só tirando foto com todo mundo. Mostrou toda simplicidade – conta Mantena.

Primeiro carro foi Gol. E Daniel já deixou sua marca
O número de títulos de Daniel Alves é tão grande que confunde até o jogador. Há um número pacífico de 39, mas tem gente que lembra que ele participou do Campeonato Baiano e da Copa do Nordeste de 2001. Mas Mantena lembra que Daniel só treinava vez ou outra. Mas não jogava. E muito por causa de Evaristo.

Personagem de incontáveis histórias e causos do futebol, Evaristo “mandava até na cozinha”, lembra o ex-lateral, que era meio-campista na base. E não aceitava pressão para escalar ninguém.

– O coordenador da base era o Bobô e o treinador do sub-20 o Marcelo Chamusca, que hoje é o técnico do CRB e é irmão do Péricles. Ele sempre dizia que o Daniel estava pronto e que merecia uma oportunidade. O Evaristo não gostava disso. Ele era, praticamente, o dono do clube. Quando sugeriam um nome, o Evaristo pegava o reserva só de sacanagem. Por isso, digo que era para o Daniel ter jogado muito antes do que jogou no profissional do Bahia – opina Mantena.

A personalidade já o acompanhava nos primeiros momentos no futebol profissional. Como destaque desde a base, recebeu valorização no Bahia e comprou o primeiro carro. Um Gol, que logo mandou rebaixar para ficar na moda. E foi ganhando espaço no grupo.

– O Preto Casagrande era o cara do Bahia. E era o batedor oficial de faltas. Ele arrumou a bola para cobrar. Daniel, então, veio e cobrou sem falar nada. A bola foi na trave. Preto virou e disse dentro do campo: “Vai virar jogador de seleção brasileira”. Isso foi pela personalidade, Preto aprovou a atitude.

Mas o primeiro título na carreira – a Copa do Nordeste de 2002 – não teve Daniel em campo. O Bahia – e Evaristo – foi de Mantena, titular nas duas partidas das finais. Daniel, que fez um gol na campanha, estava convocado para a seleção brasileira sub-20 e vibrou de longe com a conquista.

Fonte: Globo esporte


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