Amanda Nunes atualmente é considerada a número um do mundo e ostenta dois cinturões do UFC. Neste sábado, ela colocará o título peso-pena em jogo contra Felicia Spencer, em Las Vegas.
Poucos sabem, no entanto, que o início da “Leoa” no MMA foi com o pé esquerdo. Ela foi finalizada por Ana Maria Índia no Prime MMA 2, um evento que aconteceu em Salvador, em 8 de março de 2008.
Empresário do ramo de eventos e shows na capital baiana, Luiz Fernando Menezes foi o responsável por dar a primeira chance para a então jovem aspirante a lutadora, na época com 19 anos.
– Eu e meu sócio, Junior Luzbel, estávamos procurando uma luta feminina para esse evento, pois era no Dia Internacional da Mulher. O professor Luiz Dórea indicou a Ana Maria Índia, que já era conhecida, mas estávamos com dificuldades em achar uma oponente, pois o MMA feminino em 2008 era bem limitado. Até que surgiu o nome da Amanda. Meu amigo Jorginho Shimai disse que tinha uma atleta na Academia Edson Carvalho, que era de Pojuca, no interior da Bahia, e que morava na academia, muito raçuda e treinava com os homens de igual para igual. Fomos conversar com o Sensei Ricardo Carvalho, vimos um pouco do treino da Amanda e ela arrebentou nesse treino. Ela queria mostrar quem ela era e que queria essa oportunidade para estrear no MMA, não importava a adversária. Ela já tinha uma base do judô, jiu-jítsu e caratê.
O duelo entre Amanda Nunes e Ana Maria não era a luta principal do evento, que tinha como uma de suas atrações o veterano do UFC, Edilberto Crocotá, enfrentando a revelação Bruno Carioca, além de outros bons duelos entre atletas locais. Mas, Menezes lembra, a luta feminina roubou o show.
– A luta delas parecia a principal. O hotel onde fizemos o evento estava lotado, mesas cheias, público em pé, imprensa querendo entrevistá-las antes e depois de subir no ringue. Foi uma loucura.
O combate durou apenas 35 segundos. Amanda aplicou um knockdown na adversária, mas acabou finalizada com uma chave de braço logo na sequência. Mas isso não abalou a felicidade da “Leoa” em fazer sua estreia no MMA.
– A gente sabia que a Amanda batia duro, era muito forte. Na hora foi muito rápido. A Ana Maria teve paciência, trabalhou seu jiu-jítsu e finalizou. A Ana venceu a luta, mas parecia que a Amanda tinha vencido, pois impressionou a todos na sua estreia. Ela saiu do octógono feliz, sorridente, agradeceu e cumprimentou a todos com muita simpatia.
– Percebíamos que a Amanda era diferenciada, mas que precisava de mais treinos e mais oportunidades para explorar todo o potencial dela. Ela batalhava por isso, dormia no tatame, foi treinar com o professor Dórea depois da estreia. Nunca ficou numa zona de conforto, sempre batalhou pelo espaço dela. Sempre com o mesmo sorriso no rosto, sem deixar se abater pelas dificuldades, que não foram poucas.
Após dar a primeira chance para Amanda em um evento de MMA, Luiz Fernando acompanhou atentamente a carreira da lutadora, e vibra com tudo que ela conquistou.
– Logo depois, ela ganhou da Vanessa Porto e da Ediane India, ambas por nocaute técnico, e que eram atletas mais experientes do que ela. Naquele momento o MMA nacional ficou pequeno para ela. Então foi morar sozinha nos Estados Unidos, mudou de academia, aprendeu e cresceu com as derrotas dentro e fora do octógono. Ver a Amanda ganhar da Ronda Rousey foi inexplicável, mesmo sabendo que ela tinha tudo pra vencer. Hoje em dia tem dois cinturões do UFC, é a melhor de todos os tempos. Realmente fez história.
O empresário, que saiu do ramo do MMA em 2012 para trabalhar com boxe, atualmente é um dos sócios da Academia Champion, em Salvador, onde tem também um projeto social chamado Campeões da Vida. Foi lá, por sinal, que Robson Conceição, treinou a partir dos 15 anos. Menezes é, atualmente, administrador da carreira do campeão olímpico da Nobre Arte.
Antes de mudar de modalidade, porém, o empresário quase realizou uma luta histórica em seu evento de MMA.
– Em 2010 a gente queria fazer novamente uma luta feminina no dia internacional da mulher no WFE, o evento que passei a produzir em 2008. A gente iria colocar a Amanda Nunes, e estávamos procurando uma adversária para ela. Tivemos a oportunidade de casar essa luta com uma atleta russa que morava no Peru. Era a Valentina Shevchenko. Pena que não deu certo.
O Combate transmite o UFC 250 ao vivo, na íntegra e com exclusividade neste sábado, a partir das 19h45 (de Brasília), com o “Aquecimento Combate”. O SporTV 2 e o Combate.com transmitem o “Aquecimento” e as duas primeiras lutas do card preliminar. O site acompanha todo o evento em Tempo Real.
UFC 250
6 de junho de 2020, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL (0h, horário de Brasília):
Peso-pena: Amanda Nunes x Felicia Spencer
Peso-galo: Raphael Assunção x Cody Garbrandt
Peso-galo: Aljamain Sterling x Cory Sandhagen
Peso-meio-médio: Neil Magny x Anthony Rocco Martin
Peso-galo: Eddie Wineland x Sean O’Malley
CARD PRELIMINAR (20h, horário de Brasília):
Peso-pena: Alex Caceres x Chase Hooper
Peso-médio: Ian Heinisch x Gerald Meerschaert
Peso-galo: Cody Stamann x Brian Kelleher
Peso-médio: Charles Byrd x Maki Pitolo
Peso-mosca: Jussier Formiga x Alex Perez
Peso-meio-pesado: Alonzo Menifield x Devin Clark
Peso-casado (até 68kg): Herbert Burns x Evan Dunham
Fonte: Globo esporte
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