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Opinião: se tem algo que Felipão pode devolver ao Palmeiras é identidade

Penso que o Palmeiras errou ao demitir Roger Machado com menos de sete meses de trabalho. Escrevi sobre isso aqui. Uma das razões é que este time não consegue criar uma identidade, um jeito de jogar que o defina. Aí é que, apesar do erro, a escolha por Luiz Felipe Scolari, amem-no ou não, pode dar certo. Desde que, é claro, não se interrompa o trabalho.

O Corinthians, maior rival palmeirense, criou uma identidade de Mano Menezes a Fábio Carille. Nesse período, com exceção de uma safra ou outra de jogadores, seus times quase sempre tinham defesas pouco expostas, que faziam os adversários sofrer na frente e atrás.

No Palmeiras, o mais perto disso foi a campanha do título brasileiro de 2016, com Cuca. Se ele tivesse continuado no comando no início da temporada seguinte, talvez os frutos fossem mais duradouros. Mas, de lá para cá, Felipão é o quarto treinador diferente, incluindo o interino Alberto Valentim, cuja efetivação se chegou a cogitar.

Trocar de treinador significa trocar preferências, estilo de jogo. Significa que reforços pedidos pelo antecessor provavelmente não atenderão às exigências de quem o sucedeu. As “casquinhas” de cabeça de Deyverson não interessavam a Roger Machado, por exemplo, e o atacante fez com ele uma única partida como titular.

A terceira passagem de Felipão pelo clube tem uma semana, se considerados os dias em que seus auxiliares trabalharam com orientações suas. De fato mesmo, foi apenas um treino e o empate por 0 a 0 com o América-MG, no domingo. Pouquíssimo tempo para avaliar o trabalho, mas já suficiente para começar a entender o que esperar. Ao que parece, será um Palmeiras copeiro.

O empate diante do Bahia, pela Copa do Brasil, foi de certa forma parecido com o de Belo Horizonte. Ainda que não tenha marcado – voltou a desperdiçar uma cobrança de pênalti –, a equipe também não sofreu gol. O time da casa teve uma chance clara e parou em Weverton.

A escalação reserva na capital mineira, a propósito, foi outro sinal de que o desejo maior é pelos torneios de mata-mata. Na quinta-feira, enfrenta o Cerro Porteño, no Paraguai, pela Libertadores.

– Esse grupo precisa de um incentivo. Precisa que a gente coloque algumas coisas para eles, que eles possam pensar sobre como é bonito chegar a uma final de Libertadores. E dá. Pelo que a gente tem, dá – disse o treinador, no domingo.
É possível que Felipão consiga dar uma cara ao Palmeiras, sobretudo se cumprir o contrato de dois anos e meio. Gostar ou não dele, de como jogam suas equipes, é outra coisa, faz parte. Mas tem faltado identidade (qualquer que seja) aos últimos times, também por culpa da diretoria, e no fim das contas o novo-velho comandante, tão campeão pelo clube, pode ser importante para isso.

Fonte: Globo esporte


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