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Para o UFC 228, Darren Till avisa: “Lutar é fácil. Minha guerra é contra a balança”

Darren Till tem apenas 25 anos e uma invencibilidade no Ultimate com cinco vitórias e um empate. Foi esse cenário que o levou à disputa do título dos meio-médios com o campeão Tyron Woodley, num combate marcado para 8 de setembro, no UFC 228, em Dallas. Num papo exclusivo com o Combate em Los Angeles na última semana, o inglês que já morou em Santa Catarina conversou em português com a reportagem e revelou qual é sua principal batalha, e não é dentro do cage.

– Eu vou me matar para bater esse peso. Vou me matar. Eu sempre fui profissional, sempre bati o peso. Bater o peso é a única coisa que eu tenho na cabeça, não é a luta contra o Woodley. Isso é fácil. Eu gosto de lutar. Lutar é fácil. Minha guerra é contra a balança. Vou guerrear com a balança e vou bater esse filho da p*** desse peso.

O tema acima tem sido recorrente em suas últimas entrevistas pelo que aconteceu em maio, quando Till não bateu o peso para a luta com Stephen Thompson, em Liverpool. Ele ficou 1,7kg acima do permitido da divisão até 77,6kg, numa luta que nem valia cinturão e que ainda tinha uma libra de tolerância (0,45g) – que ele não terá em setembro.

O inglês, dono de um cartel com 17 vitórias e um empate, contou ainda sobre a negociação com o UFC para fazer a luta com Woodley, quando todos esperavam que fosse com Colby Covington, campeão interino do peso-meio-médio.

– Quando o UFC me chamou para Las Vegas, no mês passado, eu fui jantar com eles e me disseram que Colby Covington estava machucado e que não queria lutar contra Tyron Woodley na data que deram a ele. Às vezes você chega em um nível na carreira em que você acha que manda nas coisas, mas você não manda. O UFC manda. Eles nem chegaram a negociar com ele. Eu estava lá, e eles me perguntaram: “Till, você quer lutar contra Tyron Woodley?”. Eu disse: “Claro!” E eles me disseram: “Então vamos lá!” Eu sou invicto, tenho 17 vitórias. Vamos lá!

Apesar de passar na frente do americano para ficar com a vaga diante do campeão, Darren Till pretende enfrentar Colby caso se torne campeão. No entanto, garante não estar preocupado com o falastrão.

– O Colby, querendo ou não, é o próximo desafiante após a minha luta contra o Woodley. Com certeza ele vai ter a disputa pelo cinturão de verdade – ele era o campeão interino, né? Não sei, não posso falar porque tem muita política nisso. Não me envolvo com essas coisas. Se acontecesse comigo eu também estaria chateado, mas a vida segue. Não estou pensando nele. Estou pensando em mim, no que eu vou fazer.

Mas Till, com apenas 25 anos, já pensa no futuro e, justamente por conta do corte de peso, aponta na direção do peso-médio. Ele cita inclusive novos nomes na divisão até 84kg como possíveis rivais, como o do brasileiro Paulo Borrachinha.

– Vou subir de categoria, talvez depois da luta contra o Colby Covington. Vou ganhar esse cinturão, fazer uma defesa e subir para o peso-médio. Tem uns monstros lá, né? Paulo Borrachinha é um monstro, Israel Adesanya é outro monstro. Vou subir, com certeza, e vou ser bem-sucedido lá e aonde eu for. Na luta não tem como eu não ser um sucesso. Eu treino muito, trabalho honestamente e a minha cabeça é muito forte. Eu sei que sou muito inteligente. A luta não é quem é mais forte ou quem vai mais para a guerra. A luta é toda na inteligência, e eu sei que tenho isso. Vou ter sucesso para toda categoria para a qual eu for. Eu sei disso 100%.

Mas como não há futuro sem presente, Darren Till sabe que terá uma missão das mais difíceis em Dallas. O inglês elogiou a inteligência de Woodley, além do nível do boxe e do wrestling do campeão.

– Acho que o ponto forte do Woodley é a cabeça dele. Ele é muito inteligente. Ele vai assistir todas as minhas lutas com a equipe dele e vai traçar uma estratégia. Esse é o forte dele. Fisicamente, o boxe e o wrestling são os seus pontos fortes. Ele tem poder de nocaute nas mãos.
Ao mesmo tempo, Till lembra que não será um adversário comum. Apesar de não apontar detalhadamente o que tem de diferente, garante que Woodley não enfrentou alguém como ele.

– Sempre falo que sou um pouco diferente. Ele sempre diz que venceu Carlos Condit, Robbie Lawler, mas eu sou diferente desses caras e de todo mundo. Só estando na minha presença você já percebe, e eu sei disso. Eu tenho alguma coisa diferente dos outros, e é isso que vai fazer a diferença nessa luta.

Mas de onde vem toda essa confiança do inglês? Ele aponta que ela surgiu ainda na infância, e que ao longo dos anos tem alimentado essa crença de que é o melhor no que faz. No próximo mês, ele pode realmente se tornar o melhor.

– São muitos anos treinando, mas essa confiança começou quando eu comecei a treinar, aos 11 anos. Eu sempre acreditei que eu era o melhor, e isso só cresce, todo ano. Mas eu mantenho a humildade, mas com a cabeça de que sou o melhor do mundo. Ninguém pode dizer o contrário.

A confiança, no entanto, às vezes extrapola o limite do bom senso. Na mesma oportunidade em Los Angeles, numa outra conversa com jornalistas, Darren Till quis mostrar que nada o tira do foco, e usou a família num exemplo que talvez não tenha sido o melhor.

– Tenho uma namorada que está grávida de sete meses e, na verdade, nem me importo. Eu tenho uma filha de um ano no Brasil que não vejo há um ano e também não me importo. Eu só me importo com legado e grandeza.

Já na conversa com o Combate, o lutador disse que viria ao Brasil em breve para visitar a filha e treinar na antiga equipe, mas apenas depois da luta pelo cinturão.

– Agora eu não vou para o Brasil, mas depois da luta talvez eu volte para o Brasil para treinar na Astra Fight Team e ver a minha filha. O Brasil é o meu segundo país. Os brasileiros que me conhecem sabem que eu adotei o Brasil. Amo tudo lá.

Fonte: Globo esporte


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