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Tabárez evita descartar Cavani: “São 24 horas de paciência e mais nada”

A participação de Edinson Cavani nas quartas de final da Copa do Mundo, contra a França, parece improvável desde o início da semana. O técnico Óscar Tabárez, no entanto, evitou bater o martelo sobre a presença ou ausência do atacante no confronto desta sexta-feira, às 11h (de Brasília), em Nizhny Novgorod.

Exames realizados no início da semana apontaram um edema na panturrilha esquerda de Cavani. Ele passou os últimos dias sem pisar no campo do CT onde o Uruguai está hospedado, mas nesta quinta, poucas horas antes da entrevista coletiva do treinador, realizou um trabalho leve com bola e reacendeu as esperanças celestes – ainda que tenha condições de apenas ir para o banco de reservas.

– Desde que soube que estava lesionado, Edi foi trabalhar para se recuperar, redobrar esforços e sonhos. E isso é o que está fazendo agora. A lesão foi informada de maneira muito precisa, com dois comunicados. Parece que o primeiro não foi suficiente, muitos foram consultar outros profissionais e começaram os rumores. A informação de Cavani já foi dada, eu não entrarei nesse joguinho, é um conceito de jornalismo que não compartilho. Em 24 horas saberemos quem vai estar no time titular e reserva e nenhuma ansiedade desbocada me fará mudar essa decisão.

– Nós queremos jogar o jogo e queremos ganhar de quem competimos. Não queremos dar o mínimo espaço a coisas que nada têm a ver. Vocês não vão ter toda a informação, como eu tampouco tenho, não sei quem vai substituir o francês (Matuidi) que está suspenso. São 24 horas de paciência e mais nada – completou.

Na quarta-feira, o diário “Ovación” afirmou que o centroavante estava fora da partida contra a França. Com um edema na panturrilha esquerda, lesão que o fez ser substituído durante a partida contra Portugal, Cavani tinha a esperança de se recuperar a tempo de entrar em campo. No entanto, a recuperação parece não ter sido suficiente para o colocar entre os titulares.

Veja outros tópicos da entrevista de Tabárez:

Comparação Portugal x França

É difícil. Não são equipes iguais. Tem características de grandes jogadores. A França é uma equipe poderosa e com vínculos com nosso povo, de respeito. O primeiro idioma que aprendi depois do espanhol foi o francês. O primeiro grande triunfo internacional do Uruguai foi na França. O primeiro gol no Mundial de 30, foi de um francês, que tem uma estátua em Montevidéu. Há vínculos culturais, evidentemente. Dos grandes times de elite é o que mais quis jogar conosco, e isso é um sinal de respeito. A França sempre disse “sim”. Reconhecemos isso, a França tem uma organização com muito bons profissionais. Quando trabalhei no Mundial de 1998, conheci o centro de formação de onde saíram Henry, Anelka… Visitamos Clairefontaine, e muitas coisas que vivemos tem muito a ver com a França. Seremos rivais amanhã, mas nunca inimigos.

Qual é o segredo do sucesso do Uruguai?

Uma Copa dá muita visibilidade. Às vezes, parece que uma única causa é a responsável por muitas coisas que acontecem. Tudo começa com trabalhos coletivos, com identificação da característica de cada país, vantagens e desvantagens. Fizemos algo para recuperar algo que se rompeu em determinado momento do século XX. Conseguimos. Acho que muito pela paixão e história que este país tem. O trabalho com os juvenis é muito importante. Mas cada país tem sua realidade. Não sei se seu país tem essa cultura do futebol infantil como no Uruguai. A atividade que mais une pessoas no meu país é essa. São 300 mil pessoas que vão aos fins de semanas ver seus garotos. Não sei se isso existe me outros países, essa é a paixão pelo futebol, essa é a força do Uruguai. Se sumisse o futebol infantil do Uruguai, não seríamos o mesmo. Federico Valverde tinha 9 anos quando Uruguai jogou na África – e agora treinou com os jogadores. Isso tem que ser uma meta porque é o mais importante. Talvez a vida seja isso: deixar ensinamentos e criar elos. Estamos convencidos que é assim e todos os grandes projetos partem das dificuldades, das derrotas, das decisões, mas é preciso saber o que se quer e fazer algo diferente. Isso é um orgulho e uma força para seguir trabalhando.

Cavani voltou a treinar no campo nesta quinta-feira (Foto: REUTERS/Carlos Barria) Cavani voltou a treinar no campo nesta quinta-feira (Foto: REUTERS/Carlos Barria)
Cavani voltou a treinar no campo nesta quinta-feira (Foto: REUTERS/Carlos Barria)
Copa na Rússia lembra África do Sul?

Não fui o único, mas um dos primeiros a defender a África do Sul como organização. Tinha muito preconceito. Foi a primeira vez que fizeram um Mundial na África e funcionou em todos os aspectos, desde a segurança até os estádios. Pessoalmente, o que vivi até agora foi o melhor. É uma opinião pessoal.

Imagina o Uruguai campeão?

Temos consciência do que somos. O país que somos, a população, densidade demográfica, mas estamos lutando. Aconteceu na África do Sul e em 1950. Uma canção popular uruguaia diz “nunca favoritos, sempre pelas beiradas”. Temos limitações, mas vamos tentar. A história deste jogo pode ter algo a ver com uma presunção prévia que se faça. Mas importam os jogadores em campo, as decisões, um monte de jogadas que podem ser determinantes. Temos uma grande esperança de passar desta partida. Se acontecer, depois vamos descansar, preparar e mudar o foco para a seguinte. Pensar nessa possibilidade (ser campeão) tem que permanecer como algo de intimidade. Temos que nos concentrar para conhecer nossas fortalezas e dos rivais. Só assim pode ser. Não pensamos nas três partidas que faltam, mas no rival poderoso que vamos enfrentar. Uma França com muitos valores, jogadores que disputaram a final do Mundial sub-20 com o Uruguai em 2013. Não é fácil, mas não consideramos impossível. Temos uma margem de possibilidade e buscaremos isso.

Elogios de Deschamps

Todos no futebol nos conhecemos. E me parece um ato de grandeza destacar a virtude dos contemporâneos. Me lembro do Deschamps na Juventus quando dirigi o Milan, foi um grande meio-campista. Depois, começou sua carreira de treinador, nos enfrentamos algumas vezes e temos agora a oportunidade de viver um jogo importante. Ele utiliza bem as características dos jogadores que tem, isso é um sinal de inteligência. Tem jogadores velozes, criativos como o Griezmann e enfrentaremos uma equipe muito importante. Tem um atacante grande e jogadas para explorar isso. A França é uma força do Mundial e trataremos que conter seus pontos fortes e ser forte defensivamente.

Árbitro argentino (Néstor Pitana)

A respeito do arbítrio, não sei. Nunca me perguntaram sobre árbitro nas partidas anteriores e agora só porque é argentino. É uma coincidência. Nunca ganhamos uma partida com esse árbitro. Não vou entrar em joguinhos. Não importa a nacionalidade, é um árbitro bom e experiente.

Jogo de intensidade

Sobre a partida, nós nunca fomos golpeados no peito e temos orgulho da nossa força defensiva. O que acontece no campo passa por quatro conceitos: como se ataca, se defende, passa da defesa para o ataque e como recupera a bola. Somos equilibrados, mas tratamos de melhorar depois da primeira partida, apesar dos resultados. Conseguimos contra a Rússia, contra Portugal não tanto, mas eliminamos o campeão da Europa. Vamos ver o que acontece. Há três possibilidades para uma partida. Não sei o que vai acontecer, mas tentaremos e se conseguirmos será maravilhoso. Temos esse pensamento positivo e temos que apoiar. É o que se espera de uma equipe que está jogando uma Copa do Mundo.

Seleção como família

Não sei. Há uma renovação com o tempo. Mudamos algumas coisas, desde o capitão, a rotação no posto de líder, em um plantel tem que ter vários. Os jogadores mais jovens também são protagonistas e se sentem assim. Demos uma atenção especial para que se integrem e ajudem a equipe quando necessário. Não me surpreende, mas me encanta como eles se relacionam. Cavani com seus companheiros, como brincam, campeonato de truco… É como uma família. E acredito nessas coisas. São pessoas que não confundem isso com responsabilidade e profissionalismo. Têm muita capacidade de tomar a decisão correta em campo. Essa união é um ponto forte e nenhum rival pode fazer nada contra.

Futuro na seleção

Não quero me desconcentrar de nada que não tenha a ver com essa partida. Essa é a resposta.

Fonte: Globo Esporte


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