Rebeca Andrade já conhece o sabor amargo de uma longa recuperação. Resiliente e com um sorriso no rosto, a ginasta vai voltar ao centro cirúrgico nesta semana, no Rio de Janeiro, para uma reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho direito, lesionado na última sexta-feira em treinamento de solo durante o Campeonato Brasileiro, na Arena Carioca 3. Aos 20 anos, Rebeca vai passar pela terceira cirurgia no mesmo local ao quatro anos. Mas demonstra força e consegue falar em “sorte” ao citar mais uma lesão.
– Eu acredito que tive sorte. Sempre tive meus objetivos. Dois deles não vou alcançar agora, que é o Pan-Americano e o Mundial, mas vou treinar bastante para alcançar os próximos, que é principalmente Tóquio 2020. E sim, acho que tive sorte. Estava treinando muito com as meninas o Pan, queria muito ir, mas o importante é que estou bem. E vou voltar bem. Não vai dar tempo de esquecer nada da ginástica (risos) – disse Rebeca.
A lógica de Rebeca é simples. O Mundial de outubro classifica para a Olimpíada de Tóquio. São quatro vagas por país, mais uma reserva. E a classificação vai para o time e não é individual. Ou seja. Caso o Brasil fique entre as nove melhores equipes e se classifique, Rebeca poderia ser convocada no ano que vem pela comissão técnica mesmo não competindo no Mundial.
“Não vai dar tempo de esquecer nada da ginástica (risos). Assim que acabar a cirurgia no outro dia eu estou aqui no ginásio, já estou com as meninas e na fisioterapia. Vou enfrentar e voltar rápido”
Médico do Time Brasil, Rodrigo Sasson detalhou a lesão de Rebeca. Ela rompeu o enxerto que havia sido colocado na última cirurgia, em 2017, durante treino de pódio no Mundial do Canadá. Antes, ela já havia operado a área em 2015, quando se lesionou em treino para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá.
– Ela teve uma entorse no solo, na sexta-feira. Confirmamos na ressonância. Vimos a necessidade da cirurgia. Será ainda essa semana. No dia seguinte ela já vai para dentro do ginásio para reabilitação mais precoce possível. Ela já teve uma lesão no cruzado anterior e fez um enxerto com um tendão. E ela rompeu. É uma reconstrução. Pegar outro tipo de tendão e técnica cirúrgica para deixar o joelho dela estável e forte para ela voltar 100% – explicou o médico.
A lesão tira Rebeca do Pan de Lima, no Peru, em menos de 50 dias, e também do Mundial de Stuttgart, na Alemanha, em outubro. A ginasta vivia grande fase. Em março, na Alemanha, somou 56,932 pontos nos quatro aparelhos. O resultado daria a ela a prata no Mundial do ano passado no individual geral, atrás apenas de Simone Biles.
Sem Rebeca, o Brasil precisa ficar entre as nove melhores seleções no Mundial para garantir um lugar em Tóquio 2020. No ano passado, com Rebeca ainda voltando ao 100%, o Brasil foi sétimo colocado no Mundial. A ginasta confia muito nas companheiras. Chegar bem na Olimpíada, por sinal, é uma fixação da jovem. Tanto que na semana seguinte ao procedimento cirúrgico ela promete estar no ginásio, com treino e fisioterapia.
– Triste todo mundo fica, mas estou bem tranquila. Sei que estava bem, forte, magra, tendo bons resultados. Então, são coisas que acontecem no esporte, você precisa estar preparado para isso. Alto rendimento tudo pode acontecer. Estou confiante para voltar a competir, ajudar minha equipe. Confio muito nas meninas e o apoio delas será essencial para mim.
Para Sasson, é difícil estabelecer um prazo para o retorno completo, mas oito meses é um prazo seguro para lesões como a de Rebeca.
– É difícil precisar. Cada atleta e organismo responde de uma forma diferente. No primeiro mês ela vai treinar se impacto. Com impacto, aos seis meses. A previsão de oito meses é real. Outros atletas voltaram nesse prazo, alguns antes, alguns depois, então oito meses é uma previsão segura para o retorno dela às competições – finalizou Sasson.
Fonte: Globo esporte
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