- Política

“Dilma e Temer são angu do mesmo caroço”, diz Marina no Jornal Nacional

A candidata Marina Silva (Rede) foi sabatinada hoje (30), durante o Jornal Nacional. Os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos a entrevistaram durante 27 minutos, dando fim à série de de quatro entrevistas com os presidenciáveis mais bem posicionados nas pesquisas. Antes, Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PSL) e Geraldo Alckmin (PSDB) passaram pela bancada do telejornal. Lula, por estar preso, não entrou no rol de entrevistas.

Com Renata Vasconcellos em participação bem mais discreta que nos últimos dias, o embate da noite foi entre Marina e Bonner. Os apresentadores questionaram Marina sobre a viabilidade de seu provável governo, pondo em questão a sua capacidade de liderança e governabilidade.

Renata também lembrou que Marina, para assuntos polêmicas, raramente apresenta propostas concretas e sempre fiz que “é preciso debater”. Marina recusou tal impressão, dizendo que tem propostas claras.

Ficou a impressão de que os apresentadores da Globo não conseguiram perguntar tudo o que pretendiam à candidata. Uma única pergunta se estendia em longas explicações de Marina. Bonner e Renata conseguiam interrompê-la com dificuldade, diferente do que conseguiam fazer com outros candidatos da semana, como Ciro e Bolsonaro.

Para eles, deu tempo de questionar a força da Rede, a liderança de Marina e, também, seus antigos e polêmicos aliados, como o falecido Eduardo Campos e Aécio Neves – ambos envolvidos em investigações por corrupção. A pauta da sustentabilidade, principal bandeira de Marina, só apareceu ao final da entrevista.

Marina ainda estourou em vinte segundos o tempo de 27 minutos, antes de fazer a sua declaração final de um minuto.

Liderança na Rede
Bonner questionou Marina que sete integrantes deixaram a Rede um ano após a sua criação. E que ela falhara em criar o partido dentro do prazo para concorrer com ele nas eleições presidenciais de 2014. Entre as críticas, de que o partido não tinha posicionamento para os grandes problemas do Brasil. Bonner lembrou também que sua bancada caiu pela metade, passando de quatro para dois parlamentares. “Como a senhora pretende convencer os brasileiros de que tem as qualidades de uma líder?”, Bonner questionou.

“É um processo natural sair do partido, é a democracia”, respondeu Marina. Quando Bonner lembrou que o partido votou com discrepância durante o impeachment da presidente Dilma Rousseff e que isso poderia mostrar aos brasileiros a falta de liderança dentro da Rede, Marina respondeu: “São visões de mundo. Um grupo achava que não deveria votar pelo impeachment, eu achava que ele era legal. Ser líder não é ser o dono do partido. Ele precisa ser capaz de dialogar. Houve um diálogo antes da votação do impeachment. Esse conceito de que o partido tem um dono, que regimenta, é uma visão inadequada de política”.

Depois, Marina ainda disse: “Dilma e Temer são farinha do mesmo saco, são angu do mesmo caroço. A gente defendia a cassação da chapa deles”. Também alfinetou os partidos da esquerda tradicional, por onde ela já andou no passado: “Neles, quem sai vira inimigo. Na Rede, não”, disse.

Questionada sobre como ela poderia liderar o País sem representação em Brasília, sem uma base, Marina lembrou de Itamar Franco, dizendo que ele fora um presidente que começou sem base alguma e conseguiu unir diferentes partidos durante o mandato. “Vou ser um governo de transição. Nesses quatros anos, farei uma transição para o Brasil voltar a crescer e combater a corrupção”.

Em cima do muro
Na vez de Renata Vasconcellos, a jornalista lembrou que os críticos de Marina diziam que ela não nunca tinha postura clara diante de temas importantes, como a reforma da previdência. Renata disse que ela sempre falava que precisava debater, repetidamente, mas que não dizia sua proposta concreta. “Como candidata à presidência, por que não assumir postura e posições?”, questionou Renata.

“Mas se tem alguém que defende a reforma da previdência, sou eu. Sou a favor dela. A gente se acostuma com pacotes, então quando alguém fala que vai debater, acham estranho. Um problema tão complexo não pode ser feito a toque de caixa”.

Bonner: “Mas em oito anos não deu para amadurecer as ideias?”

Marina: “Mas nós amadurecemos”.

Quando Marina disse, novamente, que é preciso debater, Renata não perdeu a oportunidade: “Novamente aí, debater debater debater”. Bonner, então, sugeriu que era melhor mudar de assunto, caso contrário não daria tempo de passar por outros assuntos. “Vamos deixar de abordar temas importantes para seus eleitores”, disse.

Antigos aliados
Bonner lembrou de antigos aliados polêmicos de Marina. Um, Aécio Neves, hoje senador afastado e investigado por corrupção. Ele lembrou que ela o apoiou em 2014, no segundo turno. Outro a vir à tona foi Eduardo Campos, morto em 2014 em um acidente de avião, antes do primeiro turno. Marina, que era vice, virou a candidata oficial do PSB após a morte de Campos. Bonner lembrou que ele também está sendo investigado. “O que você diria para seus eleitores que, naquela ocasião, votaram em Aécio no segundo turno por sua causa?”, perguntou Bonner.

“Pelas informações de hoje da Lava Jato, não teria apoiado ele”. Bonner lembrou que a polêmica do Aeroporto de Cláudio já existia, antes dela declarar o apoio.

Sobre Campos, Marina lembrou que ele não estava aqui mais para se defender e, caso seja considerado culpado, também não poderá cumprir pena. Ao se defender de qualquer dúvida sobre ela estar envolvida com casos de corrupção, disse: “O que atesta meu compromisso são meus mais de 30 anos de vida pública. E zero envolvimentos com escândalos de corrupção”.

Fonte: Msn


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