- Política

Katia Abreu, do ruralismo ao trabalhismo

Escolhida para ser vice do candidato a presidente Ciro Gomes (PDT), a senadora Katia Abreu, também do PDT, não vê problema em mudar de um lado ao outro no vasto espectro ideológico político brasileiro, que tem 35 partidos.

Hoje vice numa chapa de um partido com ideologias trabalhistas, Katia já defendeu bandeiras a favor dos patrões do agronegócio, incluindo demandas do setor que, na avaliação dos próprios trabalhadores, retiravam seus direitos.

Como presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), ela foi contra a divulgação da “lista suja” dos empregadores que foram apanhados pela fiscalização do Ministério do Trabalho sujeitando trabalhadores à condição análoga à da escravidão.

Antes de filiar-se ao PDT, de Ciro, passou pelo PP, de Paulo Maluf; DEM, de Antonio Carlos Magalhães; e PSD, de Gilberto Kassab, todas legendas à direita do espectro político; e pelo MDB, de Michel Temer, tradicionalmente centrista.

Como peemedebista e base de apoio do governo Dilma Rousseff, Katia se aproximou do PT, e fez um salto da defesa do ruralismo para o apoio à então presidente durante o processo de impeachment, o que a transformou em dissidente no próprio partido e ferrenha crítica da postura da legenda (o blog noticiou ainda no fim de 2016 que ela seria expulsa).

Ao colocar Katia como sua vice, Ciro faz um agrado ao agronegócio, mas, na avaliação de pedetistas, não perde tanta densidade ideológica porque a senadora ganhou espaço e respeito na esquerda ao ser uma das principais responsáveis pela articulação que manteve os direitos políticos de Dilma.

Adversários políticos, contudo, afirmam que, mesmo acenando ao eleitorado feminino, a “confusão” da chapa pode ser explorada na campanha: Ciro quer identificar sua campanha como de um político de esquerda, mas terá como companheira de chapa, uma pessoa que durante anos sustentou bandeiras da direita.

No seu primeiro mandato efetivamente eleita para a Câmara dos Deputados, ela já mostrava que gostava de transitar no Congresso de um lado e outro das linhas ideológicas, como escrevi em reportagem para a revista Época em junho de 2006.

Fonte: G1


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