Nova promessa da WNBA, a americana de 22 anos Satou Sabally se transformou numa das vozes ativas da liga feminina de basquete na luta contra o racismo desde o episódio de George Floyd. Filha de mãe alemã e pai gambiano, a jogadora em entrevista à BBC revelou ter sofrido racismo na infância e a dificuldade de se “encaixar” quando visitava os países dos pais.
– É engraçado que quando estou na Alemanha eu sou a garota negra, então quando vou para a Gâmbia eu sou a garota branca. Onde quer que eu esteja, não me sinto 100% nada. Como uma criança mestiça, era realmente como se você estivesse vivendo uma vida dupla – há tantos conflitos internos sobre quem você realmente é – disse Satou à BBC.
Sabally relembrou dois incidentes de sua infância que a impactaram profundamente. Em uma delas, estava em um zoológico alemão quando foi questionada se havia “escapado da jaula dos macacos”. Em outra ocasião, seu pai foi solicitado a fornecer identidade pela polícia que só saiu de casa depois que sua mãe voltou e confirmou que ele morava lá.
– Há apenas uma semana, meu amigo postou no Instagram sobre ser perseguido em Berlim por cinco caras brancos. Ele é um dos caras mais doces. Ele não deveria temer por sua vida só porque ele é negro – diz ela.
Indicada como uma das futuras estrelas da WNBA, Sabally foi selecionada como a segunda escolha geral pelos Dallas Wings no draft deste ano. A pequena atacante de 1,83m tem uma média de 11 pontos e sete rebotes por jogo. A atuação de destaque, no entanto, é fora das quadras. A jogadora tem sido atuante na luta contra o racismo.
Nas redes sociais tem feito campanha para investigar a morte da americana Breonna Taylor, morta em seu próprio apartamento por policiais, que seguem soltos. A jogadora reconhece que, como atleta, tem “certos privilégios” e quer “usar minha plataforma para o bem”.
– Demorei um pouco, mas agora percebi que posso ser muitas coisas diferentes. Ninguém deveria ter que mudar por ninguém ou viver de acordo com o que eles esperam, você apenas tem que ser fiel a quem você realmente é – contou em entrevista.
A nova promessa da WNBA reconhe a mudança da liga em apoio ao movimento das jogadoras contra o racismo.
– Quatro anos atrás, a WNBA estava discutindo se as jogadoras seriam multadas por usar mensagens em suas camisetas sobre como se sentiam. Este ano a liga tem sido proativa conosco, usando nomes de negros que morreram ou mensagens que queremos compartilhar. Parece um movimento e um momento. Sinto que este é o ponto de inflexão – concluiu Satou.
Fonte: Globo esporte
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