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Expectativa x realidade: afinal, Ganso ainda pode ser útil para o Fluminense? De que modo?

Uma das contratações mais celebradas pela torcida do Fluminense nos últimos anos, Paulo Henrique Ganso chegou ao clube em fevereiro de 2019 com status de candidato a ídolo. Um ano e meio depois, o camisa 10 vive fase difícil e tem sido alvo de críticas por parte da torcida. Depois de um começo promissor no clube, o meia atualmente é reserva com o técnico Odair Hellmann.

Em um ano em que precisou fazer uma pré-temporada mais longa e teve pequenas lesões, Ganso voltou a ter mais chances recentemente. No entanto, ainda não conseguiu engrenar. Na última quarta-feira, entrou no 2º tempo da partida contra o Bragantino, mas não teve boa atuação na derrota por 2 a 1. Neste ano são 14 jogos, um como titular (314 minutos em campo), e nenhum gol ou assistência.

Antes de qualquer cobrança, é preciso separar as expectativas da realidade. Ganso surgiu como fenômeno em dupla com Neymar no Santos no fim da década passada. Aliás, talvez o início de carreira tão avassalador faça com que as cobranças em cima dele por parte de imprensa e torcida sejam tão grandes – e às vezes até pesadas. Uma espécie de sentimento de “frustração” pelo jogador não ter se tornado aquilo que desejavam.

O torcedor tricolor sabe, porém, que não se pode esperar do Ganso de 2020 aquele mesmo que explodiu no Santos. Mais do que os 30 anos de idade, as três cirurgias nos joelhos cobram seu peso. E testes de performance física no Flu mostram isso. Por outro lado, pessoas ligadas ao clube garantem que não falta dedicação – Ganso segue à risca a programação de treinos estipulada pelo departamento de futebol. Além disso, seu estilo de jogo é difícil de adequar às exigências de intensidade do futebol moderno.

Mesmo assim, sua presença sempre gera expectativa. E seu alto salário (cerca de R$ 400 mil mensais) e o longo tempo de contrato com o Flu (assinou até fim de 2023 como forma de diluir o alto salário que recebia na Europa para se adequar à realidade do clube) contribuem para a cobrança por um retorno técnico. Mas, afinal, Ganso ainda pode ser útil ao Tricolor? E de que modo?

A qualidade no passe e a visão de jogo ainda estão lá. E seu começo pelo Tricolor no ano passado foi promissor. Marcou dois gols em seus primeiros sete jogos, com direito a um de barriga como o primeiro, sobre o Ypiranga, e um em clássico, contra o Botafogo.

O melhor momento foi com o então técnico do time, Fernando Diniz, um dos principais entusiastas de sua contratação. O camisa 10 era peça-chave no esquema montado pelo treinador. Chegou, inclusive, a ser líder de passes rasteiros para finalizações, sua especialidade, no Brasileiro. Mas os companheiros de ataque, não conseguiam converter as chances em gol e ele terminou o campeonato com apenas uma assistência.

Top 5 passes rasteiros para finalização no Brasileirão 2019:
1º Everton Ribeiro (Flamengo) – 51 passes rasteiros
2º Rony (Athletico-PR) – 43
– Cazares (Atlético-MG) – 43
– Dudu (Palmeiras) – 43
5º Ganso (Fluminense) – 41
* Levando em conta todos os passes para finalização (rasteiros e aéreos), Ganso terminou em 18º, com 46 no total, empatado com Nenê em segundo no Fluminense, atrás apenas de Caio Henrique, com 54.

Com a chegada de Oswaldo de Oliveira, o estilo de jogo do time mudou. Substituído com frequência, o meia entrou em rota de colisão com treinador e chegou até a bater boca publicamente com o técnico. Com Marcão, por sua vez, Ganso voltou a ganhar espaço. Não chegou a ter exibições de destaque, mas, mesmo assim – e apesar da lesão na reta final do Brasileiro-, fechou a temporada com status de titular.

disA fase difícil se iniciou este ano. Odair tinha planos para começar a temporada com Ganso como titular. Porém, o meia se reapresentou com um desequilíbrio muscular e precisou fazer uma pré-temporada mais longa que os companheiros. Isso abriu espaço para Nenê, que agarrou a oportunidade com unhas e dentes. Decisivo e em fase artilheira, o veterano foi o melhor jogador do time antes da parada das competições e virou titular absoluto da posição.

Reserva, Ganso passou a entrar em alguns jogos no segundo tempo. E não tem conseguido destaque. Problemas físicos também atrapalharam. No início de março, quando, enfim, teria a oportunidade de ser titular diante do Madureira (Nenê foi poupado), o camisa 10 sentiu o joelho e desfalcou o time. No retorno das competições, com Nenê com Covid-19, teve a chance de começar jogando. Porém, não foi bem contra o Volta Redonda, pela Taça Rio. Na sequência, com lombalgia, ficou fora dos Fla-Flus finais do Carioca.

Fonte: Globo esporte


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