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Mulher interrompida por ‘Guardiões do Crivella’ ainda aguarda início do tratamento da mãe contra o câncer

Diariamente, Vânia Novaes vai ao Hospital Rocha Faria, na Zona Oeste do Rio, visitar a mãe. Maria José, de 81 anos, diagnosticada com um câncer no pâncreas, está internada desde o dia 10 de agosto e até a manhã desta quarta (2) não havia iniciado o tratamento contra a doença. Vânia foi uma das pessoas interrompidas pelos “Guardiões do Crivella”, quando era entrevistada pela equipe do Bom Dia Rio, no dia 20 do mês passado, enquanto pedia transferência para a mãe.Os homens que interromperam o pedido de Vânia fazem parte de um esquema montado com funcionários comissionados para fazer plantão na porta dos hospitais municipais do Rio, atrapalhar reportagens e impedir que a população fale e denuncie problemas na área da Saúde.

Em um grupo de Whatsapp, eles se intitulam “Guardiões do Crivella”.

Vânia ligou para a produção da TV Globo em busca de ajuda. Segundo ela, Maria José tem um tumor de cerca de cinco centímetros e não havia previsão de transferência para início do tratamento oncológico.

A filha da paciente conta que ficou apreensiva com a confusão, mas não assustada. Ela contou que, por estar diariamente no hospital, já viu os mesmos homens perto de outras equipes de reportagem.

Busca por tratamento melhor
A almejada transferência para o começo do tratamento contra o câncer está marcada só para o dia 30 de setembro, em uma previsão dada por uma médica. Mas Vânia viu em um documento do hospital que a mudança da mãe poderia acontecer só em outubro.

“Eu quero que os dias passem rápido para ela ir logo para ver se tem um tratamento melhor para ela. Uma esperança, alguma coisa”, contou.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que a consulta oncológica, marcada via Sistema Estadual de Regulação, foi agendada para o dia 30 de outubro. Ela segue internada, recebendo atendimento e com quadro de saúde regular.

Falta de atenção
Vânia descreve o tratamento dado pelas enfermeiras como cuidadoso e carinhoso, mas reclama da falta de atenção dos médicos.

“Eles falam: ‘Peraí que já vou falar com você’ e somem”, disse Vânia.

Ela relata que só pediu a ajuda da equipe de reportagem porque a mãe estava sem atendimento há dois dias, em uma maca, na sala onde os pacientes tomam injeções.

Luta por ajuda
A cruzada de Vânia em busca de atendimento para a mãe começou no início de agosto, na Clínica da Família no Campo do Periquito, em Realengo. De lá, ela foi encaminhada para o Rocha Faria, onde Maria José toma medicamentos paliativos desde então, enquanto aguarda uma transferência para o início do tratamento contra o câncer de pâncreas.

Para cuidar melhor da mãe, ela pediu demissão do emprego em que trabalhava com entregas em um restaurante. A rotina passou a ser de casa para o hospital onde a mãe está internada. Vânia sofre também com a insônia

“A minha vida virou completamente. Eu tive que pedir as contas em plena pandemia. A minha mãe não recebe alto assim”, contou a filha da paciente.

Maria José requer atenção redobrada por ser portadora de Alzheimer. Alguns momentos ela diz que está bem e em outros reclama de dores.

Fonte: G1


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