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1,5 mil famílias vivem sob risco em SP embaixo de pontes e viadutos

Cerca de 1.500 famílias vivem embaixo de viadutos e pontes na cidade de São Paulo, segundo levantamento da Prefeitura da capital paulista. Muitos moradores estão nessas ocupações irregulares há mais de 10 anos. Eles sofrem diariamente com problemas como insalubridade, violência, e, principalmente, os incêndios, como o da última quinta-feira (12) que atingiu a comunidade que vivia embaixo do viaduto Alcântara Machado, na Mooca, na Zona Leste de São Paulo.É o caso de Jaqueline Rodrigues, de 33 anos. Ela morou por mais de um ano na ocupação do viaduto Alcântara Machado.A irmã de Jaqueline, Thais Martins, de 27 anos, ainda mora embaixo do viaduto, “Só aqui embaixo da ponte eu moro faz 7 anos. Mora eu, meu marido e meus três cachorros”, disse ela. Taís perdeu tudo no incêndio que atingiu o viaduto Alcântara Machado. Ela estava em casa quando as chamas começaram. “Quando eu voltei, o meu barraco já estava pegando fogo, só deu tempo de recolher os meus cachorros e correr”, relembra ela.

O incêndio começou por volta das 19h da última quinta-feira (12) e foi extinto horas depois. De acordo com a prefeitura de São Paulo, 65 pessoas viviam no local, e apenas uma aceitou ir para um abrigo depois do ocorrido. A Polícia Civil investiga as causas do incêndio, que foi o terceiro caso em viadutos ou pontes da capital. Em março, o fogo atingiu o Viaduto Bresser, na Zona Leste. Em junho, foi a vez da Ponte do Jaguaré, na Zona Oeste.

Porém, este problema já ocorre há anos, a Dona Lúcia tem 51 anos e vive há mais de 10 anos embaixo do viaduto Pacheco Chaves, na Vila Prudente. Em 2012, a comunidade Estação Ipiranga, que fica ao lado do viaduto, foi atingida por um incêndio, ela conta que perdeu tudo. Atualmente, ela mora de aluguel em outra casa que fica embaixo da mesma via.Outro morador, Severino de Carvalho, mora no local há 30 anos e desde então constrói sua casa. Ele reclama sobre as condições de insalubridade que encontra no viaduto.

Logo que chegou no viaduto Pacheco Chaves a casa do seu Severino era de madeira, com o passar dos anos ele foi construiu sua casa e, hoje, mora em um sobrado de alvenaria. “Quando eu cheguei aqui era só mato, aí foram limpando o terreno para construir os barracos de madeira. Aí uma pessoa foi chegando, depois outra…”, conta ele.

A Lidiane Gomes de Moraes, de 32 anos, se mudou para o viaduto General Milton Tavares, na Penha, na Zona Leste de São Paulo, depois que se casou. “Tem 14 anos que eu moro aqui. Quando eu cheguei aqui era tudo de barro, cheio de barraco ali embaixo. A casa da minha sogra era toda de madeira”, diz ela.

Lidiane morava com a mãe e quando casou foi para o viaduto. Ela conta que no começo a adaptação foi difícil, mas que agora gosta de tudo lá. “O que eu mais estranhei foram os barracos”, relembra.

A filha de Lidiane, Mayare Moraes, tem 13 anos, e sempre morou embaixo do viaduto. Ela disse que gosta da liberdade do viaduto. “Dá para andar, fazer várias coisas aqui, até jogar bola”, diz ela. “Aqui não é um lugar ruim, mas eu tenho muita vontade de me mudar”, disse Mayare.

De acordo com a Prefeitura de São Paulo a capital paulista possui 39 viadutos e pontes ocupados, deste total, 15 foram incluídos no plano de metas que tem como objetivo desocupar prédios públicos, entroncamentos e vias marginais.

Fonte: G1


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