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Ao menos 7 venezuelanas dão à luz por dia na maternidade de RR; número é quase o dobro de 2018

“Eu vim em busca de uma melhor qualidade de vida para mim e para ela”, disse Daniela Rojas, de 21 anos, três dias depois de ter sua bebê na única maternidade pública de Roraima, em Boa Vista. É onde ao menos sete venezuelanas deram a luz por dia em 2019, quase o dobro do ano passado.

Na fronteira com a Venezuela, o estado registrou entre janeiro e julho deste ano, quase 1,6 mil nascimentos de filhos de venezuelanas, ao passo que teve o maior aumento populacional do Brasil do último ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Na Venezuela não tem trabalho, remédios, comida e nem fraldas”, explica Daniela, que se viu obrigada a cruzar a fronteira do Brasil um mês antes do parto devido à crise econômica, política e social no país vizinho. Por dia, entre 500 e 600 venezuelanos fazem o mesmo caminho. “A viagem foi difícil e muito cansativa para uma grávida”.

É o grupo de pacientes que mais cresce no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, a única maternidade pública de Roraima, que atende pacientes dos 15 municípios do estado. São 31 partos por dia na unidade, dos quais 25% são só de mães vindas do país vizinho.Em 2017, foram 566 nascimentos de filhos de venezuelanas na maternidade, número que saltou para 1.603 em 2018 – o equivalente a 15% dos 10.566 partos totais. Já neste ano, só entre 1º de janeiro e 31 de julho, os partos de venezuelanas totalizaram 1.598.
Aumento populacional
Puxado pela imigração venezuelana, o estado, que recebe desde 2015 uma onda de imigrantes e refugiados do país vizinho, teve um crescimento populacional de 5,1% com data de referência em 1º de julho de 2019.

No ano passado, a população do estado fronteiriço era estimada em 576,5 mil habitantes, e neste ano chegou a 605,7 mil — mais 29,1 mil pessoas. O número inclui os migrantes que chegam, bem como os bebês que nasceram no estado no último ano.A 215 quilômetros da fronteira, Boa Vista também teve o maior crescimento dentre as capitais do país. A população que era de 375 mil habitantes foi para 399 mil – um aumento de 6,35%. Em Pacaraima, na fronteira, o número de habitantes cresceu ainda mais, em 11,7%, saindo de 15 mil para 17 mil.

“Enquanto a média de crescimento populacional nacional foi de apenas 0,79%, aqui o incremento foi mais de seis vezes maior”, explica Fábio Martinez, economista e chefe da divisão de estatística da Secretaria de Planejamento de Roraima (Seplan).Apesar de ter registrado o maior aumento percentual, Roraima continua sendo o estado menos populoso, com 0,3% da população total do Brasil.

De acordo com a ONU, a crise na Venezuela já provocou o êxodo de 4 milhões de pessoas principalmente por meio da Colômbia, que recebeu pelo menos 1,3 milhão de venezuelanos.

O Brasil é a quinta nação a receber o maior número: são 168 mil, o que equivale a 4,2% do total, e boa parte deles se concentra em Roraima, o que sobrecarga a setores como Saúde, Educação e Segurança e causa tensão com a população local.

Estado de saúde de mães e bebês preocupa
Para Adriana Castelli de Abreu, diretora da maternidade, a alta de pacientes vindas do país vizinho preocupa, porque é “imprevisível”.

“A gente sabe a partir de setembro há um aumento natural de partos. Essa é uma característica local, mas nós sabemos e não conseguimos prever isso em relação às mães venezuelanas”, explica. “Há períodos em que chegam muitas mais, em outros, menos”.

Fonte: G1


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