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Complexo do Salgueiro: o que se sabe e o que falta esclarecer no caso dos oito corpos encontrados após operação da PM

Moradores do bairro das Palmeiras, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, retiraram oito corpos de um manguezal vizinho nesta segunda-feira (22).

A Polícia Militar fez uma grande operação na região depois que o sargento Leandro Rumbelsperger da Silva morreu vítima de uma emboscada na manhã de sábado (20).

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá investiga o caso.

Onde fica o Complexo do Salgueiro?
O conjunto de favelas fica em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, e integra sete comunidades:

Fazenda;
Itaoca;
Itaúna;
Luiz Caçador;
Palmeiras;
Recanto das Acácias;
Salgueiro.

O complexo tem a ver com a escola de samba?
Não. A quadra da Acadêmicos do Salgueiro fica no Andaraí, e o Morro do Salgueiro, onde a agremiação se formou, na Tijuca — ambos na Zona Norte do Rio.

Quantas pessoas morreram?
Até a última atualização desta reportagem, nove pessoas — um policial militar e oito homens.

Carlos Eduardo Curado de Almeida, retirado do mangue;
David Wilson Oliveira Antunes, retirado do mangue;
Douglas Vinicius Medeiros da Silva, retirado do mangue;
Élio da Silva Araújo, retirado do mangue;
Ítalo George Barbosa Gouvea Rossi, o Sombra, retirado do mangue;
Jhonatan Klando Pacheco Sodré, retirado do mangue;
Kauã Brenner Gonçalves Miranda, retirado do mangue;
Leandro Rumbelsperger da Silva, sargento do 7º BPM (São Gonçalo), morto em Itaúna numa emboscada;
Rafael Menezes Alves, retirado do mangue;
Um homem sem identificação, retirado do mangue.
Os mortos no mangue eram criminosos?
Segundo a Polícia Civil, David e Kauã não tinham anotações criminais.

Carlos Eduardo: 8 anotações criminais por tráfico de drogas, receptação, ameaça, desacato, falsa identidade e associação para o tráfico.
Élio: uma anotação não especificada.
Ítalo Sombra: 6 anotações por homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas, corrupção ativa e associação ao tráfico.
Rafael Alves: flagrado como envolvido em tráfico de drogas e corrupção de menores.

Não havia informações sobre Douglas e Jhonatan.

O que dizem as famílias?
Moradores do Salgueiro disseram que os oito corpos encontrados no mangue apresentavam sinais de tortura.

Segundo familiares, o corpo de Kauã, que tinha 17 anos, teve um dedo da mão cortado.

“Já sabiam que iriam matar, então por que fazer isso? Por que torturar? Parece que estão matando bicho, matando rato. Meu irmão não fazia mal para ninguém. Fizeram muita maldade com ele. Tem adolescente aí que tiveram os dedos arrancados. Para que fazer isso?”, disse Milena Menezes, irmã de Rafael Menezes Alves, de 28 anos.

Os responsáveis pela investigação negam que existam indícios de que os mortos tenham sido torturados.

A que horas foi o confronto?
Foram 48 horas de conflito no Complexo do Salgueiro.

6h20 de sábado (20): o sargento Rumbelsperger estava chegando para assumir o patrulhamento em Itaúna quando bandidos o atacaram. O PM chegou morto ao hospital.
22h de sábado: moradores do Complexo do Salgueiro relataram intensa troca de tiros. Segundo a PM, era o Bope, em “ação para estabilizar o terreno”.
Fim da manhã de domingo (21): Carmelita Francisca de Oliveira, de 71 anos, foi atingida no braço por uma bala perdida. Ela foi medicada e recebeu alta.
Noite de domingo: a PM informou que uma operação estava em andamento.
7h20 de segunda (22): moradores começam a retirar corpos de um mangue
Como foi o confronto?
Policiais entraram no local logo após a morte do sargento Leandro no sábado (20). Começou, então, uma troca de tiros.

A TV Globo apurou que os bandidos, em número bem maior que oito, estavam em uma área de mata fechada. Em espaço descampado e a cerca de 150 metros, estariam os policiais militares.

Os corpos foram jogados no mangue de forma proposital?
Ainda não foi esclarecido como as oito pessoas foram mortas na região de manguezal. No entanto, já se sabe que a investigação será difícil, uma vez que os corpos foram removidos do local pelos moradores, alterando a cena do confronto.

Por que a PM demorou um dia inteiro para acionar a Polícia Civil?
Ainda não se sabe. A Polícia Civil vai investigar a Polícia Militar por ter demorado um dia para acionar a delegacia da região sobre a operação do Bope – a operação começou na manhã de domingo (21) e investigadores da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) afirmam que a Civil foi acionada apenas na segunda (22).

Segundo a polícia, o chefe dos criminosos do local é Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó. Após passar um período detido na penitenciária federal do Mato Grosso do Sul, após ser beneficiado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, ele foi colocado em liberdade em novembro de 2019.

Rabicó transformou o Salgueiro em uma espécie de nova fronteira do roubo de cargas da Região Metropolitana.

Fonte: G1


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