Temos tanto medo do Alzheimer que qualquer mudança de comportamento de um idoso próximo faz disparar luzes de alerta. Embora toda alteração física, emocional ou mental mereça atenção, há doenças tratáveis cujos sintomas se assemelham a quadros de demência. Uma delas é a infecção do trato urinário, prevalente entre os mais velhos e combatida com antibióticos. Idosos apresentam menos sintomas – como febre, dor ao urinar e urgência em ir ao banheiro – mas podem ocorrer problemas como agitação, dificuldade de concentração, estado de sonolência, alucinações, além de perda de apetite, incontinência recente e até quedas. Medicamentos anticolinérgicos (anti-histamínicos, antidepressivos tricíclicos, remédios para Parkinson, entre outros) também têm o potencial de desencadear efeitos colaterais semelhantes a um quadro demencial. Entretanto, suspender o uso ou alterar sua dose só devem feitos sob supervisão médica.
Foi o que explicou o médico psiquiatra Jerson Laks, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ, quando o entrevistei: “o delirium ocorre em ambiente de rebaixamento da consciência, no qual o indivíduo fica obnubilado. A pessoa se mostra desorientada e apresenta lentidão de resposta a estímulos. O ambiente também influencia, se for pouco iluminado ou levar ao isolamento sensorial. Pode provocar ilusões e alucinações, mas há a possibilidade de o paciente ficar apático, meio grogue. Uma infecção, uma doença crônica ou a utilização de medicamentos com efeito no sistema nervoso central podem causar o delirium. No idoso, um quadro de anemia ou desidratação é capaz de deflagrar o processo, assim como uma infecção urinária ou pulmonar”.
Quedas sempre são preocupantes e pelo menos um em cada quatro indivíduos acima dos 65 anos cai anualmente. Mesmo que o episódio pareça irrelevante, bater com a cabeça pode formar um hematoma subdural – quando acontece um acúmulo de sangue entre o cérebro e seu revestimento externo, que é o crânio. Sintomas: dores de cabeça, náusea e vômitos, confusão mental, fala arrastada. É importante lembrar que um diagnóstico de Alzheimer só é dado depois de uma série de exames, realizados com o objetivo de excluir outras possibilidades. E quando uma pessoa é diagnosticada com algum tipo de demência, isso não quer dizer que a condição não demande acompanhamento médico por ser irreversível: na verdade, o paciente necessita de diversos cuidados para manter a qualidade de vida e sua dignidade.
Fonte: G1
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