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Letalidade policial cresce 10% durante a pandemia na cidade de SP; crimes e prisões registram queda

A letalidade da Polícia Militar na capital paulista cresceu 10% durante o segundo trimestre deste ano na cidade de São Paulo (de 109 para 120 pessoas mortas) enquanto os crimes contra o patrimônio e a quantidade de prisões caíram de forma expressiva. É o que aponta levantamento feito pela GloboNews com base em dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública.

Pessoas mortas pela PM na capital paulista

2º tri. 2019 – 109
2º tri. 2020 – 120
Variação – Aumento de 10%
Crimes contra o patrimônio na capital paulista

2º tri. 2019 – 126.337
2º tri. 2020 – 88.537
Variação – Queda de 30%
Pessoas presas em flagrante na capital paulista

2º tri. 2019 – 9.043
2º tri. 2020 – 6.462
Variação – Queda de 29%
Entre abril e junho deste ano, a capital paulista registrou 88.537 crimes contra o patrimônio, o que equivale a uma queda de 30% na comparação com os 126.337 delitos dessa natureza contabilizados no mesmo período de 2019. A estatística inclui todas as modalidades de roubo, de furto e de receptação, por exemplo.

No mesmo comparativo, o número de pessoas presas em flagrante na capital paulista caiu 29% (de 9.043 para 6.462), segundo a Secretaria da Segurança Pública.São Paulo vive desde o dia 24 de março sob quarentena decretada pelo governador João Dória e válida nos 645 municípios paulistas.

A partir do confinamento de boa parte da população, em razão da pandemia do novo coronavírus, o estado passou registrar uma situação paradoxal para diversos especialistas na área de segurança pública: a letalidade policial cresceu enquanto a maior parte dos indicadores criminais caiu.

Para o secretário-executivo da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo, os números se justificam pelo aumento do policiamento ostensivo no estado. Camilo explica que, com a pandemia, diversos policiais que atuavam em rondas escolares e eventos foram deslocados para o atendimento de ocorrências.

“A polícia chega quando o crime está acontecendo, então, nessa pronta resposta, chegando quando o delito está acontecendo, às vezes, leva ao confronto. E a polícia de São Paulo está bem preparada para esse enfrentamento.”

Queda nos roubos
A GloboNews também analisou os indicadores totais de roubos nas áreas das 14, de um total de 93, delegacias existentes na capital paulista.

As regiões de 11 dos 14 distritos policiais da capital paulista onde houve mais mortes cometidas por policiais militares entre abril e junho deste ano registraram queda na quantidade de assaltos no mesmo período.

Fazem parte desse levantamento todos as áreas que registraram 2 ou mais boletins de MDIP e pelos menos 3 mortes cometidas por policiais militares. Os dados incluem ações de PMs de serviço ou de folga.

Total de roubos é um número oficial publicado mensalmente pela Secretaria Estadual da Segurança Pública, que inclui, por exemplo, os assaltos a pedestres e ainda roubos a bancos e de carga. As quedas variaram entre 2% e 41%.Estado
Em todo o estado, o número de pessoas mortas por policiais militares cresceu 21% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2019, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Foram 435 pessoas mortas por PMs em serviço neste ano contra 358 do ano passado. Também cresceu o número de vítimas de policiais militares de folga. Em 2019, foram 56 e agora são 63.

Análise
Para Bruno Langeani, gerente da Área de Sistema de Justiça e Segurança do Instituto Sou da Paz, as explicações trazidas pela Secretaria de Segurança para o aumento da letalidade “são insuficientes”.

“São Paulo registra um aumento preocupante nas mortes pela polícia desde 2019, mantida no primeiro trimestre de 2020 e de forma preocupante, mesmo no meio da pandemia, onde praticamente todos os indicadores caíram fortemente, especialmente roubos e roubos de veículos, onde há mais registros de mortes. Na pandemia houve diminuição de crimes patrimoniais e também expressiva redução de armas apreendidas, fragilizando também a justificativa de que os criminosos estão mais bem armados.”

Na avaliação de Langeani, o que a Secretaria Estadual da Segurança Pública e o Comando-geral da Polícia Militar “precisam de forma urgente é deixar claro em discursos e medidas práticas que o resultado morte, apesar de possível ele é indesejável e deve ser evitado. São estas as diretrizes de qualquer polícia profissional”.

O que diz a SSP
Procurada, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) enviou a seguinte nota à reportagem:

“As forças de segurança estaduais atuam para proteger as pessoas e reduzir a criminalidade, prendendo e levando à Justiça àqueles que infringem a Lei. Somente nas áreas analisadas pela reportagem, 3.535 criminosos foram presos nos primeiros seis meses do ano, número suficiente para ocupar completamente quatro novas unidades prisionais. Isso equivale a 19 prisões por dia, em média, ou um criminoso preso ileso a cada 75 minutos, mesmo durante a pandemia da Covid-19.

A opção pelo confronto é do criminoso, que, armado, subjuga as vítimas, colocando-as em risco, assim como todos os participantes da ação. De janeiro a junho, o São Paulo perdeu 28 policiais mortos, quase o dobro do registrado no primeiro semestre de 2019.

A SSP, em parceria com as polícias, desenvolve ações para reduzir a letalidade como um todo. Em junho, por exemplo, as ocorrências de MDIP no Estado caíram 9% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Todos os casos desta natureza são investigados pelas polícias Civil e Militar, além de comunicados ao Ministério Público. Quando constatadas irregularidades, os envolvidos são responsabilizados. De janeiro a junho, 125 policiais civis e militares foram demitidos ou expulsos das instituições por desvios de conduta.

O compromisso é com o acerto. Desde o início do mês, a PM paulista realiza um programa de treinamento para todos os níveis hierárquicos da instituição. O objetivo é reforçar os conhecimentos e técnicas da instituição. Mais de 70 mil policiais, entre oficiais e praças, já cumpriram o cronograma.”

Fonte: G1


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