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Médicos alertam para ineficácia de ‘tratamento precoce’ da Covid: ‘Famílias inteiras morrendo’

Um idoso que, em dois dias, piorou e precisou de oxigênio. Uma família inteira infectada, e só a mãe sobreviveu. Um homem que passou o Natal com os pais, mesmo contaminado, e morreu dias depois.

Estas são três histórias de pessoas que foram contaminadas recentemente pelo coronavírus em Belo Horizonte. Elas têm em comum o uso de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da Covid-19 ou como tentativa de prevenir contra o vírus.

Paciente ficou surpreso com diagnóstico
O médico Guilherme Lima, que atua no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Eduardo de Menezes, referência no atendimento de infectados em Belo Horizonte, contou que atendeu um paciente que, antes mesmo de apresentar sintomas da Covid-19, fazia uso de medicamentos como cloroquina, ivermectina e azitromicina, para o “tratamento precoce” ao vírus.

Esse paciente se contaminou e precisou de oxigênio para sobreviver.O médico contou que o paciente ficou surpreso com o diagnóstico positivo para coronavírus, mas ao mesmo tempo, disse que tomava o remédio porque “mal não ia fazer”.

Família inteira contaminada
O infectologista relembrou também de um atendimento a toda uma família que estava contaminada pelo coronavírus. Segundo o médico, todos eles usaram cloroquina durante o tratamento. Apenas a mãe sobreviveu.O infectologista e presidente da Sociedade Mineira de Infectologia de Minas Gerais, Estevão Urbano, também contou ao G1 que a maioria dos pacientes que ele atende em hospitais faz o uso de algum medicamento sem comprovação acreditando que combateria a doença.O infectologista, que também é membro do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de BH, contou que atendeu um paciente que passou o Natal com febre, sentindo dores pelo corpo, e só no dia 31 de dezembro procurou ajuda médica, com sintomas já avançados.

Ele fazia uso de três medicamentos intercalados. O homem morreu dias depois.”O atendimento foi de imediato. Ele estava com a saturação de oxigênio muito baixa e foi imediatamente entubado. Foi de casa para o tubo. Já estava numa fase avançada. Ficou por 10 dias entubado lutando para viver, mas infelizmente morreu”, contou ele.

Estevão alertou ainda que o grande perigo do tratamento precoce é esse: procurar atendimento depois que as condições “são inaceitáveis e críticas”.

Fonte: G1


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