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MP denuncia à Justiça morador de condomínio em Valinhos que fez ofensas racistas a entregador

O Ministério Público denunciou à Justiça o morador de um condomínio de Valinhos (SP) que fez ofensas racistas a um jovem que trabalhava como entregador em empresa de aplicativo de serviços de alimentação. O caso foi em julho e houve repercussão nacional após divulgação de um vídeo. Já o pai do agressor, por outro lado, diz que o filho sofre de esquizofrenia paranoide Segundo a promotora Regina Mondin, Matheus Abreu Almeida Prado Couto deve ser condenado pelo crime de discriminação racial, que tem pena de um a três anos de prisão. Além disso, diz o MP, o acusado deve pagar “valor mínimo” para reparar danos morais provocados a Matheus Pires Barbosa.

A denúncia foi oferecida em 30 de novembro e, até esta publicação, a Justiça de Valinhos não se manifestou se aceita ou não a denúncia.Além disso, o MP pede na denúncia para que o caso seja tratado com prioridade e celeridade no andamento do procedimento para avaliar, por meio de perícia médica, a sanidade mental do acusado.

Em outro trecho, a promotora destaca na denúncia que caberá ao Poder Judiciário determinar qual o valor necessário na condenação para garantir “reparação mínima dos danos morais causados à vítima e dos danos morais coletivos”, mas menciona que, neste momento, estima valor de R$ 500 mil.

“O denunciado, insatisfeito com o serviço, com a intenção não só de desqualificar e humilhar o entregador, mas de afirmar sua superioridade e subjugar todos os integrantes da população negra, utilizando elementos de raça e cor, chamou-o de ‘preto’, ‘negro’, ‘encardido’, ‘fedido’, ‘favelado’, ‘pobre’, ‘nojento’, ‘marginal’, ‘vagabundo’, ‘semianalfabeto’ e ‘lixo’ , disse que ele nunca seria alguém na vida, que ele não deveria lhe dirigir a palavra e que ele tinha inveja da cor da pele dele, denunciado, apontando a mão para o próprio braço, em referência à cor de sua pele [branca]. O autor dos fatos, ainda, com a mesma intenção discriminatória de raça e cor, em menosprezo à população negra, cuspiu no entregador e, com deboche, imitou um macaco/gorila, batendo em seu próprio peito e fazendo sinais e sons, comportando-se como o animal”, ressalta a promotora no texto.Defesa
O G1 não conseguiu contato com parentes ou advogado do acusado até esta publicação. À época em que o caso veio à tona, o pai do agressor alegou que o filho sofre de esquizofrenia paranoide.

Ele apresentou um atestado médico de tratamento à Polícia Civil. Além disso, por meio de nota, a família pediu desculpas à vítima e todos os trabalhadores que se sentiram atingidos com o episódio.

À espera
O advogado que representa Matheus Pires Barbosa, Márcio Santos Abreu, diz esperar que a denúncia seja recebida pela Justiça antes do recesso para fim de ano. “A parte contrária tem direito a se manifestar, produzir provas contrárias, duvido que exista diante do que vimos, estamos aguardando para possamos nos manifestar”, falou o defensor ao destacar que a Polícia Civil no inquérito.

Segundo Abreu, o cliente dele trabalha atualmente em empresa própria ligada às áreas de marketing e sonoplastia.

Agressões verbais
O caso aconteceu no dia 31 de julho e as imagens começaram a circular na internet em 7 de agosto. Na ocasião, a Guarda Municipal foi chamada e encaminhou todos para a Delegacia de Valinhos. O condomínio fica no bairro Chácaras Silvania. O vídeo foi gravado por um vizinho.

À época, o motoboy falou que era a 2ª vez em que fazia uma entrega na casa, e o agressor também teria sido grosseiro na primeira, por ele não ter achado o endereço da residência. Na última, quando aconteceram as ofensas, o profissional disse que a confusão começou por um problema no interfone.

Fonte: G1


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