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‘Nossa luta continua’, diz tenente-coronel da PM alvo de racismo durante palestra virtual da USP

“É um crime de racismo aliado a um crime cibernético”, afirmou o oficial da PM, que quer que o autor ou os autores do ataque sejam identificados, presos e punidos. Até a última atualização desta reportagem, o boletim de ocorrência do caso ainda não havia sido registrado no 14º Distrito Policial (DP), em Pinheiros.

Segundo Evanilson, um hacker que invadiu a plataforma começou a escrever palavras racistas sobre a tela compartilhada da palestra quando o coronel começou a falar. Também foram enviados comentários de preconceito no chat. O curso chegou a ser interrompido em razão das ofensas. Depois foi retomado em outra plataforma.Evanilson falou ainda que vai usar o ataque racista que sofreu para se tornar mais forte no combate a ele.

“Nós não vamos esmorecer. Isso não é uma luta pessoal . isso não é uma luta da comunidade negra. Isso é uma luta da sociedade brasileira”, falou o coronel. “Porque enquanto o Brasil não eliminar racismo nós não conseguiremos evoluir socialmente, economicamente”.

O ouvidor da polícia, Elizeu Soares Lopes, que também é negro, prestou solidariedade ao coronel. “Atenta-se contra o Estado. Ele foi agredido de uma forma covarde e simbólica. Estava tratando de uma palavras com a temática étnico racial”, falou Elizeu, que também é negro.

Manual para combater racismo
Em entrevista ao G1 em dezembro do ano passado, o tenente-coronel Evanilson falou sobre seu trabalho na revisão do manual de Direitos Humanos da Polícia Militar.

“O negro tem pressa, porque é muito tempo sofrendo a mesma coisa. O racismo está enraizado nas pessoas historicamente e culturalmente e elas não percebem isso”, disse Evanilson naquela ocasião.

O novo manual, segundo ele, tem o objetivo de “contribuir para a desestruturação do racismo estrutural”.

Evanilson tem 50 anos e comanda o 11º Batalhão da PM, na área dos Jardins e Consolação, região central da capital paulista.

A ideia de se reformar o manual, de acordo com ele, é fazer com que os policiais paulistas reflitam e se conscientizem de que o racismo está presente no dia a dia nas ruas e identifiquem atos discriminatórios próprios e de colegas que possam ser corrigidos.

Fonte: G1


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