- Brasil

Pais da menina Ágatha Félix chegam à delegacia de homicídios do Rio

Os pais da Menina Ágatha Félix chegaram, às 10h30, desta quarta-feira (25), na sede da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital para prestar depoimento sobre a morte da criança. A menina e a mãe voltavam para casa em uma kombi, na Fazendinha, no Complexo do Alemão, na sexta-feira (20), quando a criança de 8 anos foi atingida por um tiro e morreu.

A DH já ouviu 20 pessoas sobre o caso, entre elas 12 policiais militares. Os investigadores ainda aguardam que algumas armas de PMs que estavam no Alemão no dia da morte da criança sejam entregues. A previsão é que dois fuzis devem ser levados para a delegacia.

A Polícia Militar afirma que a UPP Fazendinha não poderia ficar desguarnecida e, por isso, eles não foram entregues na segunda (23). Três fuzis e duas pistolas já estão na DH. A kombi onde Ágatha estava segue no pátio da delegacia, onde deve ficar até a reconstituição do crime.

Nesta terça (24), eles estiveram no Programa Encontro com Fátima Bernardes e contaram que sempre tiveram muito medo da violência, que acabou vitimando a filha.

“O que eu mais temia, o que a gente mais se escondia para não acontecer, aconteceu. A gente se escondia no box do banheiro. Tiveram duas vezes que a gente foi para o box, eu peguei o edredom e o travesseiro. Nessas duas vezes, a gente deitou no box e um helicóptero sobrevoando e aquele ‘trá, trá, trá’. Fiquei com ela e o meu marido, dormimos no banheiro, tomamos café dentro do banheiro”, contou Vanessa.

Segundo Rodrigo Mondego, integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB, a família não sabe ainda de onde partiram os tiros, mas que nega com veemência a versão de tiroteio para o tiro que matou Ágatha. “Não existe por parte de testemunhas a certeza de que o tiro partiu diretamente de policiais. Mas não havia confronto naquela localidade”, disse o advogado.

Moradores da comunidade, o motorista da kombi e a mãe da menina garante que não havia tiroteio na hora que a criança foi baleada e dizem que apenas os policiais militares passavam pela região na hora dos disparos.

Na segunda-feira (23), o governador Wilson Witzel (PSC) culpou o crime organizado pela morte da menina.

“Tem sido difícil ver a dor das famílias que tem seus entes queridos mortos pelo crime organizado. Eu presto minha solidariedade aos pais da menina Ágatha. Que Deus abençoe o anjo que nos deixou”, disse Witzel, em entrevista coletiva.

No dia da morte da criança, após receber a notícia, o avô da menina entrou em desespero.

“Foi a filha de um trabalhador, tá? Ela fala inglês, tem aula de balé, era estudiosa. Ela não vivia na rua não. Agora vem um policial aí e atira em qualquer um que está na rua. Acertou minha neta. Perdi minha neta. Não era para perder ela, nem ninguém”, disse Aílton Félix, avô da criança, ainda na porta do hospital para onde Ágatha foi socorrida.

Fonte: G1


There is no ads to display, Please add some

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *