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Prefeitura de SP instala grades e plantas em calçadas embaixo de viadutos no Centro

A Prefeitura de São Paulo instalou grades e floreiras embaixo dos viadutos do Centro de São Paulo, estreitando o espaço da calçada para a passagem de pedestres e impedindo a permanência de pessoas.

A instalação de 500 metros fica embaixo dos viadutos Dona Paulina e Brigadeiro Luiz Antônio, no início do corredor Norte-Sul, na área perto da Prefeitura de São Paulo e da Secretaria da Segurança Pública. A floreira recebeu plantas aquáticas nativas e exóticas.

De acordo com a Subprefeitura da Sé, responsável pela zeladoria da região, foram instaladas “biovaletas” no local formando a primeira calçada verde alagada da cidade, integrando o sistema de microdrenagem para a captação das águas superficiais do corredor Norte-Sul.

O “jardim de chuva que irá captar estas águas, filtrar e reduzir os sedimentos antes de devolvê-la para o sistema de drenagem pluvial. Além disso, reduzirá a força das águas que correm pelo corredor da Av. 23 de maio, trazendo benefícios paisagísticos e ecológico, pois minimiza a poluição. O local recebeu plantas aquáticas nativas e exóticas com eficiência comprovada em fitorremediação”, afirmou, em nota.

Críticos veem medida higienista
Moradores de rua dormem embaixo de viadutos da Avenida 23 de Maio. De acordo com funcionários que trabalhavam no local, a medida é para “melhorar a aparência da região e manter longe os moradores de rua”.

A medida de revitalização da área também é vista como uma atitude higienista por moradores de rua que vivem no local e Organizações não Governamentais (ONGs).

“Não querem a gente aqui, acham que a gente é bicho”, disse ao G1 um morador de rua que vive na região Central.

Lucas Brant, idealizador do projeto social Entrega por SP, que atua no Centro de São Paulo e trabalha com pessoas em situação de rua sociais desde 2013, diz que o projeto da prefeitura não surpreende.

“Não surpreende quem vai para as ruas em ação social, porque as ações da prefeitura costumam ser um tanto quanto indelicadas para quem está em situação de rua, parece higienista para muitos porque fazem a limpeza declarando que são processos para deixar a cidade mais bonita, mas não oferecem uma estrutura para quem está em situação de rua”, afirmou ele.
Lucas lembrou que as mudanças embaixo dos viadutos da capital paulista tiveram início com a gestão do ex-prefeito João Doria (PSDB) com a colocação de cercas na Praça 14 Bis, ao longo da Avenida Nove de Julho. “A nossa leitura era higienista: ‘vamos tirar os moradores de rua da vista do público que votou, que não quer ver eles por perto’.”

Questionada se a medida faz parte de uma ação higienista, a Prefeitura de São Paulo não se manifestou sobre o assunto. A administração municipal não revelou o valor da obra.

Jardins verticais
Inaugurado em 2017, o jardim vertical do corredor Norte-Sul com 6 km de extensão foi um projeto do então prefeito João Doria (PSDB), que trocou os grafites pelo muro de plantas. A instalação foi bancada por uma empresa que desmatou uma área do Morumbi por meio de um acordo de compensação ambiental.

A construtora contratou o serviço de paisagismo para manter o jardim por 9 meses. Quando o prazo acabou, em março de 2018, a prefeitura recebeu o jardim de volta.

Embora a estimativa da prefeitura seja de um gasto mensal de R$ 126 mil por mês para realizar a manutenção, a empresa que prestava o serviço diz que os gastos chegavam a R$ 250 mil por mês, considerando encargos trabalhistas, impostos e margem de lucro.

Fonte: G1


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