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Trânsito em Fortaleza tem 89,1% da média de fluxo registrada antes da pandemia

Passados quase três meses desde o início do plano de flexibilização das atividades econômicas em Fortaleza, as ruas e avenidas da cidade tiveram 89,1% do fluxo de veículos registrado antes da pandemia. O monitoramento foi feito pela Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) entre os dias 13 e 19 de agosto.

Segundo a análise, o maior uso de carros e motos foi observado nas Regional III, com 92,7%, média de fluxo bem próxima a do período que antecedeu as recomendações de distanciamento. Coincidentemente, essa área também tem uma das maiores concentrações de mortes pela Covid-19, de acordo com o último boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), divulgado no dia 14.

O Ceará chegou a 202.422 casos confirmados da Covid-19 e 8.245 mortes em decorrência da doença, segundo dados da plataforma IntegraSUS, atualizada às 14h13 desta quinta-feira (20). O número de pessoas recuperadas é de 173.514. A marca de 200 mil casos foi ultrapassa na quarta-feira (19).

Cenário semelhante
A gerente da Central de Monitoramento de Tráfego da AMC, Juliana Coelho, no monitoramento atual da cidade, segundo ela, há um cenário semelhante ao visto durante as férias escolares. “Em janeiro, julho e dezembro, a gente teria uma queda normal de 15%. Então, agora em agosto, é como se tivesse nesse período, mas tem algumas regiões da cidade que concentravam um fluxo grande, como o Centro e a gente ainda está percebendo que não voltou ao normal”. Na Regional Centro, os índices estão cerca de 22% abaixo do comumente observado.

Os dados de trânsito são gerados através dos equipamentos de fiscalização eletrônica das principais vias da Capital e estão em estabilidade há duas semanas, conforme observa Dante Rosado, coordenador da Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global em Fortaleza.

“São retratos das vias arteriais. Existe ainda as vias coletoras e vias locais. Porque normalmente quando a gente observa uma situação de congestionamento, os condutores acabam procurando rotas alternativas para tentar evitar aquele congestionamento, então, mesmo o fluxo aumentando, ainda tem essa pequena sobrevida que as vias coletoras podem absorver”, explica o gestor.

Ele nota que entre as mudanças nas rotinas de deslocamentos da cidade está a priorização do carro e da moto. “Há tendência de migração do transporte público coletivo para transportes individuais. As pessoas naturalmente, por receio, aos que conseguirem fazer isso, vão tender a evitar o transporte público, porque é considerado potencial de transmissão (da Covid-19)”, avalia.

Foi com esse objetivo que a analista de Recursos Humanos Camila Corrêa, 35, resolveu trocar os ônibus pelo transporte privado e a caminhada, para fazer o trajeto Centro-Aldeota desde que retornou ao trabalho presencial, em junho.

“Por eu morar com minha mãe, do grupo de risco, estou procurando me precaver de todas as formas. Antes de voltar a trabalhar no escritório, tinha visto nos jornais que os ônibus estavam lotados. Como não consigo acreditar que todos ali estão se cuidado, busquei uma alternativa”, ressalta.

Efeitos colaterais
Priorizar os carros ou motos como transporte pode ter efeitos não só na ampliação do congestionamento, mas na poluição do ar e nas taxas de acidente de trânsito, como avalia Dante Rosado.

“Essa migração preocupa porque se isso acontecer para motocicleta, por exemplo, a probabilidade é que os acidentes aumentem. A cidade nos últimos cinco anos tem grandes progressos na redução de mortes e a gente não queria que esse progresso fosse revertido em função do aumento da motocicleta”.Quando possível, o uso da bicicleta e da caminhada aparecem como as alternativas mais indicadas, mas em todos os casos as orientações de segurança, conhecidas antes da pandemia, continuam válidas.

Transporte público
Já quem não pode recorrer ao transporte privado encontra nas ruas 75% da frota de ônibus, de acordo com a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor). Em nota, a Empresa informa que solicitou o retorno de 100% da frota ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) e “aguarda a adoção dos ajustes necessários a serem realizados, como a mobilização da mão de obra, revisão de veículos, dentre outros”.

Conforme os dados da Etufor, a demanda de passageiros na fase 4 da retomada gradual da economia “mantém-se em 49%, ou seja, 450 mil passageiros/dia, enquanto que antes da pandemia chegava a 1 milhão de passageiros/dia”.

O dimensionamento da quantidade de ônibus é feito de acordo com a demanda dos usuários em consideração aos horários diferenciados de funcionamento das atividades liberadas, como explica a Empresa.

“A Etufor acompanha diariamente a movimentação para reforçar as linhas de maior demanda com ônibus extra em todos os terminais. Todas as medidas de segurança e higiene continuam sendo adotadas, como organização da frota para evitar aglomeração, higienização dos veículos nos terminais e nas garagens, fornecimento de álcool em gel”, acrescenta.

Fonte: G1


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