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Fumaça provocada pelas queimadas atrapalham e trazem perigo à navegação

As queimadas urbanas registradas na capital de Manaus no primeiro semestre de 2018 vem atrapalhando e trazendo perigo constante para quem navega pelos rios da Amazônia. A opinião é unânime e compartilhada pelos comandantes das embarcações que afirmam que a fumaça provocada pela queima de vários materiais, principalmente por moradores das regiões ribeirinhas, sem atentar para os perigos iminentes.

De acordo com Vanderley Sarubis, comandante do navio Cidade de Oriximiná III, as fumaças atrapalham a visão de quem pilota uma embarcação e o perigo aumenta principalmente à noite, quando a visibilidade se torna conturbada e é necessário apelar para o uso dos aparelhos que ajudam a garantir uma navegabilidade mais segura, não só para a tripulação, mas também para as cargas e passageiros.

“Durante os 14 anos que tenho na área da navegação e fazendo esse percurso entre Manaus e Oriximiná (PA), sempre observei as fumaças provocadas pelas queimadas na beira dos rios e isso dificulta a nossa visão com relação às outras embarcações e madeira que por diversas vezes ocasionaram acidentes. O perigo aumenta no período de verão quando acontece a vazante, e esta pode ser uma das maiores dos últimos cinco anos, se os rios continuarem baixando rapidamente”, destacou o marítimo.

Conforme ainda o comandante, durante o período da vazante a atenção deve ser redobrada pelos dois lados, tanto pelas fumaças quanto pela vazante que sempre dificulta a navegação. “A prova da falta de atenção foi a colisão de uma embarcação que colidiu com madeira nas proximidades do Novo Remanso e foi pro fundo. Acredito que o clima de fumaça foi a responsável pelo acidente”, avaliou.

O aposentado Daniel Viana de Carvalho viaja uma vez por ano entre o trecho Parintins-Manaus-Parintins para visitar os filhos que moram na capital do Amazonas e sempre percebeu muita fumaça durante o percurso. Segundo o aposentado, o medo de acidentes é frequente, mas como é o transporte escolhido por ele à coragem e a necessidade acaba prevalecendo. “Medo eu tenho, mas como venho uma vez por ano visitar meus filhos, peço à Deus proteção para que sempre ocorra uma viagem segura e tranquila até o destino final”, opinou o passageiro.

Mesmo sendo uma embarcação nova, inaugurada em 2014 e transportando cargas e passageiros, a atenção e os cuidados com a navegação deve ser sempre redobrada, o objetivo é preservar o patrimônio e o que é transportado, principalmente vidas.

As maiores ocorrências são de incêndio em lixo e em vegetação urbana. Não há registro de incêndio florestal em Manaus. As queimas em vegetação correspondem a 77,2% do total de casos. Agosto foi o caso com maior registro, somando 42 ocorrências, sendo 6 em lixo e 36 em vegetação. A ação integrada tem duração de quatro meses e contou com participação de seis bombeiros, seis agentes do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e 13 policiais militares do Batalhão Ambiental.

 

Texto: Juscelino Costa

Fotos: Zeferino Netto


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