- Cidade

No dia 24 de outubro de 2018 Manaus comemora 349 anos

Cronologia Histórica

1669 – Manaus nasceu ao redor do forte de São José do Rio Negro, com o intuito de assegurar a posse da Coroa portuguesa no centro gráfico dos seus domínios amazônicos. A Manaus dos nossos tataravós não tinha nome oficial, de tinta e papel passado, assinado e carimbado com o selo do colonizador, mas de tanto ouvir dizerem sou da Barra, aqui é a Barra, vou à Barra, vim da Barra, LUGAR DA BARRA ficou.

1787 O LUGAR DA BARRA era uma povoação de 301 moradores (243 índios, 47 brancos e 11 negros escravos), nesta época o Lugar da Barra do Rio Negro não tinha a menor expressão social ou econômica.

1791 – Transferência da sede da Capitania de São José do Rio Negro de Mariuá (Barcelos), para o Lugar da Barra (Manaus) , por Lobo D’Amada. 1799 – Volta para Mariuá (Barcelos) a sede da capitania de São José do Rio Negro.

1833- O Lugar da Barra eleva-se a Vila e passou a ser chamada MANAUS pela primeira vez, homenageando a corajosa nação Manau do alto e médio Rio Negro, organizava-se a estrutura administrativa e judiciária, o município elegia, nesse ano, os seus primeiros vereadores e instalava a sua Câmara Municipal.

1848 – A Lei nº 145, de 24 de outubro, da Assembleia Provincial do Pará, elevou a Vila da Barra do Rio Negro a cidade.

1851- No dia 3 de setembro, circulou na cidade Vila da Barra do Rio Negro o primeiro número do primeiro jornal que se editou no Amazonas : O Cinco de Setembro, titulo em homenagem à data histórica da criação da Província do Amazonas.

1870- No dia 7 de abril inaugurava-se o primeiro serviço de iluminação pública da cidade, com 60 lampiões a querosene.

1891 – O Teatro Amazonas foi inaugurado em 31 de Dezembro pelo governador Fileto Pires Ferreira, sucessor de Eduardo Ribeiro. 1904 – Iniciou-se a construção do nobre edifício da Biblioteca Pública do Amazonas.

1909 – A Escola Universitária Livre de Manaós foi a primeira Universidade instituída no Brasil.

1913 – No dia 15 de junho, Manaus foi uma das primeiras capitais brasileiras a construir uma usina de tratamento de esgotos. A usina situava-se às
margens do igarapé do Educandos , hoje restaurado o local passou a funcionar como o Centro de Artes Chaminé.

1952 – Inpa (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia) foi criado através do Decreto 31.672 em 29 de outubro.

1957 – Foi inaugurada em 3 de janeiro a refinaria de petróleo.

1960 – Em 3 de fevereiro a Zona Franca foi instalada por meio do Decreto 47.757.

1962 – No dia 2 de junho o presidente João Goulart sancionou a Lei nº 4.069 – A , criando a Fundação Universidade do Amazonas, hoje UFAM.

1974 – Começaram a se implantar as primeiras indústrias com instalações definitivas no Distrito Industrial.

1976 – o Aeroporto Eduardo Gomes entrou em operação em janeiro, viabilizando o aumento do numero de voos e a implantação de novas linhas
áreas, inclusive as internacionais.

Economia
Período áureo da borracha

Falar em economia em Manaus e não mencionar o ciclo da borracha seria insano e
irresponsável.

Em meados do século XIX e XX, Manaus sofreu várias transformações com a economia da borracha. A cidade de Manaus dinamizou tanto a economia quanto à sociedade manauense em detrimento ao homem e natureza, numa proposta de periodização, no que diz respeito ao espaço- tempo do cotidiano histórico.
Em 1901, a produção de borracha na Amazônia atingia 29.971 toneladas, quase o dobro do número atingido em 1891. A fase áurea do ciclo foi caracterizada pela presença do capital internacional, onde ocasionou um processo de transformação urbana durante a segunda metade do século XIX na capital do Amazonas, esse processo configurou-se a partir do modelo de modernidade europeia, mudando radicalmente os traçados sobre o aspecto da cidade até 1880. Neste período conclusões de obras monumentais como o Teatro Amazonas, Palácio da Justiça , além de escolas e pontes, aconteceram como interesse particular da burguesia e da elite “tradicional”.
Com o crescimento da produção da borracha na Ásia (Malásia, Ceilão Índia e Indonésia), a decadência do ciclo da borracha tornou-se inevitável. Os investidores abandonaram a região, levando o capital que movimentava a economia gomifera (que dá ou tem goma). E em 1920 os seringais do Oriente produziam 1,5 milhão de toneladas de borracha, contra 20 mil toneladas da Amazônia, afirmando desta forma o declínio da economia na extração de borracha.

Zona Franca de Manaus

A Zona Franca de Manaus foi uma iniciativa do governo brasileiro que objetivou estimular o desenvolvimento socioeconômico em Manaus e na Amazônia Ocidental. É o principal modelo de desenvolvimento e responsável pelo aumento da balança comercial brasileira e atração de migrantes na região. Abrangendo três polos econômicos: comercial, industrial e agropecuário. O polo industrial acabou tendo maior destaque na nossa economia.
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) , administra os incentivos fiscais, concedidos em aprovação de projetos das empresas que se instalaram em Manaus são em torno de 500 empresas , gerando um faturamento de R$ 80 bilhões (2015) e milhares de empregos diretos e indiretos. Em 2014, chegou a ter 122 mil empregos diretos, hoje está em torno de
90 mil. Seus produtos industriais são aparelhos celulares, de áudio e vídeo, televisores, motocicletas e vários outros.
Mas o que vimos ao longo desse meio século de funcionamento da ZFM, é que as atividades industriais, comerciais e de serviço ficaram concentradas na capital e poucas atividades foram desenvolvidas no Interior do Estado.

Manaus de Ontem e de hoje na visão de Otoni Mesquita
( Doutor em História Social )

MV – Nesses 349 anos em que a cidade de Manaus irá festejar no dia 24, qual a sua visão sobre o desenvolvimento na identidade cultural
no ponto de vista simbólica política?

OM- “Observo que em cada momento histórico nós temos uma maneira de “ser” atendendo a determinado requisitos do sistema, da sociedade, e o que a gente pode pensar, é num primeiro momento uma cidade intimamente vinculada com a própria natureza, dependendo dessa natureza e posteriormente ela fazendo alguns ensaios no sentido de dominar a essa coisa chamada de civilização branca… Porque na verdade havia um predomínio das raízes, das origens nativas, indígenas e a partir daí nós vamos ter uma variação de atualizações, que de certa forma são processos de transposição, de transplantação ou mais evidente de imitação muitas vezes que prezava muito mais a casca das coisas, a aparência da civilização do que uma coisa profundamente assimilada. Então muitas vezes há uma perseguição que permanece ainda hoje no sentido de copiar o modelo europeu, o modelo branco civilizado, moderno, mas do ponto de vista da “casca” ainda que internamente se preservasse muito das características, dos aspectos mais tradicionais ou mais provincianas.”
MV – Professor o que poderia ser acentuado de mudança social ao compararmos a Manaus de hoje com a Manaus de outras épocas?

OM – “O que podemos acentuar na mudança social comparando hoje com outras épocas, é uma distinção considerável. Assim como o final do século XIX foi chocante para aquela sociedade muito limitada, bem provinciana, restrita e que foi invadida por novas mudanças, novas tecnologias, com o melhoramento da cidade, com novas populações, com eletricidade, água, luz, telefone, prédios embelezados. Isso foi chocante, mas junto com isso veio uma outra grande população que favoreceu a inserção desses aspectos, eu acredito que do ponto de vista de mudança social, a cidade passou a ter uma definição mais clara das classes, mais demarcado com variações, aqueles muitos ricos, aqueles medianos, funcionários, serviçais, profissionais liberais e aquela massa da população menos favorecida, e isso vai chegar até o século XX mesmo, vai caminhar após a derrocada da exploração da borracha, do ciclo áureo, nós vamos ter uma manutenção de uma aparência sobretudo no aspecto visual da cidade até a implantação da Zona Franca de Manaus, quando passamos a ter uma outra relação com o espaço, com as relações pessoais tudo se agiliza muito mais em função do comércio, da indústria mais intensificada. Então nesse ponto de vista do final do século XX, quer dizer 1970 por aí, a gente vai ter já a intensificação desse processo que vai ficando mais forte nos anos 80, 90 e vai mudando completamente as tradições locais numa cidade que era uma cidade ribeirinha, que estava intimamente vinculada com o rio, mas que tentaram mudar isso desde o inicio do século, de novo com a Zona Franca ela tende a ser uma cidade de costas para o rio voltada para um desenvolvimento, um crescimento onde o “homem” é o senhor das decisões. Então nesse sentido nós vamos ter uma outra relação que se distancia da própria natureza e das questões mais tradicionais, e uma educação também pouco comprometida com as raízes , com as noções de Amazônia, de uma valorização da região, das questões indígenas. Isso é uma deficiência que no final dos anos 70 ou por aí, começam a surgir um pouco mais de discussões em torno dessa identidade cultural, dos aspectos simbólicos, mas não é uma coisa que tenha, digamos, sido assimilada pela população como um todo”

MV – Numa macro visão de desenvolvimento em âmbito geral, o que o senhor traz como diagnóstico dos dias atuais?

OM- “ No meu ponto de vista a primeira coisa é questionar… “que de-sen-vol-vi-men-to é este?” É desenvolver pra arrasar, ganhar dinheiro, dar emprego simplesmente? Porque desse ponto de vista vai muito bem, mas arrasando com um desenvolvimento humano, social, real. E isso não é muito pensado, as pessoas estão muito focadas na questão econômica, na questão financeira. Pra quem entende de desenvolvimento com esse ponto de vista, também talvez não esteja tão favorecido ainda que tudo priorize a isso, mas nós precisamos ter um desenvolvimento humano das relações, do conhecimento, da sensibilidade de uma sociedade que seja sensível e critica, que pense, que saiba escolher, que possa inclusive participar da sua administração, se nós tivéssemos uma outra relação, uma outra vinculação com o nosso meio, com a nossa cidade, com o nosso bairro isso seria muito mais saudável, mas nós fomos levados a nos distanciar, e aí escolher representantes que não nos representam e essas pessoas em geral estão comprometidas, em geral, mas não digo todos, estão comprometidos com um determinado poder , com um determinado sistema econômico que não prioriza a qualidade de vida da sua população, ela prioriza em geral a questão dos senhores, é como se fosse uma civilização feudal, ou colonial, onde há uma minoria que é beneficiada, e uma grande população que está aí pra servir . E essa tradição de subserviência está arrasando com o país e sobretudo no ponto de vista da educação, precisamos ter uma educação que seja repensada no ponto de vista mais critico, onde haja uma atenção em formar o ser humano com a sua opinião critica e não reprodutores zumbis como está acontecendo com esse país.”

Matéria: Márcia Vinagre

 

Fontes

 GARCIA, Etelvina. Manaus, referencias da História. Norma Editora. Manaus, 2014.

LIMA, Lucilene Gomes. Ficções do Ciclo da Borracha. Editora da Universidade do Amazonas. Manaus, 2009.

MESQUITA, Otoni. La Belle Vitrine Manaus. Editora da Universidade do Amazonas. Manaus, 2009.


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