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Ponte de R$ 1 milhão ainda não foi concluída após mais de 620 dias de obras

Iniciada em abril de 2017, a construção da nova ponte na única via de acesso ao conjunto Nova República e de outros dois residenciais continua com as obras inacabadas. Os serviços deveriam ter sido concluídos no prazo de 150 dias pela Prefeitura de Manaus. Os moradores relatam dificuldades para trafegar e até isolamento quando chove na comunidade do bairro Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus.

Orçada em mais de R$ 1 milhão, a obra foi iniciada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) em abril do ano passado. A nova ponte da rua A, que passa por trecho do Igarapé do 40, começou a ser construída ainda em 2017 e os serviços não foram finalizados mesmo depois de mais de 626 dias de execução.

Enquanto os trabalhos não são concluídos, as cerca de 1.300 famílias de três comunidades habitacionais (Nova República, Acácias I e II) enfrentam dificuldades para entrar e sair da área. Carros de passeio, ônibus do sistema de transporte público coletivo e caminhões de entrega passam pelo local diariamente.

“Com esse barro que foi colocado quando chove, fica intransitável. Totalmente intransitável. Inclusive, no sábado (15) que foi um dia de muita chuva, teve carro e ônibus que ficaram atolados, não conseguiam entrar. Então as pessoas estão tendo dificuldade, quem está do lado de fora não consegue entrar e quem está dentro não consegue sair. Sem falar do risco de acidentes nesse barro que desliza e oferece um risco à segurança. O conjunto só tem essa entrada e, em dias de chuva, estamos ficando isolados aqui dentro”, relatou a aposentada Zenaide Sales, moradora da região.

O serviço faz parte do cronograma de reforma de pontes em concreto armado executado pela Seminf desde o início do ano. A nova ponte substituirá a estrutura feita de gabião e tem 14 metros de comprimento com 12 de largura, feita de forma mista, com vigas metálicas e concreto armado.

A passagem do Nova República tem mais de 20 anos e a reforma é uma solicitação antiga dos moradores do conjunto. Porém, os moradores reclamam do atraso e da maneira como a obra está sendo executada no período chuvoso do chamado “inverno amazônico”.

O G1 esteve no local e constatou a presença de quatro operários, mas as máquinas estavam paradas.

“Nossa preocupação é, principalmente, que essa obra, da forma como está sendo realizada, se não for concluída de uma maneira mais breve possível, certamente com essas chuvas, nós ficaremos isolados como já ficamos em anos anteriores. Até hoje nossa ponte não está pronta, estamos aguardando há dois verões. A obra para nós é importante e de extrema necessidade, mas que o corpo técnico da Seminf encontre uma forma ao executar a obra sempre deixar de uma forma segura um desvio para entrarmos e sairmos”, afirmou o morador Antônio Sérgio, que é administrador.

Possíveis danos ambientais
Além do atraso das obras e as dificuldades, os moradores denunciam a derrubada da vegetação de trecho da margem direita do Igarapé do 40. As máquinas abriram uma clareira e o barro foi retirado do local para utilização na instalação dos acessos à ponte.

“Ao lado é uma APP [Área de Preservação Permanente] e derrubaram as árvores para recolher o barro para jogar aqui. Uma obra que custou um milhão e poucos reais. Que necessidade tinha de destruir uma área verde para o usar o material para jogar aqui?”, disse Antônio Sérgio.

Órgão justifica

Em nota, a Seminf esclarece que adaptações da região culminaram em atrasos na construção e alega q1ue a área de retirada de materia não é Área de Proteção Permanente. Confira na íntegra:

“Durante a execução da obra foi necessária a construção de alas nas duas cabeceiras da ponte, por conta da formulação do projeto executivo concomitante à execução do contrato. A alteração executada estava dentro da planilha orçamentária contratada. Em paralelo, foi necessário mudar cinco postes de posicionamento e a solicitação, realizada à Eletrobrás em 2017, só foi atendida com a entrega do orçamento este ano, o que impactou no prazo final da obra.

Quanto à área de retirada de material, a mesma não se enquadra em Área de Proteção Permanente pois está localizada a mais de 30 metros da margem do igarapé. A mesma foi utilizada como jazida de empréstimo para aterro e, após a entrega da ponte, em data oportuna, será feita a recomposição da área.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) está em fase de conclusão das obras da ponte na saída do conjunto Nova República, no Distrito Industrial. A ponte já está concluída e o que está sendo feito agora é o trabalho de encabeçamento, que é a parte de terraplanagem e, posteriormente, a pavimentação e a pintura para finalizar e entregar da mesma.

Diferentemente da estrutura inicial, feita de gabião, a nova passagem tem 14 metros de comprimento com 12 metros de largura e foi feita com vigas metálicas e concreto armado. A obra conta também com um metro de calçamento, em cada lado, e guarda-corpo, dando maior segurança aos pedestres.”

Fonte: G1


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