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Conselho de Anciãos realiza encontro para fortalecer educação escolar indígena

Com a finalidade de dar mais voz aos anciãos no desenvolvimento da Educação Indígena, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), promoveu na sexta-feira, 19/10, o 1º Encontro do Conselho de Anciãos da Educação Escolar Indígena. O evento foi realizado no auditório da Semed, na avenida Maceió, zona Centro-Sul.

A ideia de criar o conselho surgiu, em 2017, a partir da necessidade de se incluir, por questões tradicionais e de ancestralidade, o saber e a voz dos anciãos indígenas por contarem com grande prestígio dentro das comunidades. O conselho tem representantes de todas as comunidades indígenas que são atendidas pela Semed.

Para a Semed, que atende a aproximadamente 700 estudantes indígenas em quatro escolas indígenas municipais e nos 18 Centros Municipais de Educação Escolar Indígena (CMEEI), essas iniciativas são vistas de forma muito positiva. Para a chefe da Divisão de Ensino Fundamental (DEF), Vera Lúcia, a formação desse conselho é um avanço.

“Os saberes deles vão ser considerados. A ideia da secretaria é que a educação deve ser construída por várias mãos, olhares e considerando os saberes acumulados. Os anciãos vão trazer essa contribuição nesse espaço democrático de discussão e de oferta de uma educação indígena de qualidade”, avaliou.

O encontro também foi acompanhado pelo procurador da República Fernando Merloto, do Ministério Público Federal (MPF – AM). Para ele, o encontro foi muito positivo, no sentido de manter tradições que podem acabar esquecidas por diversos fatores.

“Eu entendo como algo com um potencial de mudança positiva para essas comunidades, em especial, em Manaus e no entorno porque vem trazer e valorizar esses saberes tradicionais, que muitas vezes não são valorizados nem pelos jovens, que acabam esquecendo as questões dos valores morais que também fazem parte do contexto indígena, de cada povo. O MPF vê com muito bons olhos essa iniciativa”, destacou.

Após a consolidação do Conselho, com institucionalização jurídica inclusive, a ideia é a de que os integrantes participem ativamente das políticas aplicadas aos diversos grupos indígenas espalhados por Manaus. A gerente de Educação Escolar Indígena (GEEI), Altaci Rubim, conta que, além da consulta com as comunidades, o conselho vem para fortalecer as propostas de interesse coletivo de todos, a fim de ter um resultado efetivo de uma política de educação indígena.

“Com a formação do conselho, o ganho maior é a valorização deles dentro da discussão da educação escolar indígena diferenciada e de qualidade em Manaus. O conselho vem fortalecer junto a Semed que tipo de educação indígena tradicional tem que ser tratada dentro desse centro”, observou.

Na ocasião também foi escolhido o primeiro presidente do conselho, sendo eleito Justino Melchior, da etnia tukano. O presidente, conforme Pedro Hamaw, da etnia sateré-mawé, e professor responsável pelo CMEEI Kuiá, do Tarumã-açu, será o porta-voz das necessidades deles e a formação desse conselho é um grande passo, não só para eles, mas para todos os munícipios do Estado, como um exemplo.

“Esse é um projeto-piloto que pode ser aproveitado para os outros municípios. Nós precisamos assegurar que os anciãos tenham conhecimento do que é a política da educação escolar indígena em todo Amazonas e no território nacional”, pontuou Pedro.

Fonte: Semed/PMM


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