- Economia

Após 5 pregões de alta, dólar opera em queda com exterior e atuação do BC

O dólar abriu em queda nesta terça-feira (11), após ter fechado em alta nas últimas 5 sessões, em dia de certa recuperação no mercado internacional e com o anúncio de atuação do Banco Central no câmbio.

Às 10h34, a moeda norte-americana caía 0,47%, vendida a R$ 3,9017. Veja mais cotações.

Na véspera, o dólar fechou em alta de 0,64%, a R$ 3,92 – maior patamar desde 2 de outubro (R$ 3,9333).

Intervenção do BC
O Banco Central realizará nesta terça-feira leilão de até US$ 1 bilhão em linha para prover liquidez ao mercado cambial. É o quarto leilão de novos contratos feito desde o final de novembro pela autoridade, que ainda rolou mais US$ 1,25 bilhão que venciam no início deste mês. Em novos contratos, foram US$ 4 bilhões até o momento, destaca a agência Reuters.

Para os analistas da corretora, o BC “manteve a coerência” ao chamar os leilões após a moeda norte-americana ter se aproximado do patamar de R$ 3,95.

O BC também realiza leilão de até 13,83 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de dezembro, no total de US$ 10,373 bilhões. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

As preocupações que içaram a moeda norte-americana na véspera em todo o globo ainda não se dissiparam, entre eles a desaceleração econômica global, guerra comercial entre Estados Unidos e China e o Brexit.

Nesta manhã, um porta-voz da primeira-ministra britânica Theresa May disse que o governo vai tentar votar o acordo fechado com a União Europeia sobre o Brexit — previsto inicialmente para esta terça-feira e adiado na véspera — antes de 21 de janeiro. A data prevista para o Reino Unido deixar o bloco econômico é 29 de março.

Internamente, os investidores seguiam monitorando o noticiário político local, a poucos dias de ter início o novo governo.

Escalada do dólar acende sinal de alerta no mercado
A persistente escalada do dólar acende um sinal de alerta no mercado brasileiro. A moeda americana vai se firmando na marca de R$ 3,90, num movimento que desafia as apostas para a trajetória do câmbio neste fim de ano. Especialistas apontam que fatores sazonais e técnicos, que têm pressionado a cotação, devem se dissipar nas próximas semanas. No entanto, as incertezas com o xadrez político e o cenário externo ainda jogam contra um alívio mais amplo, destaca o Valor Online.

Faltando três semanas para o fim do ano, a cotação do dólar está bem acima da mediana das projeções dos economistas. De acordo com o Boletim Focus desta segunda-feira, os analistas estimam que a taxa de câmbio encerrará o mês de dezembro em R$ 3,78.

O que joga contra a recuperação do mercado brasileiro é o conjunto de incertezas que ainda se avoluma no horizonte. Do lado externo, as moedas emergentes, como um todo, têm sido afetadas pelo aumento da aversão ao risco, em meio a temores sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), a desaceleração da economia global e a disputa tarifária entre Estados Unidos e China, além do processo de aperto monetário do banco central americano.

Os fatores domésticos não têm ajudado muito o mercado nos últimos dias, diz Juan Jensen, sócio da consultoria 4E. Para o especialista, alguns comentários desencontrados no núcleo governo eleito indicam os riscos que giram em torno da articulação para avançar com a agenda econômica em 2019.

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) tem uma proposta de formação diferente dos anteriores, com articulação mais próxima de bancadas temáticas do Congresso do que com partidos específicos. Isso traz mais um desafio para definição da base parlamentar e o avanço de reformas impopulares, como a da Previdência.

Na avaliação de Sergio Goldenstein, sócio e gestor da Mauá Capital, o mercado de câmbio tem operado de maneira descolada de fundamentos. Além das saídas de recursos, que são típicas nesta época do ano, a escalada do dólar ante o real é justificada pela demanda por “hedge” no mercado, incluindo operações de bancos para cobrir suas posições no exterior.

Para o gestor da Mauá, a redução do efeito sazonal nas próximas semanas já abriria algum espaço para melhora do real, mas o gatilho definitivo para a volta do fluxo e para a reversão de posições compradas em dólar é a perspectiva para a reforma da Previdência.

Fonte: G1


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