- Economia

Com 400 milhões de reais no bolso, qual o próximo passo para a Loggi?

Dificilmente você veria o setor de logística em uma lista dos mais sexy ou de conquistadores de manchetes — mas startups estão aproveitando as oportunidades de lucro que esse mercado tem a oferecer há algum tempo e, agora, sua luta pela dominação é vista pela proliferação de entregadores em cidades como São Paulo. Uma dessas startups é a Loggi, empreendimento de entregas que recebeu um grande impulso há poucos meses.

O negócio captou um investimento de 400 milhões de reais e, com isso, projeta que seu serviço de entregas terá 95% de cobertura nacional de entregas no mesmo dia ou no dia seguinte até 2020. Outra expectativa é atingir 5 milhões de entregas mensais pelo país nos próximos três anos. O mercado brasileiro de entregas é especialmente atrativo: o país gasta o equivalente a 12,7% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em logística, do armazenamento ao transporte. Nos Estados Unidos, o percentual é de 7,8%.
Estratégia de dominação
O primeiro passo para o plano de dominação foi a compra da startup WorldSense, que trabalha com inteligência artificial aplicada à publicidade na internet, com o objetivo de incorporar 400 engenheiros à equipe da Loggi. O movimento de aquisição com foco em talentos, comum no Vale do Silício (Estados Unidos) nos anos 2013 e 2014, é chamado de acqui-hiring.

“Temos mais um negócio de tecnologia do que de logística apenas. Há dois anos ninguém falava em termos como experiência do consumidor e esse é nosso diferencial para transportadoras tradicionais”, afirma o cofundador Fabien Mendez.Os profissionais adquiridos da WorldSense ajudarão a desenvolver uma inteligência artificial dotada de machine learning. Ou seja, robôs que conseguirão antecipar padrões de desvio de rota por conta de condições climáticos e de trânsito, por exemplo. Com isso, notificam o motorista e o consumidor com maior antecedência e melhoram a operação da Loggi.Segundo Mendez, 80% dos recursos obtidos nos últimos anos foram direcionados a identificar pontos de onde saem as entregas que estejam perto dos consumidores, ou hubs. Há oito hubs hoje na cidade de São Paulo, sua sede de atuação, com a projeção de chegar a 50 deles pelo Brasil até o final de 2019.

Na Loggi, São Paulo integra-se com outras 15 metrópoles para entregas no mesmo dia ou no dia seguinte (modelo conhecido como same ou next day delivery). A região coberta same ou next day representa 35% do volume nacional de encomendas. Até 2020, a porcentagem deve saltar para 95% same ou next day e 70 cidades atendidas no modelo.

Incluindo encomendas com maior prazo, a Loggi faz 3 milhões de entregas em 33 cidades, com 10 mil motofretistas e motoristas de vans.Além de sua plataforma de tecnologia, a Loggi investirá em robótica e engenharia. A empresa gerencia 12 mini-hubs em toda a cidade de São Paulo, onde os pacotes chegam para serem classificados em rotas eficientes em relação ao tempo e ao custo e, em seguida, escolhidos pelos motoristas em menos de uma hora.

A startup levantou em outubro do ano passado um aporte de mais de 400 milhões de reais, liderado pelo fundo Vision, do SoftBank (Japão), e acompanhado pelo KaszeK Ventures (Brasil). A aposta em aplicativos de entrega não é novidade para o fundo do bilionário Masayoshi Son. No início deste ano, o Vision Fund liderou um investimento de US$ 535 milhões na DoorDash, um aplicativo de entrega de alimentos com sede em São Francisco. Também comprou 15% da gigante Uber, dona do spin-off Uber Eats.

Segundo Mendez, o aporte reflete o interesse do SoftBank em mobilidade urbana, comércio e logística, além de demonstrar um melhor humor dos investidores do que o visto em 2015, quando a startup captou um aporte bem menor, de cerca de 50 milhões de reais. A Loggi teria atingido seu ponto de equilíbrio entre receitas e despesas no final de 2017 e cresceria a uma taxa de 25% por mês.
Modelo de negócio e desafios
Criada em 2014 para enviar documentos, a Loggi se expandiu e captou recursos para atender novas demandas. Foi dos documentos para o e-commerce, aproveitando o crescimento de 12% do comércio eletrônico em 2018, para 53,5 bilhões de reais. Hoje, atende as dez maiores lojas online do país, Como Dafiti e Mercado Livre. Há um ano e meio, a Loggi começou a fazer entregas em alimentação. A ideia é aproveitar horários de atuação distintos, intercalando entregas de produtos vindos do e-commerce com refeições.

Fonte: Exame


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