- Economia

Dólar cai a R$ 5,16 e tem menor valor em quase dois anos, após mudanças no tarifaço; Ibovespa tem queda

O dólar inverteu o sinal positivo visto no início da sessão e fechou em queda de 0,14% nesta segunda-feira (23), cotado a R$ 5,1685. Esse é o menor patamar da moeda desde 28 de maio de 2024, quando fechou em R$ 5,1534. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também tinha desvalorização na última hora do pregão.

Nos Estados Unidos, a decisão da Suprema Corte americana de derrubar o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, na última sexta-feira (20), continuou no centro das atenções. Após a medida, Trump anunciou que uma nova alíquota global de 15%, reforçando o tom mais agressivo na estratégia comercial e aumentando a incerteza nos mercados financeiros.

Para o Brasil, apesar de a decisão ter anulado todas as tarifas aplicadas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), a taxa de 15% anunciada pelo republicano no sábado também deve valer para os produtos brasileiros.

No Brasil, os economistas reduziram pela sétima vez consecutiva a previsão de inflação para 2026. A estimativa passou de 3,95% para 3,91%, segundo o último boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. A projeção para a taxa básica de juros ao fim de 2026 também recuou, de 12,25% para 12,13% ao ano.

A agenda econômica da semana ainda conta com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, e novos dados de emprego. No exterior, o foco fica com o Índice de Preços ao Consumidor dos EUA e decisões de juros pelo banco central da China.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

Dólar

Acumulado da semana: -0,14%;
Acumulado do mês: -1,51%;
Acumulado do ano: -5,83%.

Ibovespa

Acumulado da semana: +2,18%;
Acumulado do mês: +5,06%;
Acumulado do ano: +18,25%.
Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, na última sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, conhecido como “tarifaço”.

Por 6 votos a 3, a maioria dos juízes concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Trump argumentava que a lei de 1977 autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais.

O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos.

Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte.

A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, continuam valendo.

Resposta de Trump
A política tarifária do republicano ganhou novos contornos no sábado (21), quando ele anunciou que a alíquota subiria de 10% para 15%, dentro do limite da Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas por até 150 dias antes da avaliação do Congresso.

As novas taxas, previstas para entrar em vigor às 00h01 (horário de Washington) da terça-feira (24), atingem todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA.

Há, no entanto, exceções para determinados produtos, como minerais críticos, produtos agrícolas e componentes eletrônicos.

Ao g1, o especialista em comércio exterior Jackson Campos explicou que, após a decisão do tribunal e o novo anúncio de Trump no sábado, o resultado final é uma sobretaxa de 15% sobre produtos brasileiros.

“Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço de 2025], acrescida do novo adicional temporário global de 15%”, afirmou.
Campos lembrou ainda que a entrada de aço e alumínio brasileiros nos EUA continua com alíquotas de 50%, que se somam aos 15% recém-anunciados, mantendo o custo desses insumos elevado.

Fonte: G1


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