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Após estreia empolgante, Raoni Barcelos mantém pés no chão: “Primeiro degrau”

A expectativa em torno da estreia do peso-pena Raoni Barcelos no Ultimate era grande. Aos 33 anos, sua chegada ao maior evento de MMA do planeta era esperada por fãs e especialistas, e ela aconteceu de forma grandiosa no UFC Boise, em 14 de julho, quando nocauteou o americano Kurt Holobaugh. Depois de um mês, numa conversa exclusiva com o Combate, o lutador carioca relembrou os sentimentos daquela semana, e reforçou a necessidade de manter os pés no chão para trilhar um caminho de sucesso, inspirado em nomes como Pedro Rizzo e Glover Teixeira.

– Foi uma semana em que eu estava muito feliz, a energia estava muito boa. Tinha muito tempo que o Pedro (Rizzo) não estava no meu córner, só viajava eu e meu pai, e dessa vez estava todo mundo, estava um amigo (Felipe Feitosa) muito próximo que estava morando nos EUA e que me ajudou bastante. A sensação que tive lá foi a melhor possível. Tudo era novo, sentir aquela energia era novo para mim, e graças a Deus fluiu tudo bem – disse o lutador, filho do faixa-coral de jiu-jítsu Laerte Barcelos.

A vitória de Raoni foi comemorada por muitos lutadores brasileiros que apostavam nele. Sua última luta havia sido em outubro de 2016, e no ano seguinte assinou com o Ultimate. A primeira luta aconteceria no UFC São Paulo, em outubro de 2017, mas o adversário se lesionou e o duelo não aconteceu. A demora fez aumentar ainda mais a vontade de ver Raoni em ação.

– Com certeza (sentia essa expectativa). Já tinha batido na trave algumas vezes, já estava na boca para entrar no evento, e quando marcaram a minha luta todo mundo criou uma expectativa e não aconteceu no UFC São Paulo. Realmente as pessoas criaram uma expectativa muito grande, não só família e amigos que já me conhecem, mas jornalistas que já me acompanham desde a época do jiu-jítsu e que já viam que eu poderia chegar no UFC. Realmente muita gente esperava eu estar ali no maior evento do mundo, mas não deixei isso me atrapalhar, essa ansiedade por estar há quase dois anos sem lutar. E correu tudo bem, como planejamos, e agora é botar o pé no chão novamente e se preparar para o próximo desafio.

Raoni teve em seu córner uma lenda do MMA, Pedro Rizzo, e um dos grandes incentivadores da carreira é Glover Teixeira, lutador meio-pesado do UFC. É nesses nomes que ele se espelha para chegar longe, além de citar outros apoios, como José Aldo. E não é só a carreira vitoriosa deles que serve de exemplo.

– O Glover Teixeira foi quem me incentivou a lutar MMA e mostrou que tenho um grande potencial, e que se treinasse ia chegar bem longe. Quando ele foi para os EUA, o Pedro Rizzo abraçou esse sonho, começamos a treinar e fluiu. Tive também a oportunidade de ver diversas coisas, principalmente do Glover, que passou um perrengue aqui no Brasil por causa do visto, e acompanhei tudo nos bastidores. Também tive a oportunidade de estar junto com o Aldo em Las Vegas no primeiro confronto dele com Frankie Edgar, no qual fui sparring de wrestling. Já tinha essa sensação, já tinha acompanhado grandes nomes, e já via como era o evento, o respeito que tem pelo atleta, e tinha o sonho de estar ali, e hoje com tudo isso acontecendo…. Antes, eu era acompanhante, agora eu sou o atleta, então é muito gratificante. Com certeza o Glovão e o Pedro são meus espelhos para estar com os pés no chão e seguir em frente sem me deslumbrar. Só foi uma luta, e tenho um objetivo maior que é ser campeão da categoria. E é o primeiro degrau, não tem como querer subir dando um salto, é de pouco a pouco.

Apesar dos pés no chão, uma estreia no UFC não é fácil de administrar emocionalmente. Mesmo focado e conhecedor dos bastidores do evento, Raoni Barcelos admitiu que o primeiro round foi complicado com tudo o que o cercava. Foi no decorrer da luta que ele construiu a vitória por nocaute a 1m29 do terceiro round.

– O Kurt era um adversário muito duro, campeão do Titan, tinha lutado com Gesias Cavalcante, lutou com (Leandro) Buscapé, lutou com caras de muito nome, e estava vindo muito forte. E eu estava muito confiante com o trabalho feito, estava com a cabeça muito boa, só que te confesso que naquele primeiro round, com tudo o que estava acontecendo, subir naquele cage, sentir a energia da galera, o calor do holofote, senti um pouco. Mas não demonstrei isso, e fui round a round, no segundo fui melhorando, e no terceiro fui agraciado com aquele nocaute, que realmente senti na mão. Pegou forte aquele upper final e tinha certeza que ele não ia voltar mais.

Depois da vitória, as emoções não terminaram para o lutador. No vestiário, com o rosto ainda castigado pelo combate, ele pediu a noiva Rauane Martins em casamento através de uma ligação por vídeo. O “sim”, ao vivo direto do bairro carioca de Marechal Hermes, veio como mais uma vitória. Raoni Barcelos agradeceu o apoio de quem esteve com ele nos momentos mais difíceis.

– Estamos juntos há nove anos. Ela está comigo desde o início, desde a época que eu estava um pouco perdido, e ela sempre soube que meu trabalho era esse e nunca me atrapalhou, pelo contrário, sempre me apoiou e sempre me incentivou. É difícil encontrar uma pessoa que entenda essa profissão, que entenda que tem que treinar, que não pode comer, que tem que dormir cedo, e ela foi uma das pessoas que estava do meu lado quando mais precisei. Já estava premeditando esse pedido, mas queria pedir em cima do cage, mas não deu tempo. E daí fiz aquele pedido no vestiário. Vamos ver se casamos no final do ano que vem. Estou muito feliz com tudo o que está acontecendo, tudo tem sido muito bom.

E ainda teve mais. Raoni e Kurt Holobaugh fizeram a “Luta da Noite” no UFC Boise e cada um levou um bônus de US$ 50 mil, cerca de R$ 193 mil. O dinheiro chega num momento difícil financeiramente e dará um respiro.

– Passei uma fase apertado de grana, mas nunca passamos necessidades, meu pai e minha mãe nunca deixaram. Eu a Rauane já vivemos juntos tem um ano e pouco, era uma nova vida, a gente está se virando o tempo todo e o dinheiro estava muito apertado, e com esse bônus e o dinheiro da bolsa eu vou conseguir sair debaixo d’água. Estava quase me afogando! O dinheiro é bom, pretendo guardar e investir em alguma coisa no futuro. Foi só a primeira luta e tem muita coisa por vir ainda, e é ser inteligente porque dinheiro acaba.

E para quem ficou quase dois anos sem lutar, a hora agora é de emendar uma boa sequência de lutas. A expectativa era estar no UFC São Paulo, no dia 22 de setembro, mas agora a realidade é lutar no final do ano.

– Depois da luta tinha pedido para lutar no UFC São Paulo, mas infelizmente o card já fechou. Mas eu também estou supertranquilo em relação a isso, já voltei aos treinos fortes e estou bem no peso. Agora o Pedro estava tentando falar com o Joinha (Jorge Guimarães, empresário) para ver se me coloca nesse evento grande do Conor e Nurmagomedov no dia 6 de outubro, ou no final do ano, em novembro ou dezembro. Já quero mais uma luta e me testar novamente – concluiu.

Fonte: Globo esporte


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