Herói em Israel como segundo medalhista de ouro da história do país, o ginasta Artem Dolgopyat, sem querer, reabriu uma ferida que incomoda os seculares: a ausência do casamento civil no país onde as leis do matrimônio são regidas pelo Rabinato Chefe.
Nascido na Ucrânia há 24 anos de pai judeu e mãe não judia, Dolgopyat imigrou em 2009 com a família. Embora naturalizado israelense, não é considerado judeu porque, pela lei religiosa, o judaísmo é transmitido somente pela mãe.A queixa materna reverberou no Gabinete israelense e cooptou apoios importantes. O chanceler Yair Lapid, que em dois anos será premiê, qualificou como intolerável que alguém ganhe uma medalha de ouro para o país e não seja autorizado a se casar. Defensor do fim dos privilégios de ultraortodoxos, ele prometeu lutar para mudar a legislação.
Yoel Razvozov, ex-judoca olímpico e atual ministro do Turismo, foi além, ao descrever a situação de Dolgopyat: orgulho de Israel no pódio e de segunda classe sob a chupá, referindo-se à tenda sob a qual é celebrado o casamento judaico.Os matrimônios mistos não são permitidos em Israel. Para legalizar sua situação, os casais precisam sair do país e se casar no exterior.
O Chipre é um dos destinos preferidos e mais próximos destes casais, mas, com a pandemia, as viagens também foram proibidas.De volta a Israel, ostentando a medalha de ouro no peito, ele recebeu honras de campeão e tentou se distanciar da polêmica levantada pela mãe, que não esconde o desejo de ser avó. Mostrou-se desinteressado em encampar a causa em favor da adoção do casamento civil.
A frágil coalizão que sustenta o atual governo israelense mistura nacionalistas religiosos e seculares. Para sobreviver, inviabiliza qualquer mudança drástica na legislação a médio prazo.
Fonte: G1
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