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Da neve ao beisebol: conheça o 1° medalhista olímpico de inverno a jogar na MLB

Em decorrência de um surto de Covid-19 que afastou 18 jogadores e dois treinadores, o Miami Marlins foi forçado a fazer um número sem precedentes de mudanças no plantel da equipe. Mas talvez nenhuma das convocações seja tão curiosa como a de Eddy Alvarez, um novato de 30 anos que passou a maior parte da vida praticando um esporte completamente diferente. Patinação de velocidade em pista curta e beisebol são as grandes paixões de Alvarez, que admite não ter muito em comum entre elas.

– Além de virar à esquerda, não acho que haja muita semelhança – disse o jogador, que tem os anéis olímpicos tatuados no bíceps esquerdo, após sua estreia pelo Marlins diante do Baltimore Orioles.

Temporada do Miami Marlins é interrompida pela MLB após surto de Covid-19 em todo o time

Nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi 2014, Eddy Alvarez ganhou a medalha olímpica de prata na patinação de velocidade em pista curta no revezamento masculino. Ele não é apenas o primeiro patinador olímpico a jogar na MLB (Major League Baseball), mas o primeiro atleta dos Jogos Olímpicos de Inverno a fazê-lo.

Quando soube que havia alcançado o nível mais alto do beisebol e que jogaria pelo time de sua cidade natal, Miami, as primeiras pessoas que ele quis contar foram os grandes responsáveis ​​pela conquista: seus pais.

It’s Olympic day!!! Here is to the craziest and most thrilling sport I could dream of, that took me on the most incredible journey and all around the world. Kids…Go out there and try something… You never know what might happen! #olympicday

Walter e Mabel Alvarez estiveram presentes em cada passo do filho mais novo, durante os seis anos nas ligas menores, quando ele largou o beisebol duas vezes, quando seus joelhos incharam de tanta dor que ele não conseguia andar. Portanto, um telefonema ou uma mensagem de texto não bastaria.

Eddy dirigiu 800m de sua casa até a casa onde Walter e Mabel, imigrantes cubano-americanos, criaram ele e os irmãos Nick e Nicole. Ciente de se manter socialmente distanciado, o jogador deu a notícia pela janela.

– Gritei “Está acontecendo! Conseguimos!” Meu pai não entendeu bem o que era, mas minha mãe sim – conta.

Ele começou a balançar um taco de beisebol antes de aprender a andar. Mas no Natal de 1994, Alvarez abriu um presente de seus pais que mudaria todas as suas vidas: um par de patins.

– Lembro-me de minha mãe colocando-os em mim e amarrando-os. Sem hesitar, saí correndo pela sala de estar, evitando os móveis – diz Alvarez.

Quando o menino não estava jogando tee-ball, uma simplificação do beisebol e o softball, assim, ideal para crianças de quatro a seis anos desenvolverem habilidades de jogo, ele patinava nas pistas ao ar livre em Lummus Park, em South Beach, para se divertir. À medida que ele aprendia a fazer truques, impressionava cada vez mais os espectadores. Jennifer Rodriguez, também natural de Miami e a patinadora que se tornou a primeira cubano-americana a competir pela equipe dos EUA nos Jogos Olímpicos de Inverno, foi uma das pessoas a notar seu potencial.

– Ela abriu o caminho para mim, em certo sentido, quando começou nas rodas – diz Alvarez sobre Rodriguez, que ganhou duas medalhas de bronze em Salt Lake City em 2002. Eu sabia que se quisesse ser um Olímpico, teria que fazer uma transição para o gelo.

Walter, um engenheiro dono de uma empresa de materiais de concreto, e Mabel começaram a levar Eddy até uma pista de gelo em Coral Springs, que ficava a uma hora de casa, para treinar cinco dias por semana. O menino continuou a jogar beisebol nos fins de semana. A competição de patinação de velocidade era escassa na Flórida, então, conforme sua habilidade melhorava, Alvarez começou a viajar pelo país.

– Minnesota, Cleveland, Lake Placid, Saratoga, você escolhe, eu estive em todos os Estados Unidos – assim ele relata a lista de lugares que seus pais o levaram para que pudesse competir.

Aos 11 anos, Eddy “The Jet”, como seus amigos o batizaram, ganhou os campeonatos nacionais de pista curta, pista longa e patinação de velocidade in-line no mesmo ano.

Quando chegou ao ensino médio, Alvarez percebeu que só poderia se dedicar em tempo integral a um único esporte, pendurou os patins e pegou o bastão e a luva. Na escola Christopher Columbus High, em Miami, uma potência nacional que produziu 26 escolhas de draft da MLB e quatro grandes jogadores da liga atual, incluindo o Jon Jay, defensor do Arizona Diamondbacks, ele começou quatro temporadas como shortstop. Com bons resultados, ganhou uma oferta de bolsa de estudos para jogar beisebol na St. Thomas University, um forte programa da Associação Nacional de Atletismo Intercolegial, onde o irmão – que havia sido escolhido pelos Los Angeles Dodgers, em 2000 – estrelou.

Mas as Olimpíadas de Inverno de 2010 acenaram.

– Eu amo tanto beisebol, mas quando me formei no colégio, havia algo faltando na minha vida. E eu sabia exatamente o que era – diz Eddy.

Alvarez a reencontrou no oval de patinação de velocidade interno, em Salt Lake City. Lá, treinou com a renomada treinadora de patinação de velocidade Wilma Boomstra e ao lado do aspirante a olímpico J.R. Celski, como parte do programa de atletismo da equipe nacional dos EUA. Alvarez e Celski competiam entre si em torneios desde os seis anos. Derrotando-se nas pistas, viraram melhores amigos.

Aos 19 anos, o atleta conquistou o ouro no Campeonato Mundial Júnior de Patinação de Velocidade em Pista Curta, mas prejudicado por um vírus estomacal, ele terminou em sétimo na corrida olímpica de 2010 e não conseguiu se classificar para os Jogos de Vancouver.

Seu sonho olímpico foi destruído. O custo físico do treinamento tão difícil para voltar à forma de patinação pesou sobre Alvarez. Ele decidiu dar outra chance ao beisebol – e uma folga aos joelhos após anos de dor crônica por ficar agachado. Mas precisou convencer o treinador de beisebol da Faculdade Comunitária de Salt Lake City de que tinha espaço na equipe.

Alvarez continuou a treinar para os dois esportes, patinando pela manhã antes de ir para a aula, e então praticando com o time de beisebol antes de seus cursos noturnos. Ele atingiu bom números e ganhou todas as honras da conferência na temporada seguinte. Mas seus joelhos doíam mais do que nunca.

– Achei que jogar beisebol me daria uma folga de ficar em uma posição agachada o dia todo, mas não deu. Eu não aguentava mais a dor – conta.

Ele voltou a Miami no início de 2012 e foi submetido a uma cirurgia para reparar os dois tendões patelares. O dano foi pior do que pensava.Por encontrarem 12 lacerações distintas, os médicos não ofereceram garantias.

– Eles não podiam prometer que eu voltaria a patinar. Foram as seis semanas mais difíceis da minha vida – lembra Alvarez, que ficou completamente imobilizado nesse período.

Depois que ele foi liberado para começar a reabilitação, sabia que tinha pouco mais de um ano para ficar em forma e conseguir uma vaga nos Jogos de Sochi, de 2014. Alvarez se esforçou como nunca antes e voltou à seleção nacional em julho, mas seus joelhos ainda estavam muito fracos, não era possível patinar de forma competitiva. Em outubro, apesar da falta de velocidade, já conseguia ficar na posição agachada. Em dezembro, ele voltou a subir na classificação. E em janeiro de 2014, se tornou o primeiro patinador cubano-americano a se classificar para as Olimpíadas.

Eddy se juntou a seu amigo íntimo e parceiro de treino J.R. Celski para ganhar a prata no revezamento masculino de 5.000 metros no último dia de competição nos Jogos de Sochi.

Fonte: Globo esporte


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