Foi apenas com sete anos que Tiago Costa se apaixonou pelo esporte. Na Vila Olímpica de Acari, Zona Norte do Rio de Janeiro, o jovem menino que praticava natação viu a irmã para cima e para baixo sacando e bloqueando. O encanto foi rápido e o pedido à mãe para trocar a água pela quadra foi negado. Depois de uma longa insistência típica de crianças, Tiago conseguiu o que queria e, em 2002, entrou para o grupo do projeto da CBV VivaVôlei. Dali em diante, sua vida tomaria um rumo diferente, até virar estatístico da seleção feminina sub-20 do Brasil.
– O vôlei mudou totalmente a minha história como ser humano, me proporcionou um mundo diferente, ver as coisas diferentes. Eu fui criado na favela de Acari e lá o pensamento é outro. Eu costumo dizer que eu saí de um lugar para conhecer o mundo – revela o estatístico, a serviço da seleção sub-20 no Mundial da categoria, no México.
No projeto, que atua em regiões carentes do Brasil, Tiago treinava frequentemente e, àquela altura, o vôlei já havia se tornado uma saudável obsessão. Em 2004, em um torneio promovido pelo VivaVôlei, na Tijuca, no Rio de Janeiro, o jovem se destacou e foi convidado pelo técnico de um dos clubes participantes a fazer parte de sua equipe. O treinador em questão era Marcelo Haiachi e o time, o Fluminense.
De 2004 a 2006, o jovem jogador conciliava o VivaVôlei e os treinos na nova equipe. Quando a demanda prática no Fluminense aumentou, Tiago decidiu sair do projeto. No time carioca, passou pelas categorias mirim, infantil e infanto-juvenil. Foi campeão carioca mirim em 2006 e campeão pelo infanto em 2008. Seguiu no clube até 2011 quando o técnico Elton Camargo, do São Caetano, o convidou para ir a São Paulo.
Tiago decidiu não só mudar de clube, mas também de estado. Foi morar em São Paulo e jogar pelo São Caetano. Atuou pelas equipes infanto-juvenil e adulto no clube entre os anos de 2012 e 2014. No clube paulista, levantou a taça de campeão dos Jogos Abertos da Juventude.
Em 2015, mais uma mudança. Deixou o clube e, ainda em São Paulo, foi jogar pelo Osasco. Em uma das edições dos Jogos Regionais de SP, recebeu mais um convite. Os técnicos Fernando Gomes e Hairton Cabral o chamaram de volta para São Caetano. Dessa vez trabalhando com o time feminino como sparring e ajudando na parte técnica. No mesmo ano, conciliava as duas tarefas. Pela manhã e tarde estava em São Caetano e à noite treinava em Osasco. Em 2016, resolveu parar de jogar e ficar com a comissão técnica da equipe.
Tiago confidencia que, apesar de sua carreira ter sido curta, foi muito proveitosa. O ex-atleta revela os motivos pelos quais deixou as quadras e decidiu ficar no banco.
– Fiz a escolha de parar e quis fazer faculdade. A transição do juvenil para o adulto é bem difícil. Percebi que eu estava baixo para posição, porque eu jogava de ponteiro. O nível tinha elevado muito, e eu percebi que estacionei. Depois que apareceu o convite do pessoal de São Caetano, eu pensei muito e os outros técnicos que tive sempre me orientam a aproveitar o que o vôlei poderia me dar. Que era um estudo e outras oportunidades além de ser um jogador. Então eu repensei e decidi tomar essa decisão – revela Tiago.
Depois da aposentadoria como jogador e trabalhando na área técnica do São Caetano, entrou na faculdade para aprender estatística. Foi no ano de 2018 que Tiago chegou à seleção brasileira feminina de vôlei. Haírton Cabral, técnico do time, fez o convite para ele se tornar o estatístico da comissão. Participou do Campeonato Sul-Americano com a equipe sub-18 e, em seguida, assumiu o posto na categoria sub-20.
Tiago diz que o vôlei o proporcionou uma vida totalmente diferente da que estava em sua expectativa. O atual estatístico da seleção sub-20 revela que, por meio do esporte, seu caminho tomou rumos diferentes, que as portas se abriram e um mundo novo lhe foi apresentado. Títulos com a seleção Tiago ainda não tem. Mas, claro, estão nos seus planos, assim como seguir no esporte por muito tempo.
– Eu costumo dizer que saí de um lugar para conhecer o mundo quando me mudei para São Caetano. Comecei a ver outras culturas e fui aprendendo cada vez mais, fui me educando e isso tudo foi o vôlei que me proporcionou. O meu objetivo é trabalhar bastante tempo com o vôlei – conclui o carioca.
Fonte: Globo esporte
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