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Ao menos 946 lobistas têm credencial para circular na Câmara e no Senado

Ao menos 946 lobistas têm credencial e podem circular livremente na Câmara dos Deputados. Desses, 353 representam entidades e associações privadas. Outros 593 representam órgãos ligados ao estado. Há lobistas de estatais, ministérios e cortes.

A informação, obtida pelo Poder360 via LAI (Lei de Acesso à Informação), se refere ao início de 2020. Mas a Câmara parou de emitir os documentos durante a pandemia e as credenciais tiveram o seu prazo de duração estendido. Há casos em que o acesso foi suspenso pelo ato 118/2020.

Homens são a maioria nesse universo. De 946 lobistas com acesso à Câmara, 637 são homens. Mulheres são 309. Dentre as associações privadas, 70% são homens. Mulheres são 30%. Nas públicas, 66% são homens e 34% mulheres.

A disparidade, segundo a presidente da Abrig (Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais), Carolina Venuto, reflete a ocupação dos espaços de poder.

“Esse número reflete também o que temos na Abrig. Mas temos visto uma entrada maior de mulheres nos últimos tempos”, garantiu. Ela é a 1ª presidente mulher da associação.

Deputados e senadores liberam acesso
Para receber as credenciais, os lobistas usam associações representativas de setores da sociedade, para as quais trabalham ou pedem ajuda diretamente a deputados e senadores. Os congressistas podem emitir os documentos que liberam a entrada nas duas casas.

Uma das demandas da Abrig é que as empresas obtenham credenciais diretamente para evitar conflito de interesses, como no caso de ter credenciamento autorizado diretamente pelos gabinetes de deputados ou senadores.

“Pelo regimento interno, empresas não conseguem, apenas órgãos associativos. Se é uma indústria, por exemplo, conseguem via CNI, e assim por diante. Há alternativas. O número limitado de credenciais é um dificultador. São 2 por entidade”, relata Venuto.

Segundo ela, há um debate –que foi interrompido pela pandemia- para que os lobistas e outros credenciados possam usar uma identificação via QR code. Esse debate, porém, fica para o fim das medidas de isolamento social.

Menos tributos
Desde 2018, houve uma iniciativa do então Ministério do Trabalho que incluiu uma inscrição para lobistas sob sigla CBO 1423-45 – Profissional de relações institucionais e governamentais.

No período, foram registradas 273 pessoas nesse setor, mas, nos últimos meses, houve mais demissões que contratações. As informações também foram obtidas via LAI.

Não se trata, porém, de desemprego na área do lobby. Segundo lobistas, empresas da área não podem se registrar no Simples Nacional. Assim, optam por categorias como consultoria e escritórios de advocacia para pagar menos tributos.

Fonte: Msn


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